quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Tabela periódica pode ganhar nova linha pela primeira vez na história

Instalações do laboratório Nishina, local das pesquisas com o elemento 119.
Uma equipe de cientistas no Japão acaba de iniciar um dos projetos mais apaixonantes da física nos últimos tempos: a busca do elemento 119 da tabela periódica, "nunca visto e nunca criado na história do universo", disse o físico Hideto Enyo, líder da iniciativa.

O novo elemento, batizado temporariamente de ununennio (um, um, nove, em latim), inauguraria uma nova linha – seria a oitava – na tabela periódica proposta em 1869 pelo químico russo Dmitri Mendeleev. A ordem da primeira coluna, recitada de cor por qualquer estudante, ficaria assim: hidrogênio, lítio, sódio, potássio, rubídio, césio, frâncio e ununennio.

Enyo comanda o laboratório Nishina, do centro de pesquisa Riken, um acelerador de partículas localizado nas proximidades de Tóquio. No laboratório, os cientistas planejam disparar feixes de vanádio, um metal, contra um alvo de cúrio, um elemento mais pesado que não existe naturalmente no ambiente terrestre. A teoria é simples: o núcleo do átomo de vanádio possui 23 prótons. O do cúrio tem 96. Unidos, criariam um elemento superpesado com 119 prótons. Mas não é tão fácil.

"Todos somos poeira das estrelas", lembra o físico nuclear José Luis Taín, parafraseando o famoso astrônomo norte-americano Carl Sagan. A equipe de Taín, que não tem participação na busca do elemento 119, lidera outro experimento no Riken para investigar como são formados os elementos pesados no universo. Os mais leves, como o hidrogênio (um próton) e o hélio (dois prótons), foram formados imediatamente após o Big Bang, há cerca de 13,7 bilhões de anos. Os outros, mesmo o ferro, surgiram de uma fusão nuclear no interior das estrelas. Mas, depois do ferro, com 26 prótons, a origem é mais confusa.

"Acreditamos que, para formar elementos mais pesados do que o ferro, são necessários eventos explosivos, como supernovas [explosões de estrelas muito maciças] ou fusões de estrelas de nêutrons", afirma Taín, pesquisador do Instituto de Física Corpuscular, em Paterna (Valência). Nesses cataclismos cósmicos, ocorre um rápido processo de captura de nêutrons, que, quando desintegrados, formam prótons. Isso criaria, em alguns segundos, elementos cada vez mais pesados, como o ouro (79), chumbo (82) e urânio (92). O experimento de Taín, chamado Briken, tenta imitar esses emaranhados estelares no laboratório do Japão.

Esse rápido processo de captura de nêutrons, no entanto, seria suspenso em torno do elemento 110, segundo Taín, citando as previsões teóricas atuais. Se forem corretas, o elemento 119, como afirma o cientista Enyo, jamais foi criado no universo. Nunca.

O elemento mais pesado encontrado naturalmente na Terra é o plutônio, com 94 prótons. A partir desse ponto, os núcleos não são estáveis o suficiente. Os últimos elementos sintetizados – nihônio (113), moscóvio (115), tennessino (117) e oganessono (118) – são muito radioativos e existiram por alguns milésimos de segundo em um laboratório.

"Esperamos encontrar o elemento 119 em alguns anos", afirma Enyo com entusiasmo. "Já começamos a caçada, embora ainda estejamos numa fase muito preliminar", reconhece. O físico japonês sabe que outras equipes científicas de prestígio já falharam na busca do elemento 119. O centro GSI Helmholtz, em Darmstadt (Alemanha), realizou a tentativa em 2012, disparando um feixe de titânio (22) contra um alvo de berkélio (97) , sem sucesso. "Ainda não sabemos que tipo de combinação de feixes e alvos será melhor", admite Enyo.

Por que gastar tanto tempo em experimentos caríssimos para sintetizar um elemento por alguns milésimos de segundo? "Porque é muito emocionante descobrir um novo elemento, especialmente o 119, que será o primeiro da oitava linha da tabela periódica", arremata o físico japonês, resumindo o espírito curioso da ciência básica.

O químico alemão Martin Heinrich Klaproth descobriu o urânio em 1789. O nome foi inspirado no planeta Urano, que havia sido observado pela primeira vez alguns anos antes. O urânio é o elemento mais antigo na sétima linha da tabela periódica. Se, em 1789, Klaproth tivesse sido questionado com um "para que queremos isso?", não poderia ter imaginado que as usinas nucleares produziriam 17% da eletricidade mundial com o elemento mais antigo na sétima linha.

Fonte: Brasil El País

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Terra plana: a teoria conspiratória do momento [curso]

Não se sabe bem a razão, mas argumentos de que a Terra é plana – fato não só contestado por imagens tiradas do espaço, mas também por investigações matemáticas que datam desde a Grécia antiga – têm ganhado manchetes pelo mundo todo recentemente.

[...] Quem são os crentes da Terra plana? [...] Eles acreditam basicamente, que há uma conspiração mundial envolvendo cientistas e agências espaciais para que todos acreditem que a Terra é esférica. É dito que estamos em um disco circular, não em um globo, com o Polo Norte no meio e a Antártida em toda a borda. [...] Em matéria do jornal inglês The Guardian, é citado que os seguidores dessa teoria são ‘quase como uma religião’.

Não se sabe qual é realmente o tamanho do grupo. Mas, como em qualquer assunto, fanáticos fazem barulho. Principalmente na internet. Em grupos de Facebook, posts no Twitter, vídeos no YouTube, fóruns... [...] Inúmeros fatos são apontados pelos membros dos grupos. As alegações para isso vão desde ‘desaparecimento de navios’ a ‘horizonte reto’ (mas não citam que barcos ficam só parcialmente visíveis no horizonte por causa da curvatura terráquea).

No intuito de colaborar para o esclarecimento de dúvidas que frequentemente são levantadas sobre divergências de pontos de vista em torno de questões que envolvem simultaneamente aspectos científicos e religiosos a Sociedade Criacionista Brasileira está disponibilizando o curso gratuito Reinventando a Terra Plana. Clique aqui para acessar o curso!

Fonte: Sociedade Criacionista Brasileira

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Universo tem design inteligente

Genética. Para os cientistas, a assinatura no DNA mostra claramente a presença de uma mente inteligente, que criou estratégias químicas
A vida surgiu por acaso ou a partir de uma vontade superior? Esse embate desgastado ainda não tem solução. Quem acalorou essa discussão foi o naturalista inglês Charles Darwin, quando, em 1859, publicou o livro “A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural”, em que sustentava que a vida começou espontaneamente no momento em que uma sopa primordial de elementos químicos, submetida às condições da Terra primitiva, produziu pela primeira – e única vez – uma molécula replicante. Mudanças graduais ocorridas por acaso permitiram a formação, ao longo de bilhões de anos, de seres cada vez mais complexos.
Dr. Marcos Eberlin

No final do século XX surgiu nos Estados Unidos o Movimento do Design Inteligente, que reúne químicos, bioquímicos, biólogos e físicos. No Brasil foi criada, em 2016, a Sociedade Brasileira do Design Inteligente, com 1.500 membros e que tem como presidente Marcos Eberlin, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo esses cientistas, a vida não tem nada de aleatório e parece ter seguido algum desenho inteligente. A prova seria a complexidade dos sistemas celular e molecular: trata-se de verdadeiras máquinas, cujas partes independentes estão tão estreitamente interligadas que a ausência de um único componente é o bastante para impedir que elas funcionem.

A Teoria do Design Inteligente (TDI) é o estudo científico de padrões na natureza que possam referendar ou descartar a ação de uma mente inteligente como sua causa. É a ciência que propõe inferir se a causa primeira mais provável dos efeitos no universo e na vida seria a ação de uma mente inteligente ou a de forças naturais não guiadas, como propõe Darwin.

“A percepção de um design inteligente existe desde os primórdios da humanidade. Filósofos gregos postulavam que havia sinais de que uma mente inteligente teria criado o universo e a vida. O movimento moderno nasceu em 1995, com Phillip Johnson, autor de “Darwin no Banco dos Réus”, que organizou um encontro na Califórnia com a presença de cientistas das mais diferentes áreas, como Stephen C. Meyer e Michael Behe. O evento pretendia discutir o compromisso que a ciência fez com o materialismo filosófico a partir do darwinismo, que muitos consideram legítimo, mas que tem levado a ciência a propor teorias equivocadas. Para eles, matéria, energia e espaço foram as forças naturais que criaram tudo. Ficamos apenas com a evolução e o Big-Bang”, analisa Eberlin.

Os cientistas da TDI entendem que se ancorar apenas em processos naturais não guiados é muito restrito e que já era tempo de contemplar a ciência por outro viés.

Zumbi science’. “O naturalismo de Darwin só conquistou a ciência por causa do iluminismo. Fizemos um pacto com o naturalismo e ficamos durante 150 anos tentando entender tudo pela teoria da matéria, da energia e da força, e não conseguimos. A evolução faliu, não conseguimos explicar a complexidade da vida. Estamos mantendo viva a ciência dos mortos-vivos, a ‘zumbi science’, como se tivéssemos apenas uma opção”, refuta Eberlin.

O design inteligente é uma ciência que, para explicar a criação do universo, coloca na mesa outra possibilidade que não a das forças naturais: a existência de uma mente inteligente. “Buscamos, por meio de metodologias científicas, compreender quando um fenômeno foi causado por forças naturais ou por uma ação inteligente. Um raio seria a fúria de Deus ou uma descarga elétrica? As rochas caem pela ação da gravidade? Dados jogados caem com determinado número voltado para cima de forma aleatória? Nossa proposta é desenvolver metodologias e aplicá-las no universo e na vida. A cada dia os sinais são claríssimos de que uma mente inteligente ou um ser inteligente orquestrou o universo e a vida. Só não estávamos vendo isso porque o materialismo filosófico nos impedia de considerar a opção do design inteligente”, analisa o pesquisador.

Opinião

Stephen Hawking. O cientista defende que o universo é autocontido, que não poderia ser nem criado, nem destruído. Ele simplesmente seria. “Que lugar haveria, então, para um criador?”, indaga.


A assinatura por trás da natureza

Qual seria a identidade do designer? “Por meio de métodos científicos não podemos, de forma honesta, tirar alguma conclusão. A teoria do design inteligente não se compromete em relação à identidade do designer, pois a ciência não tem ferramentas para descobrir isso”, diz Marcos Eberlin.

Porém, os defensores da TDI, mesmo sendo cientistas, têm ou não suas crenças pessoais. “Alguns são agnósticos e não querem se comprometer, outros são espíritas e acham que se trata de um espírito evoluído. Outros acham que o autor é o grande arquiteto do universo, e alguns consideram que são deuses ou extraterrestres, mas a grande maioria acha que é Deus, como eu acho que é. Sem dúvida, quando a boa ciência se alia à filosofia e à teologia, elas apontam para o Deus bíblico, o candidato mais viável ao posto de designer inteligente. Por isso a TDI é tão odiada, porque, como boa ciência, aponta para uma mente inteligente”, ressalta Eberlin.

O universo e a criação têm apenas uma assinatura. “Veja a assinatura no DNA, que mostra claramente a presença de uma mente inteligente, que criou as estratégias químicas utilizadas na codificação, na otimização do RNA para o DNA, na substituição do açúcar, na escolha dos 20 aminoácidos que formam a vida, das proteínas. Da mesma forma, o planeta Terra com seu campo magnético nos protegendo das tempestades solares, a camada de ozônio criando uma proteção dos raios ultravioleta. São inúmeras as assinaturas, sinais indiscutíveis do design inteligente que encontramos no universo e na vida”, avalia.


“Darwin, o homem que matou Deus”

O design inteligente tem profundas implicações filosóficas, religiosas e teológicas, assim como a evolução, que teve e ainda tem. “Darwin foi o homem que matou Deus. A evolução tirou o homem do papel central da criação, nos fez meros animais e provou que não há nada além da matéria no universo. Para o evolucionista, o destino final da nossa civilização é a aniquilação, seremos extintos e substituídos por outra espécie”, analisa Marcos Eberlin.

A TDI também tem suas implicações filosóficas e teológicas. “Se o design inteligente aponta para Deus e diz que fomos criados com um propósito, qual o problema? A TDI é ciência na sua mais pura essência e é mais livre que o naturalismo porque não faz pacto com nenhuma cosmovisão. Ela procura a verdade, que coloca as opções disponíveis sobre a mesa e as confronta, fazendo a melhor inferência. É uma ciência livre, sem preconceitos e sem predefinições, que coloca a evolução frente a frente com o design inteligente”, diz Eberlin.

Fonte: O tempo

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