sábado, 22 de outubro de 2016

Tassos Lycurgo - Ciência e Fé numa Perspectiva Dialógica



Nota: Apresentação de Tassos Lycurgo na Mesa redonda "Ciência e Fé numa Perspectiva Dialógica" de que participaram com os professores os professores Dr. Marcos Eberlin (UNICAMP), Dr. Tassos Lycurgo (Faith.College | UFRN), Me. Danilo Cortez (IFRN) e Esp. Sandro Dutra (IFRN).

Promoção do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) - Campus Currais Novos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O computador darwinista

Para refletir: Poderia um software funcional de computador evoluir por um meio darwiniano? Não! Então, por que pensar que isso aconteceu no software da vida?

Ferramentas “pré-históricas” feitas por macacos?

Pedras que podem 'lascar' com a evolução
[Meus comentários seguem entre colchetes e no fim da notícia. – MB] Um estudo realizado na Serra da Capivara, no Piauí, pode mudar o modo como arqueólogos e cientistas interpretam as origens da humanidade. Realizada em parceria entre pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da britânica Universidade de Oxford, a pesquisa publicada na Nature nesta quarta-feira (19) mostra que macacos-prego do parque nacional são capazes de criar ferramentas, o que antes imaginava-se que só humanos fariam. Com a descoberta, artefatos encontrados em sítios arqueológicos e considerados como prova de ocupação humana podem ter sido feitos, na verdade, por macacos. Logo no início do estudo, os cientistas citam: “O entendimento do surgimento da tecnologia molda nossa visão das origens da humanidade.” O estudo realizado no Piauí mostrou que macacos-prego da região deliberadamente usam pedras para conseguir frutos, cavar em busca de aranhas ou retirar líquidos com minerais de outras pedras. Quando batem as pedras em busca de líquido, surgem por acaso lâminas de pedra semelhantes aos antigos objetos afiados utilizados como ferramentas pelos primeiros humanos.

“Fiquei bastante atônito. Fiz meu PhD pesquisando sobre ferramentas de pedra feitas por humanos. Aprendi como fazer essas coisas. Estava olhando para o material e parecia que havia sido feito por humanos”, disse Tomos Proffitt, arqueólogo de Oxford e um dos autores do estudo.

Cientistas normalmente utilizam as características de pedras lascadas com arestas afiadas para distinguir ferramentas de humanos de pedras que poderiam ter sido naturalmente quebradas em sítios arqueológicos [olha aí o princípio do design inteligente! Dá para aplicar a um pedaço de pedra, mas não a uma célula...]. A novidade pode provocar uma revisão de muitos achados arqueológicos feitos até então.

Os achados mais velhos do tipo, com datações de 3,3 milhões de anos e encontrados no Quênia, podem ser revistos, segundo pesquisadores envolvidos. O estudo, no entanto, não deve desafiar completamente a história da evolução humana na África, já que muitos dos achados no continente apresentam contexto humano maior nos sítios do que apenas pedras lascadas [na verdade, não pode desafiar muito, ou faria ruir toda uma teoria a respeito da suposta evolução humana].

O pesquisador brasileiro Tiago Falótico, do Instituto de Psicologia da USP, e o colega Eduardo Ottoni, seu supervisor, estudaram por anos o comportamento dos macacos-prego na Serra da Capivara - em julho, identificaram que os macacos usam ferramentas há pelo menos 700 anos. Nos últimos três anos, aprofundaram a pesquisa com a ajuda dos arqueólogos Michael Haslam e Tomos Proffitt, da Universidade de Oxford, além de outros pesquisadores.

As observações dos macacos-prego culminaram em coletas de pedras fragmentadas após o uso delas pelos animais e também em sítios arqueológicos da região – vale lembrar que a Serra da Capivara é um dos locais com maior concentração de sítios pré-históricos do mundo. [Seria coincidência haver macacos ali e haver também ali essa concentração de sítios “pré-históricos”?] Os objetos foram identificados com as mesmas características e formas das ferramentas humanas.

A conclusão dos autores do estudo pode mudar para sempre a arqueologia e a forma como vemos as primeiras civilizações humanas. Os pesquisadores apontam que, sem outras evidências, a produção de pedras lascadas não pode mais ser associada sozinha como sinal de presença de nossos ancestrais em uma determinada área – apesar de muitas das pedras lascadas achadas serem bem mais elaboradas do que as feitas sem intenção por macacos. [Será que foi sem intenção mesmo?]

No entanto, ao menos uma característica segue restrita aos humanos. Embora produzam estas pedras lascadas, os macacos-prego não foram vistos utilizando elas como um elemento cortante. Estes animais da região, no entanto, utilizam outras ferramentas, como varetas e as próprias pedras.

Fonte: UOL Notícias via criacionismo

Nota do blog criacionismo: Quer dizer que ferramentas de pedra lascada podem “lascar” com a evolução humana? Isso é para ver o nível de certeza que há nesse tipo de pesquisa e “descobertas” que dependem de evidências limitadas, mas que, no entanto, são divulgadas na mídia popular como fato. São pedaços de pedra, fragmentos de ossos e muita, mas muita imaginação. Inventam toda uma história (como aquela de que Lucy teria morrido em uma queda de 15 metros, não 16 nem 14). Depois têm que passar a vergonha de ser desmentidos por macacos. Por que não olham para as pirâmides e para a qualidade de certas pinturas rupestres (com representações detalhadas de caçadas e tintas super-resistentes) para imaginar como eram os seres humanos do passado? Isso é que dá interpretar as evidências com lentes evolucionistas/naturalistas. Continuarão “pagando mico”. [MB]

domingo, 16 de outubro de 2016

Cientistas dizem que Deus criou a mão humana em artigo científico

Uma coisa que você não vê muito em trabalhos científicos é Deus. Afinal de contas, se você vai explicar alguma coisa no seu trabalho, espera-se que você apresente uma explicação de verdade, em vez de trapacear e dizer “foi Deus”.

Mas foi basicamente isto que aconteceu no PLoS ONE, um periódico científico “open source”. Um artigo creditando a Deus a biomecânica da mão humana foi publicado.

O PLoS ONE é um periódico de acesso aberto. Dá para ler o artigo inteiro na internet sem pagar um centavo, ou fazer uma assinatura, mesmo uma gratuita. Outras publicações de renome, como a Nature, só apresentam o resumo na internet – o resto tem que ser pago.

Para um artigo ser publicado no PLoS ONE, a exigência é que a ciência dentro dele não esteja errada. Não é verificada a importância ou o mérito da pesquisa. A parte da revisão por pares é feita por voluntários.

No resumo do artigo, pode-se ler (nossa tradução):

“A ligação funcional explícita indica que a característica biomecânica da arquitetura conectiva tendinosa entre músculos e articulas é o projeto do Criador para executar uma multitude de tarefas diárias de uma forma confortável.”

Os autores juram que não queriam dizer “Deus” quando escreveram “Criador”, mas “natureza”:

“Lamentamos ter despertado os debates sobre criacionismo. Nosso estudo não tem relação com o criacionismo. O inglês não é nossa língua nativa. Nossa compreensão da palavra Criador não é a mesma que um falante nativo de inglês espera. Percebemos agora que nós compreendemos errado a palavra Criador. O que queríamos expressar é que a característica biomecânica da arquitetura conectiva tendinosa entre os músculos e articulações é um design próprio da NATUREZA (resultado da evolução) para executar uma variedade de tarefas diárias. Nós vamos mudar a palavra Criador para natureza no manuscrito revisado. Pedimos desculpas por qualquer problema causado por este erro.”


Só que esta mudança não altera o sentido criacionista do texto, que fala em “projeto”. A evolução não é resultado de projeto. Além disso, a explicação deles é de que a mão foi feita para as atividades atuais, uma filosofia chamada finalismo, outra coisa não científica. E já existe um trabalho explicando cientificamente a origem da mão humana.

Ainda não é o último capítulo desta história, mas os editores da PLoS ONE decidiram retratar o artigo, apontando falhas no processo de revisão. A polêmica está criada: o artigo é criacionista ou não? Três ocorrências da palavra “Criador” (assim, com “C” maiúsculo) fazem com que o artigo deixe de ser científico? Alguns cientistas acham que sim, que este palavreado não tem lugar em um artigo científico.

Mas o debate não para no uso da palavra “Criador”. Há o próprio assunto do trabalho, que não é sobre a origem da mão, e acabou passando desapercebido no meio da polêmica. O trabalho visa associar de forma objetiva a forma e o funcionamento da mão, que talvez poderia levar ao desenvolvimento de luvas inteligentes melhoradas e mãos robóticas.

Poderia isso tudo ser o resultado de uma publicação de baixa qualidade? Alguns comentaristas apontam que crucificar a PLoS ONE não é a resposta, uma vez que os grandes periódicos pagos também têm problemas de plágio, fraude e erros que acabam passando pelo processo de revisão por pares e de edição.

O próprio processo de revisão por pares também pode entrar na discussão. A ideia de cientistas não envolvidos com o trabalho original e sem nenhum interesse nos resultados parece boa no papel, mas a realidade é que os revisores têm muitas tarefas para fazer e metas de tempo e trabalho a cumprir. 


Nota deste blog: Por que um cientista não pode concluir que um órgão tão complexo e funcional como a mão é fruto de resultados de um Projetista Inteligente? Porque serão difamados e cairão no descrédito entre colegas naturalistas - que são a maioria na academia. Enfim, quando a evidência de um fato é muito obvia, muitas vezes fica difícil de esconde-las, não é verdade? 
Exemplo clássico de acaso e criação

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Tom Wolfe puxa o gatilho contra a teoria da evolução

No livro The Kingdom of Speech (O Reino da Expressão), o autor Tom Wolfe conta a história da queda épica da evolução.

A evolução darwiniana explica a trivialidade biológica - variedade de bicos de tentilhão e afins -, mas tropeça quando o assunto é inovação ao longo da história da vida. Nenhuma inovação poderia ser mais revolucionária do que a do Homo sapiens que, como diz o biólogo Michael Denton, do Discovery Institute, “apareceu repentinamente nas ricas e frutíferas pastagens da África, no final do pleistoceno”. A característica mais marcante do homem é, por natureza, seu dom de linguagem. Tom Wolfe explica magistralmente nesse seu novo livro que, hoje, o darwinismo leva um tombo épico. A evolução não pode nos explicar muito a respeito da proeminência que nos torna humanos. “Dizer que os animais evoluíram para o homem”, escreveu Wolfe na última página do livro, “seria como dizer que o mármore Carrara evoluiu para David, de Michelangelo.”

A analogia é pesada, mas faz sentido, pois um artista molda seu meio em um ato de “desenho deliberativo”. Wolfe, um dos escritores mais valiosos ainda vivos atualmente, não saiu ao encontro ao Design Inteligente (DI) somente agora. Em declarações anteriores, ele tem mostrado simpatia pelo DI, e tem comparado a perseguição aos cientistas adeptos do DI com a “Inquisição Espanhola” – aqui, referindo-se também à “Inquisição Neo-Darwinista”.
Tom Wolfe, jornalista norte-americano
Mas seu foco é sobre a história de como a evolução, de Darwin a Chomsky, é muito breve na explicação da linguagem. Ele deixa que as implicações desta falem por si mesmas. O significado de expressão vai além de simplesmente podermos nos expressar excepcionalmente como seres humanos - a “distinção principal entre homem e animal” – mas, como aponta Wolfe, é o que nos dá domínio sobre a terra e suas criaturas, e até mesmo mais do que isso: “Em suma, a linguagem, e só ela, tornou-nos ‘bestas humanas’ aptas para conquistar cada centímetro de terra no mundo, subjugar qualquer criatura grande o suficiente para olhar-nos de cima, e comer até a metade da população do mar. E isso, esse poder de conquistar todo o planeta para a nossa própria espécie, é uma pequena conquista do grande poder da linguagem. A grande conquista foi a criação de um eu interno, o ego.”

A partir desse “eu interno”, dotado de curiosidade e desejo, flui a riqueza da civilização - arte, religião, filosofia, literatura, ciência, e muito mais. Quão realmente impressionante poderia ser uma teoria das origens que não lança ao menos uma luz qualquer sobre a origem de tudo isso?

Wolfe molda sua história nos termos de dois pares de rivais ou “dobradinhas” – de um lado, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace e, de outro, os linguistas Noam Chomsky e Daniel Everett. Como em todos os seus livros que eu li, Wolfe mostra-se finamente sintonizado com questões de status, posição e/ou classe social - que em si já explicam muito - não só em moda ou política, mas também na história das ideias. Em ambos os pares de cientistas, um é o valor estabelecido, o homem de posição e prestígio (Darwin, Chomsky), que foi ultrapassado e quase caiu de seu pedestal pelos argumentos do pesquisador de campo de menor prestígio (Wallace, Everett), considerado “papa-moscas”, na frase de Wolfe.

Em 1858, Wallace deixou Darwin em pânico ao ir a público com uma teoria, que Wallace tinha pensado de forma independente, enquanto estava em um desmaio por malária, no outro lado do mundo. O “codescobridor” da evolução por seleção natural veio depois rejeitar o poder, explicativo e abrangente, da sua teoria e a de Darwin.

Wallace mostrou, escreve Wolfe, que “a seleção natural somente pode expandir os poderes de uma criatura até o ponto em que ela obtenha uma vantagem sobre a concorrência, na luta pela existência”. Além do mais, “a seleção natural não pode produzir qualquer órgão” especialmente desenvolvido “que seria inútil a uma criatura [...] ou de tão pouco uso que não remetesse até milhares e milhares de anos abaixo da linha em que a criatura pode tirar vantagem do potencial total do órgão”.

A fala é o exemplo mais óbvio de um poder inexplicável em termos de seleção natural. Apenas um projetista (ou designer) pode enxergar dessa maneira, usando previsão e elaboração de um plano, o que levou Wallace à sua visão de design “protointeligente”, defendendo “o agir de algum outro poder”, ou uma “inteligência superior” - a “inteligência controladora” - na direção, para orientar a evolução. Darwin, por sua vez, foi reduzido a especular de forma absurda sobre a linguagem ser uma extensão do canto dos pássaros...

E a questão foi abandonada até Chomsky, quando este entrou em cena na década de 1950 com sua própria noção de um “órgão de linguagem evoluído” escondido em algum lugar no cérebro, porém ainda não detectado. Conhecido tanto por essa teoria como por sua política “Radical Chique” (famosa frase de Wolfe), Chomsky sentiu seu campo intimidado quando olhou para trás e viu os "papa-moscas" deixarem o ar-condicionado de seus escritórios para investigar línguas ocultas em outras partes do mundo - lugares estes obscuros, inconvenientes, e anti-higiênicos.

A teoria de Chomsky reinou suprema até 2008, quando um “papa-moscas” chamado Daniel Everett, revelou uma linguagem primitiva, a do Pirarrã, um povo da Amazônia que não dispunha de nenhum recurso linguístico desenvolvido, que Chomsky considerava universal. Deveria ser universal se um “órgão evoluído” fosse compartilhado, sendo responsável por toda a fala humana. A conclusão da pesquisa de Everett era que a expressão não é um produto da evolução; era, na verdade, um “artefato” de origem humana.

O estudo da linguística foi jogado no caos. O próprio Chomsky, mesmo que tivesse negado a existência de seu rival, foi obrigado a admitir, após dedicar décadas ao seu trabalho, que “a evolução da faculdade da linguagem permanece em grande parte um enigma”: “Em trinta anos, Chomsky tinha avançado, partindo de ‘estruturas neurais específicas, não tão bem compreendidas em sua natureza’ para ‘algum sistema bastante obscuro de pensamento que nós sabemos que está lá, mas que não sabemos muito sobre ele.”
           
Dificilmente entenderemos a linguagem de hoje, o que ela é, e ainda não há nada melhor que a explicação de Aristóteles, que explicou-a como um sistema de “mnemônicos” - uma ajuda para a memória.
           
O livro The Kingdom of Speech é breve, porém maravilhosamente escrito e muitas vezes hilariante. As partes sobre “o cão de Darwin” e a “visita aos Marcianos” de Chomsky (uma fixação de suas palestras), por exemplo, são deliciosos. O papel do prestígio social, não ciência, no registro da persistência de uma ideia é um tema em que ninguém é mais adequado para explorar do que Tom Wolfe. Ele conta como, no próprio Dia de Darwin, “as pessoas começaram a julgar uns aos outros socialmente de acordo com sua crença e não com base na grande descoberta de Darwin”. Como pouca coisa mudou!
           
Wolfe, é verdade, não puxa o gatilho óbvio. Ele suplica modestamente para ser apresentado a Michael Denton. “Se a expressão é um artefato, como é que o homem adquiriu a capacidade de concebê-la e usá-la?” Como o Dr. Denton escreve em seu livro recente, Evolution: Still a Theory in Crisis (Evolução: Uma teoria ainda em crise), “as capacidades intelectuais exaltadas e compartilhadas por homens e mulheres de todas as raças e acessadas somente através da linguagem, provavelmente não eram muito úteis na caça aos mamutes”. Ele escreve:
           
“Um dos aspectos mais curiosos da evolução humana, que dá início a um desafio intrigante e ainda sem resposta à narrativa darwiniana e funcionalista, é o fato de que todos os seres humanos modernos compartilham de todas as mesmas capacidades intelectuais mais elevadas. Isso significa, por incrível que possa parecer, que um cérebro capaz das proezas intelectuais de um Einstein, um Newton ou um Mozart já teria surgido nos nossos últimos ancestrais comuns, há mais de 200.000 anos atrás [sic]. Tais habilidades intelectuais parecem absurdamente poderosas, muito além de ter qualquer utilidade concebível para caçadores ou coletores na savana ancestral e, portanto, também além de qualquer explicação funcionalista.”
           
A linguagem, escreve Denton, o “homólogo de definição de tipo”, é “consistente com uma origem saltacional”. Em outras palavras, parece ter “saltado à existência”, ou “veio a existir repentinamente”, partindo de nenhum modelo primitivo ou animal antes dele.
           
Alfred Wallace, como sempre, apontou o caminho - um poder tal, que passa a existir quando não poderia servir a um propósito evolutivo, só pode ser contabilizado como produto de design. Wolfe prefere deixar-nos “puxar o gatilho” por nós mesmos.

Fonte: David Klinghoffer, Evolution News, 30/8/2016; tradução: Mauricio Mancuzo via criacionismo

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Trio conquista Prêmio Nobel de Química por projeto de máquinas moleculares

Três pesquisadores dividirão o Nobel de Química deste ano: Jean-Pierre Sauvage (Universidade de Estrasburgo, França), Sir J. Fraser Stoddart (Northwestern University, Evanston, Ilinois, EUA) e Bernard L. Feringa (Universidade de Groningen, Holanda) "pela concepção (projeto) e síntese de máquinas moleculares". Eles desenvolveram moléculas com movimentos controláveis, que podem executar uma tarefa quando se fornece energia: um pequeno elevador, músculos artificiais e motores minúsculos. 

O desenvolvimento de computação demonstra como a miniaturização da tecnologia pode levar a uma revolução. Miniaturizar máquinas é levar a Química para uma nova dimensão.

O primeiro passo para uma máquina molecular foi feito por Jean-Pierre Sauvage em 1983, quando ele conseguiu ligar duas moléculas em forma de anel em um conjunto para formar uma cadeia, chamada de catenano. Normalmente, as moléculas são unidas por ligações covalentes fortes, em que os átomos compartilham elétrons, mas nessa cadeia eles foram em vez disso unidos por uma ligação mecânica mais livre. Para que uma máquina seja capaz de executar uma tarefa, deve ser constituída por partes que se movem relativamente uma a outra. Os dois anéis entrelaçados cumprem exatamente esse requisito.

A segunda etapa foi feita por Fraser Stoddart em 1991, quando ele desenvolveu um rotaxano, um anel rosqueado molecular sobre um eixo molecular fino; ele demonstrou que o anel foi capaz de se mover ao longo do eixo. Entre seus desenvolvimentos baseados em rotaxanos estão um elevador molecular, um músculo molecular e um chip de computador baseados em moléculas.

Bernard Feringa foi a primeira pessoa a desenvolver um motor molecular; em 1999 ele recebeu uma lâmina do rotor molecular para girar continuamente no mesmo sentido. Utilizando motores moleculares, ele rodou um cilindro de vidro, que é 10 mil vezes maior do que o motor e também projetou um nanocarro.

Em termos de desenvolvimento, o motor molecular está no mesmo palco que o motor elétrico estava na década de 1830, quando os cientistas exibiam várias manivelas, fiação e rodas, sem saber que eles iriam levar a trens elétricos, máquinas de lavar, ventiladores, processadores de alimentos... As máquinas moleculares vão provavelmente ser utilizadas no desenvolvimento de produtos tais como novos materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia.
Então, parabéns a eles.

Fonte: www.nobelprize.org



Por que esses estudos são considerados um importante avanço científico?

1. Elas foram algumas das primeiras “máquinas inteligentes”

As células dos seres vivos funcionam como motores, recebendo energia e executando funções como transmitir informações, regular temperatura, reparar danos ou fazer órgãos funcionarem. A ideia do trio de cientistas que ganhou o Nobel foi replicar esse trabalho em estruturas sintéticas – as máquinas criadas por eles conseguem, a partir da adição de energia, realizar tarefas, como movimentos controláveis. Assim, esses minúsculos dispositivos podem ser usados para a criação de materiais capazes de se “auto reparar” ou de executar funções sozinhos, por meio de estímulos externos.

2. São 1.000 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo

As máquinas moleculares não podem ser vistas a olho nu. Minúsculos, esses motores, roldanas e correntes são um incrível avanço para a área da nanotecnologia, principalmente na área de biociência e informática. No futuro, invenções feitas a partir dessas máquinas poderão, por exemplo, levar medicamentos a pontos específicos do organismo.

3. Funcionam como peças que poderão fazer parte de sofisticados nanorobôs

“Em termos de desenvolvimento, o motor molecular está no mesmo estágio em que o motor elétrico estava em 1830, quando os cientistas exibiam diversas rodas e manivelas sem saber que elas levariam a trens elétricos, máquinas de lavar, ventiladores e processadores de alimentos. Máquinas moleculares serão provavelmente utilizadas no desenvolvimento de novos materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia”, afirma o comunicado da Academia Real de Ciências da Suécia.

4. Seu impacto pode ser comparado à invenção do microchip

Segundo comunicado da Academia Real de Ciências da Suécia, “os laureados deste ano miniaturizaram máquinas e conduziram a química a uma nova dimensão”. A criação de uma estrutura em dimensões reduzidas, o microchip, revolucionou a comunicação em todo o globo. Segundo o comitê do Nobel, as pequenas máquinas criadas por Sauvage, Stoddart e Feringa, apesar de ainda estarem em estágio inicial, poderão também promover imensas transformações na tecnologia.

5. Elas poderão revolucionar a medicina e informática

Em entrevista após o anúncio do prêmio, Feringa sugeriu ao comitê do Nobel que as máquinas moleculares podem ser usadas como nano robôs que entregarão medicamentos para células com câncer ou na criação de novos materiais inteligentes que consigam se adaptar ou mudar de acordo com o ambiente.

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