quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Universo tem design inteligente

Genética. Para os cientistas, a assinatura no DNA mostra claramente a presença de uma mente inteligente, que criou estratégias químicas
A vida surgiu por acaso ou a partir de uma vontade superior? Esse embate desgastado ainda não tem solução. Quem acalorou essa discussão foi o naturalista inglês Charles Darwin, quando, em 1859, publicou o livro “A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”, em que sustentava que a vida começou espontaneamente no momento em que uma sopa primordial de elementos químicos, submetida às condições da Terra primitiva, produziu pela primeira – e única vez – uma molécula replicante. Mudanças graduais ocorridas por acaso permitiram a formação, ao longo de bilhões de anos, de seres cada vez mais complexos.
Dr. Marcos Eberlin

No final do século XX surgiu nos Estados Unidos o Movimento do Design Inteligente, que reúne químicos, bioquímicos, biólogos e físicos. No Brasil foi criada, em 2016, a Sociedade Brasileira do Design Inteligente, com 1.500 membros e que tem como presidente Marcos Eberlin, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo esses cientistas, a vida não tem nada de aleatório e parece ter seguido algum desenho inteligente. A prova seria a complexidade dos sistemas celular e molecular: trata-se de verdadeiras máquinas, cujas partes independentes estão tão estreitamente interligadas que a ausência de um único componente é o bastante para impedir que elas funcionem.

A Teoria do Design Inteligente (TDI) é o estudo científico de padrões na natureza que possam referendar ou descartar a ação de uma mente inteligente como sua causa. É a ciência que propõe inferir se a causa primeira mais provável dos efeitos no universo e na vida seria a ação de uma mente inteligente ou a de forças naturais não guiadas, como propõe Darwin.

“A percepção de um design inteligente existe desde os primórdios da humanidade. Filósofos gregos postulavam que havia sinais de que uma mente inteligente teria criado o universo e a vida. O movimento moderno nasceu em 1995, com Phillip Johnson, autor de “Darwin no Banco dos Réus”, que organizou um encontro na Califórnia com a presença de cientistas das mais diferentes áreas, como Stephen C. Meyer e Michael Behe. O evento pretendia discutir o compromisso que a ciência fez com o materialismo filosófico a partir do darwinismo, que muitos consideram legítimo, mas que tem levado a ciência a propor teorias equivocadas. Para eles, matéria, energia e espaço foram as forças naturais que criaram tudo. Ficamos apenas com a evolução e o Big-Bang”, analisa Eberlin.

Os cientistas da TDI entendem que se ancorar apenas em processos naturais não guiados é muito restrito e que já era tempo de contemplar a ciência por outro viés.

Zumbi science’. “O naturalismo de Darwin só conquistou a ciência por causa do iluminismo. Fizemos um pacto com o naturalismo e ficamos durante 150 anos tentando entender tudo pela teoria da matéria, da energia e da força, e não conseguimos. A evolução faliu, não conseguimos explicar a complexidade da vida. Estamos mantendo viva a ciência dos mortos-vivos, a ‘zumbi science’, como se tivéssemos apenas uma opção”, refuta Eberlin.

O design inteligente é uma ciência que, para explicar a criação do universo, coloca na mesa outra possibilidade que não a das forças naturais: a existência de uma mente inteligente. “Buscamos, por meio de metodologias científicas, compreender quando um fenômeno foi causado por forças naturais ou por uma ação inteligente. Um raio seria a fúria de Deus ou uma descarga elétrica? As rochas caem pela ação da gravidade? Dados jogados caem com determinado número voltado para cima de forma aleatória? Nossa proposta é desenvolver metodologias e aplicá-las no universo e na vida. A cada dia os sinais são claríssimos de que uma mente inteligente ou um ser inteligente orquestrou o universo e a vida. Só não estávamos vendo isso porque o materialismo filosófico nos impedia de considerar a opção do design inteligente”, analisa o pesquisador.

Opinião

Stephen Hawking. O cientista defende que o universo é autocontido, que não poderia ser nem criado, nem destruído. Ele simplesmente seria. “Que lugar haveria, então, para um criador?”, indaga.


A assinatura por trás da natureza

Qual seria a identidade do designer? “Por meio de métodos científicos não podemos, de forma honesta, tirar alguma conclusão. A teoria do design inteligente não se compromete em relação à identidade do designer, pois a ciência não tem ferramentas para descobrir isso”, diz Marcos Eberlin.

Porém, os defensores da TDI, mesmo sendo cientistas, têm ou não suas crenças pessoais. “Alguns são agnósticos e não querem se comprometer, outros são espíritas e acham que se trata de um espírito evoluído. Outros acham que o autor é o grande arquiteto do universo, e alguns consideram que são deuses ou extraterrestres, mas a grande maioria acha que é Deus, como eu acho que é. Sem dúvida, quando a boa ciência se alia à filosofia e à teologia, elas apontam para o Deus bíblico, o candidato mais viável ao posto de designer inteligente. Por isso a TDI é tão odiada, porque, como boa ciência, aponta para uma mente inteligente”, ressalta Eberlin.

O universo e a criação têm apenas uma assinatura. “Veja a assinatura no DNA, que mostra claramente a presença de uma mente inteligente, que criou as estratégias químicas utilizadas na codificação, na otimização do RNA para o DNA, na substituição do açúcar, na escolha dos 20 aminoácidos que formam a vida, das proteínas. Da mesma forma, o planeta Terra com seu campo magnético nos protegendo das tempestades solares, a camada de ozônio criando uma proteção dos raios ultravioleta. São inúmeras as assinaturas, sinais indiscutíveis do design inteligente que encontramos no universo e na vida”, avalia.


“Darwin, o homem que matou Deus”

O design inteligente tem profundas implicações filosóficas, religiosas e teológicas, assim como a evolução, que teve e ainda tem. “Darwin foi o homem que matou Deus. A evolução tirou o homem do papel central da criação, nos fez meros animais e provou que não há nada além da matéria no universo. Para o evolucionista, o destino final da nossa civilização é a aniquilação, seremos extintos e substituídos por outra espécie”, analisa Marcos Eberlin.

A TDI também tem suas implicações filosóficas e teológicas. “Se o design inteligente aponta para Deus e diz que fomos criados com um propósito, qual o problema? A TDI é ciência na sua mais pura essência e é mais livre que o naturalismo porque não faz pacto com nenhuma cosmovisão. Ela procura a verdade, que coloca as opções disponíveis sobre a mesa e as confronta, fazendo a melhor inferência. É uma ciência livre, sem preconceitos e sem predefinições, que coloca a evolução frente a frente com o design inteligente”, diz Eberlin.

Fonte: O tempo

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