quarta-feira, 17 de maio de 2017

Mackenzie cria centro que questiona a evolução

Universidade  realmente plural
[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] A Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das mais tradicionais de São Paulo, acaba de inaugurar um núcleo de ciência, fé e sociedade que tem como um de seus objetivos a realização de pesquisas sobre a chamada teoria do DI (Design Inteligente). Os defensores do DI, cujas ideias são rejeitadas pela maioria da comunidade científica, argumentam que os seres vivos são tão complexos que ao menos parte de suas estruturas só poderia ter sido projetada deliberadamente por algum tipo de inteligência. O novo centro recebeu o nome de Núcleo Discovery-Mackenzie, por causa da parceria entre a universidade brasileira e o Discovery Institute, nos EUA. A instituição americana está entre os principais promotores da causa do DI e já sofreu derrotas judiciais em seu país por defender que a ideia fosse ensinada em escolas públicas em paralelo com a teoria da evolução, hoje a explicação mais consolidada sobre a diversidade da vida [note a confusão: tanto criacionistas quando teóricos do DI admitem que exista “diversidade da vida” como fruto de diversificação de baixo nível, que alguns também chamam de “evolução”; a matéria da Folha muda de assunto, deixando claro que o repórter não está bem inteirado do assunto de que está tratando. O desafio do DI à evolução consiste em questionar a insuficiência dos mecanismos evolutivos para explicar a origem de sistemas complexos interdependentes e dependentes de muita informação complexa e específica, coisa que realmente a teoria da evolução não explica – nem a matéria da Folha.]

Tribunais dos EUA consideraram que o DI seria, na essência, muito semelhante ao criacionismo bíblico (a ideia de que Deus criou diretamente o homem e os demais seres vivos) e, portanto, seu ensino violaria a separação legal entre religião e Estado no país [o que é uma tremenda forçação de barra, já que o DI nem se ocupa da natureza do Designer, por entender que esse assunto extrapola a capacidade de pesquisa dos cientistas. A TDI apenas identifica evidências de um design na natureza, mais ou menos como fazem os cientistas forenses, por exemplo. Há entre os defensores do DI até ateus e agnósticos. O próprio Michael Behe (que esteve na Mackenzie) não é criacionista. Dizer que DI é um tipo de criacionismo trata-se de má-fé das autoridades norte-americanas e do autor da matéria da Folha, na tentativa de evitar a discussão e blindar o evolucionismo].

“É importante destacar que não é um núcleo de DI, e sim um núcleo de fé, ciência e sociedade”, declarou à Folha o teólogo e pastor presbiteriano Davi Charles Gomes, chanceler da universidade. “Nossa instituição é confessional, o que significa que ela tem uma visão segundo a qual o mundo tem um significado transcendente. E não existe ciência que, no fundo, não reflita também sobre coisas transcendentes.”

Segundo Gomes, o contato com o Discovery Institute já acontece desde a década passada, quando a universidade começou a organizar o ciclo de simpósios “Darwinismo Hoje”, trazendo biólogos defensores da teoria da evolução e palestrantes que questionam o consenso científico. “Visitei o Discovery em Seattle e descobri que eles aplicam a ideia de design inteligente e complexidade irredutível a uma série de questões que vão além dos seres vivos, como sistemas de trânsito.” [A Mackenzie está de parabéns, pois está fazendo o que todas as ditas universidades deveriam estar fazendo: dando voz e vez ao contraditório, permitindo que haja discussão aberta e plural, oportunizando aos alunos a chance de ter contato com várias facetas da discussão sobre a origem e o desenvolvimento da vida. Palestrantes evolucionistas têm livre acesso aos eventos da Mackenzie. Por que o mesmo não ocorre com os pesquisadores criacionistas e do DI em todas as universidades não confessionais? Algumas até lhes fecham as portas. Confira aqui e aqui.]

“Complexidade irredutível” é uma das palavras de ordem dos defensores do DI. O termo costuma ser aplicado a estruturas biológicas que, em geral, têm escala celular ou molecular e apresentariam organização tão intrincada que não poderiam ter surgido de forma gradual e não guiada, contrariando, portanto, o que diz a teoria da evolução. O grande exemplo seria o flagelo (grosso modo, “cauda”) de certas bactérias. Embora biólogos já tenham apresentado indícios fortes de que o flagelo bacteriano poderia ter sido construído a partir de peças de “seringas moleculares” usadas pelos micróbios para injetar toxinas, os adeptos do DI resistem à ideia. “Quanto mais a gente estuda o flagelo, mais complexo ele fica”, argumenta o químico Marcos Eberlin, pesquisador da Unicamp que coordenará o núcleo e é presidente executivo da Sociedade Brasileira do Design Inteligente. [Depois de mais de vinte anos que Behe publicou seu livro A Caixa Preta de Darwin, com seu desafio bioquímico à teoria da evolução, tudo o que os evolucionistas têm a oferecer são “indícios fortes”?]

Eberlin afirma que seu objetivo é promover a “avaliação crítica das duas possibilidades” (teoria da evolução e DI), um debate que, segundo ele, estaria sendo barrado pela maior parte da comunidade científica. “O problema é que a academia fechou a questão e não abre brecha para nenhum debate: só existe matéria, energia e espaço no Universo e acabou. Não é assim, os debates é que tornam a ciência divertida”, diz.

Grande parte dos defensores do DI são cristãos conservadores, interessados em mostrar uma possível consonância entre os dados biológicos e o relato bíblico da Criação, mas Eberlin afirma que o movimento não impõe uma linha religiosa ou filosófica única. “Tem gente que acha que o design vem dos ETs, outros falam de um Grande Arquiteto do Universo, como os maçons, ou um espírito evoluído, como os espíritas.”

Para especialistas [e os pesquisadores do DI não são especialistas?], o projeto tem sabor de fracasso. “É triste e extremamente preocupante”, diz o paleontólogo Mario Alberto Cozzuol, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “As premissas do DI foram derrubadas e expostas já faz muito tempo. Seus proponentes não têm aportado nenhuma novidade para a discussão. O único motivo pelo qual isso continua atraindo gente é a falta de educação em ciências.” [Para mim, o projeto deixa na boca dos evolucionistas um sabor de desespero e medo. Eles não suportam a ideia de a academia se abrir para o diálogo ou de ver o evolucionismo ser contestado em bases científicas.]

“Sabendo que o Mackenzie tem um curso de biologia que não compartilha, ou não compartilhava, das ideias do DI, pode haver choque de interesses. De qualquer forma, o peso simbólico é grande”, afirma o teólogo Eduardo Rodrigues da Cruz, especialista na relação entre ciência e religião da PUC-SP. “Considero que se trata de uma tremenda desonestidade intelectual”, diz Maria Cátira Bortolini, geneticista da UFRGS. “As evidências, fatos, provas pouco importam – o que importa é a narrativa, construída de forma que se coadune com a ideologia ou a crença do sujeito.” [Desonestidade intelectual é uma instituição de ensino proibir seus alunos de saber que existem outros modelos que estudam o assunto das origens, e que o evolucionismo tem, também, aspectos filosóficos/metafísicos. Desonestidade intelectual é não querer ver que a TDI não se baseia em livros religiosos nem em crenças subjetivas. Desonestidade intelectual é não apresentar argumentos e ficar no mi, mi, mi.]

Fonte: Folha.com via criacionismo

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