sábado, 15 de dezembro de 2018

Drauzio Varella outra vez

[O Dr. Drauzio Varella, a quem respeito como médico e autor, publicou na semana passada o texto “Criacionismo outra vez”, expondo novamente suas ideias equivocadas com respeito ao criacionismo, algo que ele já fez e que eu comentei aqui. No texto abaixo, meus comentários seguem entre colchetes. – MB]

Voltamos a falar no ensino do criacionismo nas escolas. A mania de andar para trás teima em nos perseguir. Até 1859, quando Charles Darwin publicou o livro sobre a origem das espécies, todos acreditavam que Deus os havia criado num único dia. Essa crença começou a ser questionada no século 19, época em que os museus ingleses passaram a exibir plantas e esqueletos de animais já extintos. Como justificar o desaparecimento de tantas espécies tão semelhantes às que ainda povoavam a Terra? A explicação corrente era a de que a ira divina exterminava periodicamente algumas espécies para criar outras, parecidas com as anteriores. [Não, a explicação criacionista sempre foi a de que a Terra sofreu as consequências de uma catástrofe chamada dilúvio, que levou à extinção de toda forma de vida não preservada na arca de Noé, daí por que há tantos fósseis espalhados pelo planeta e hoje seus descendentes mais ou menos limitadamente modificados vivem sobre a Terra.]

Darwin entendeu que a ciência devia estudar a grande variabilidade existente entre os indivíduos da mesma espécie, característica que não era levada em consideração pelos naturalistas da época. Suas observações sobre os pássaros das ilhas que visitou a bordo do Beagle, bem como a leitura dos trabalhos de Malthus a respeito da finitude dos recursos naturais, levaram Darwin a concluir que a vida é uma eterna competição pelo acesso a eles, na qual os indivíduos que não se adaptaram às exigências do ambiente foram eliminados por seleção natural. [Também estive em Galápagos e tudo o que vi foi variação limitada. Exemplo: tentilhões variam em plumagem e tamanho de uma ilha para outra, mas continuam sempre sendo tentilhões. Diversificação de baixo nível é algo perfeitamente aceito pelos criacionistas; o que não podemos aceitar é a ideia da macroevolução, para a qual não há comprovação nem evidências. Trata-se de uma premissa filosófica.]

Como consequência, todos os seres vivos deviam ter ancestrais comuns [aí está a extrapolação filosófica macroevolutiva]. O homem, por exemplo, seria descendente do mesmo ancestral que deu origem aos demais primatas [evidências, Dr. Drauzio, por favor].

Imaginem o furor que essa ideia provocou na Inglaterra vitoriana e no mundo religioso. Negar que fôramos criados à imagem e semelhança de Deus era uma blasfêmia inaceitável (ainda hoje considerada como tal por muitos religiosos). [Em uma Inglaterra em ebulição social, com uma igreja hegemônica corrompida e revoluções ocorrendo, qualquer ideias que colocasse em dúvida a religião tradicional acabaria sendo bem aceita. Esse foi o terreno fértil em que a teoria da evolução vicejou.]

Desde então, a teoria que Darwin enunciou naquele tempo foi exaustivamente testada e confirmada [outra declaração de fé, pois nem todas as premissas do darwinismo podem ser “testadas e confirmadas”]. O conceito de mutação gênica, a descrição da molécula de DNA e as descobertas da genética e da biologia molecular nos séculos 20 e 21 demonstraram que a seleção natural está presente até nos mecanismos moleculares das funções fisiológicas das células [vamos lá: (1) mutações não aprimoram, não adicionam informação nem são responsáveis pelo surgimento de novos planos corporais; experimentos científicos têm demonstrado isso (confira); (2) a descrição do DNA e os avanços da genética e da biologia molecular apenas fizeram fortalecer a ideia do design inteligente (confira); (3) criacionistas aceitam a seleção natural, pois ela é fato; mas entendem que a seleção natural apenas explica como o “mais apto” sobrevive, não como ele “apareceu”, já que ela obviamente somente age sobe algo que já existe].

Theodosius Dobzhanski [sic], um dos maiores geneticistas do século passado, afirmou: “Nada em biologia faz sentido senão à luz da evolução.” [Com certeza o Dr. Drauzio não deve saber disto sobre Dobzhansky...]

A seleção natural é um mecanismo universal que explica a evolução da vida na Terra e em qualquer planeta em que venha a ser encontrada [wow! O evolucionismo é uma ideologia tão forte que vale até para planetas aos quais ainda nem chegamos; se aconteceu aqui, aconteceu lá também]. Ao contrário do pensamento científico, o religioso está alicerçado na fé [outra falácia, já que criacionistas se valem da boa ciência e da fé]. Como não preciso de experimentos para provar que Deus existe, que Jesus Cristo foi seu filho e que a vida eterna é o nosso destino, posso crer que a Terra tem dez mil anos e que Eva foi criada a partir de uma costela de Adão. [Quem disse que criacionistas desprezam a boa ciência como auxílio no sentido de validar suas crenças? A biologia, a física e a arqueologia estão aí para provar o contrário do que afirma o Dr. Drauzio.]

Nada contra os crentes, a ciência não é a única forma de entender o mundo, as religiões procuram fazê-lo por outros caminhos. No entanto, assim como os cientistas têm obrigação de respeitar crenças alheias, os religiosos não devem se opor ao conhecimento científico [e não se opõem; opõem-se, sim, ao conhecimento que posa de científico, embora seja filosófico]. O problema não está no ensino do criacionismo como pensamento religioso que ainda influencia muitas pessoas, mas em apresentá-lo como alternativa em pé de igualdade à evolução das espécies por seleção natural [criacionistas bem informados não concordam com o ensino do criacionismo em aulas de ciências ou de biologia nas escolas seculares].

Questionar a veracidade da teoria da origem das espécies enunciada por Darwin e Wallace há mais de 150 anos, desculpem, é ignorância. É o mesmo do que duvidar da gravitação universal de Newton, colocar outra vez a Terra no centro do universo sem levar em conta Copérnico e Galileu, negar a relatividade enunciada por Einstein ou a teoria quântica de Max Planck. [Chega a ser irônico criticar o criacionismo e mencionar no mesmo parágrafo cientistas pioneiros criacionistas como Newton, Copérnico e Galileu! Isso, sim, é ignorância científica e histórica.]

A Terra não tem dez mil anos, mas 4,5 bilhões. A vida surgiu a partir das moléculas primordiais de RNA que se formaram há uns quatro bilhões, assim que o planeta esfriou [leia mais sobre isso aqui, e saiba também que cientistas gabaritados admitiram recentemente que a vida não poderia ter surgido aqui como propõem os evolucionistas (confira)]. Chimpanzés e bonobos compartilham conosco mais de 95% dos genes que herdamos de nosso ancestral comum [ah, é?]. Não fosse um meteorito cair na península de Yucatán, no México, há 65 milhões de anos, os dinossauros ainda dominariam a Terra e, nós, dificilmente estaríamos por aqui [tem certeza, Dr. Drauzio?].

Há os que preferem crer que a mão de Deus deu origem ao homem e a todos os seres vivos. Alguns não negam as evidências da evolução, mas propõem que Ele está por trás de todas as mutações gênicas adaptativas que selecionaram as espécies [esses são os mais contraditórios]. Para eles, admitir que surgimos como resultado dos acasos envolvidos na seleção natural não faz sentido. [E faz sentido crer que a ordem proveio do caos? Que a vida surgiu da não vida, mesmo depois dos experimentos de Pasteur? Que informação complexa e específica teria surgido do nada? Quem é o verdadeiro crente aqui?]

Para mim, imaginar que um ser superior criou tudo num passe de mágica reduz a complexidade da biologia que através de mecanismos seletivos chegou ao único animal que se atreveu a desvendar os mistérios da criação da vida. [O fato é que Drauzio Varella crê na teoria da evolução porque decidiu não crer em Deus. Que opção lhe resta?]

Fonte: Criacionismo 

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