sábado, 7 de outubro de 2017

Nobel de Química 2017 vai para microscópio que permitiu análise do vírus da zika

Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson são os vencedores do Prêmio Nobel de Química 2017
Depois da premiação do Nobel de Medicina e de Física, chegou a vez, nesta quarta-feira (4) dos pesquisadores Jacques Dubochet, Joachim Frank e Richard Henderson serem condecorados com o prêmio Nobel de Química pelos seus estudos com microscopia – uma técnica que melhora e simplifica a visualização de moléculas.

"Este método coloca a bioquímica em uma nova era. Pesquisadores agora vão poder congelar biomoléculas no meio de seus movimentos e visualizar processos que nunca foram vistos antes, o que é decisivo para o entendimento da vida e para o desenvolvimento de remédios", explicou a Academia Real Sueca de Ciências após anunciar os vencedores do Nobel de Química.

O método permite que os cientistas parem as moléculas no meio do seu processo orgânico e entendam o que está ocorrendo dentro dela. Essa técnica foi desenvolvida em 2013 pelos três pesquisadores e foi utilizada para visualizar as estruturas presentes no vírus da zika, coisa que não seria possível com outras tecnologias. O mesmo processo foi usado para observar a resistência bacteriana quando as células não respondem aos antibióticos de maneira suficiente.

Entenda a técnica que levou o Nobel de Química

Nas aulas de química do ensino médio, tudo são bolinhas. As proteínas são como colares de contas microscópicos, em que cada miçanga é um aminoácido. Os carboidratos têm um carbono ali, cinza, um oxigênio aqui, vermelho. Até a água vira LEGO: uma molécula pequena e gordinha, feita por três círculos encaixáveis.

Acontece que essas são só representações. Da mesma maneira que os mapas de metrô reduzem cidades caóticas a linhas retas e cores primárias, os livros didáticos transformam biomoléculas — os compostos químicos da matéria viva — em formas geométricas mais fáceis de entender.

Isso deixa uma pergunta no ar: o que nós veríamos se existisse um microscópio capaz de ‘tirar fotos’ de uma molécula de proteína ou carboidrato? Afinal, se um túnel de metrô real não é uma linha colorida, mas sim uma caverna de concreto longa e úmida, não há motivos para acreditar que as biomoléculas dos livros sejam iguais às reais.

Bem, em 1990 essa ainda era uma pergunta mais ou menos sem resposta. Já se conhecia bem o corpo humano e sua bioquímica, mas era muito difícil observá-lo em escalas tão pequenas. Foi aí que o suíço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank e o britânico Richard Henderson criaram um método chamado crio-microscopia eletrônica – que lhes rendeu o Nobel de Química de 2017.

O nome é feio que dói, mas a técnica é valiosa: graças a ela, médicos puderam dar closes em coisas como o vírus da zika – para então analisar sua estrutura e criar novos remédios para combatê-lo (na imagem abaixo, c). Também foi possível observar de perto as proteínas que governam os ritmos circadianos, e entender nosso relógio biológico (a). Outra opção é dar uma olhada nos sensores de pressão minúsculos que existem no interior dos nossos ouvidos (b). 

Essas são só algumas das portas que a técnica abriu. Segundo o anúncio oficial do prêmio, mais de mil estruturas orgânicas antes invisíveis ganharam ‘retratos falados’ em HD após a invenção da crio-microscopia eletrônica.  


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