quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O “Argumento” de Escape “Fora do Contexto”

O “fora de contexto” na maioria dos casos configura um escape para invalidar e desacreditar argumentos válidos.
Um dos recursos mais utilizados em debates é o pseudoargumento insinuando a ocorrência de uma citação fora de contexto (quote mining). Se trata de um recurso sofístico com finalidade escusa que será demonstrado aqui.

Um dos casos mais famosos sobre uma suposta citação fora do contexto é a de Stephen J. Gould:

“[...] a ausência de evidência fóssil para os estágios intermediários entre as principais transições em design orgânico, na verdade, a nossa incapacidade, até mesmo em nossa imaginação, de construir intermediários funcionais em muitos casos, tem sido um problema persistente e incômodo para as explicações gradualistas de evolução.” [1]

O que se está sendo exposto (intenção real):

a) que o autor faz uma confissão de algo óbvio, que é negado sistematicamente.

O que será insinuado sobre a intenção de quem cita (espantalhos):

b) quer demonstrar que o autor nega sua crença na evolução;
c) quer demonstrar que toda a teoria foi demolida com a confissão;
d) quer demonstrar que autor apoia nossa perspectiva.

Essas insinuações são usadas para contornar a situação de forma que a simples resposta do autor – dizendo que suporta a teoria [b], que a teoria pode ocorrer de outra forma [c] e que não concorda com a nossa perspectiva [d] – encerre o caso e prove que a citação foi uma desonestidade e uma fraqueza [a]. Nesse caso específico realmente há uma proposta do autor, o equilíbrio pontuado, que também é usado pra justificar essa exposição, como se ele quisesse reforçar os problemas do gradualismo para dar ênfase à sua solução. Mas a questão recaí sobre o que vinha sendo negado sistematicamente com forte resistência e foi confessado nesse excerto, a questão é clara e precisa: “ausência de evidência de registro fóssil para os estágios intermediários entre as principais transições em design orgânico“, e ele diz abertamente, não há o que se “refutar”, nenhuma resposta dele reverte essa confissão.

Mas nesse ponto já foram ditas tantas palavras para indução que a questão central está submersa. Ainda há outra estratégia principal sem a qual eles não conseguiriam induzir ninguém: a claque (aplausos), que é a estratégia de agir em bandos com outros ativistas curtindo e concordando mutuamente seus comentários e do ativista que argumenta.

Uma nova modalidade

Um belo dia uma citação que eu fiz foi alçada como “distorção”, “tirada de contexto”. Eu postei:

“Os biólogos têm que se lembrar constantemente que o que eles observam não foi criado, mas, em vez disso, evoluiu.”(Crick, F., What mad pursuit: a Personal View of Scientific Discovery, Sloan Foundation Science, London, 1988, p. 138).
Um indivíduo tomou o texto, afirmou distorção, que estava fora do contexto (e olhe que a sentença é uma frase completa de sentido) e se satisfez em expor o excerto onde ela aparece:

0 que é encontrado na biologia são mecanismos, mecanismos construídos com componentes químicos e que muitas vezes são modificados por outros, mais tarde, os mecanismos adicionados aos anteriores. Enquanto a Navalha de Occam é uma ferramenta útil nas ciências físicas, ela pode ser muito perigosa ao implementar na biologia. Assim, é muito raso usar simplicidade e elegância como rum guia na pesquisa biológica. Enquanto DNA poderia ser reivindicado a ser ao mesmo tempo simples e elegante, deve ser lembrado que o DNA quase certamente originou bastante perto da origem da vida, quando as coisas eram necessariamente simples ou eles não teriam  conseguido partir. Biólogos devem constantemente ter em mente que o que veem não foi projetado, mas evoluído. Pode-se pensar, portanto, que argumentos evolucionistas iriam desempenhar um papel importante na orientação da investigação biológica, mas isso está longe de ser o caso. É difícil o suficiente estudar o que está acontecendo agora. Para descobrir exatamente o que aconteceu na evolução é ainda mais difícil. Assim conquistas evolutivas podem ser usadas como sugestões para sugerir possíveis linhas de pesquisa, mas é altamente perigoso para confiar-lhes muito. E muito fácil de fazer inferências equivocadas, a menos que o processo envolvido já seja muito bem compreendido.

A tradução é de baixa qualidade e as marcações foram feitas pelo indivíduo. O que ele tenta insinuar é que houve distorção, que a sentença foi tirada de contexto. Ele provavelmente nem sabe do que está falando, não tem noção que a expressão configura uma prescrição metodológica injustificável (prescrições com resultado a priori são injustificáveis). Inclusive, há mais de uma no excerto, sendo útil apenas a que cita a Navalha de Occam (ela realmente não se aplica na biologia da forma como se aplica nas ciências físicas).

Ao estabelecer o resultado da pesquisa a priori baseado em um deve ser Crick restringe os resultados possíveis, descaracteriza a Ciência em sua essência empírica. Não existe contexto que justifique essa asserção metafísica. A nova modalidade se dá em que o indivíduo traz sentenças anteriores e posteriores como suficientes para salvar a asserção, quando é impossível se justificar tal dogma absoluto senão em uma religião. Na verdade parece uma prática recorrente do indivíduo por apenas identificar que os autores acreditam no processo evolutivo. O excerto na verdade apenas expôs mais artigos de fé e mais prescrições de como a natureza deve ser e se comportar, como: “deve ser lembrado que o DNA quase certamente originou bastante perto da origem da vida …”, onde quase certamente indica que não há outra possibilidade que esteja longe disso, apesar do total desconhecimento sobre o caso.

Na realidade o que se deseja demostrar é só, e tão somente, que mesmo com toda delicadeza, ao expressar descrição pura, é impossível escapar de reconhecer a realidade dos fatos.

[a] Comentário

(…) Este problema resultou em várias tentativas malogradas de salvar a teoria de Darwin da inexistência de evidência fóssil confirmadora. Darwin tentou salvá-la afirmando que o registro geológico era “imperfeito”, e que os organismos transicionais simplesmente não puderam ser fossilizados. Gould reconheceu que o argumento de “imperfeição” do registro geológico é fraco, e que “persiste como a saída favorita da maioria dos paleontólogos do embaraço de um registro que parece mostrar diretamente tão pouco de evolução.”[1] Eventualmente, os biólogos foram “forçados” a aceitar que os saltos entre as espécies no registro fóssil eram eventos verdadeiros e não artefatos de um registro fóssil imperfeito. É importante destacar aqui uma questão retórica importante. Durante os debates, alguns darwinistas elaboram argumentos e descartam a evidência contrária, de modo que é logicamente impossível desafiar a teoria de algum modo significante. Por esta razão, muitos darwinistas vivem pela regra auto-indulgente de que, se alguém citar um autor evolucionista neodarwinista criticando a evolução neodarwinista, aquela pessoa é culpada de “citar fora do contexto”. O tratamento comum dispensado pelos darwinistas àqueles acusados de “citarem fora do contexto” levaria alguém a pensar que o acusado violou a Convenção de Genebra ou cometeu um hediondo crime inafiançável. Mas as alegações auto-indulgentes dos darwinistas de “citar fora do contexto” são frequentemente mal empregadas. Citar a admissão do oponente de alguém em um julgamento sobre a fraqueza do seu caso não é considerado como sendo um argumento fraco, mas sim evidência forte e altamente confiável.[2] Convém destacar que o cientista acima citado apoiava a evolução neodarwinista e se opunha à TDI. Isso não enfraquece a força de sua admissão, pelo contrário, somente a fortalece.

Referências

[1] Stephen Jay Gould. “Is a new and general theory of evolution emerging?”, Paleobiology, Vol. 6 (1):119-130, 1980.
[2] Ibid. “Evolution’s erratic pace,” Natural History, Vol. 86(5): p. 12-16, Maio, 1977 (ênfase adicionada).
[3] Enézio E de Almeida Filho. Alguns

Fonte: TDI Barsil +

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