quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A "mágica" da evolução biológica

No artigo Nasce a evolução biológica, publicado na Folha de São Paulo, em 02/02/2014, Salvador Nogueira iniciou assim o artigo:

“Mais um dos mistérios que cercam a origem da vida parece ter sido decifrado por um quarteto de cientistas na Alemanha. Eles basicamente descobriram como a evolução pode ter recebido o pontapé inicial da natureza, sem nenhuma ajuda externa.

Talvez surpreenda, sobretudo para aqueles que se apegam a expressões “curinga” como “complexidade irredutível” para se esquivar do problema científico do surgimento da vida, o fato de a solução encontrada pelos pesquisadores — e testada em laboratório — ser de uma simplicidade franciscana.”

A pesquisa em questão Heat flux across an open pore enables the continuous replication and selection of oligonucleotides towards increasing length, de Moritz Kreysing et al foi publicada na Nature Chemistry.

Quase parei de ler o artigo do Salvador Nogueira depois desses dois parágrafos: um jornalista científico falando em “mistérios”, que a evolução não precisa de ajuda externa, e que os defensores do Design Inteligente se apegam à “complexidade irredutível” como “curinga” para se esquivarem do problema científico da origem da vida. A primeira é que em ciência não se fala de mistérios, a segunda é afirmar que a evolução não pode ser dirigida é beirar a onisciente, e nada mais falso sobre a última: nós do Design Inteligente entendemos a complexidade da questão – o status quo das pesquisas sobre a origem da vida está carente de evidências e pródiga de especulações e pesquisas tentando comprovar esses “mistérios” sobre a origem da vida: nada de “mágica”.


Será que a evolução pode ter recebido o pontapé inicial da natureza, sem nenhuma ajuda externa? Será que a origem da vida é coisa muito simples e falta muito pouco para entendermos a coisa toda? Será que estamos quase lá? Os microporos quentes seriam realmente os mecanismos para a formação dos precursores da vida – a replicação do DNA?

O experimento foi elaborado para imitar os microporos de rochas quentes em um suposto ambiente da Terra primitiva há bilhões de anos atrás. O que vimos, e reitero o que expressei no blog do Salvador Nogueira – o experimento, sem querer querendo, demonstrou – processos estritamente naturalistas não são capazes de ter originado a primeira vida, antes, como nos demais casos de experimentos sobre a origem da vida – é imperativo ter uma mente por detrás de todo o processo.

Os pesquisadores imitaram esses microporos usando tubos de vidro microcapilares. Para esta hipótese funcionar, o microporo deve estar quente em uma extremidade e frio na outra. Quando uma das extremidades foi aquecida, os pesquisadores permitiram que água com fragmentos de DNA dissolvidos, de tamanhos variados, gotejassem através desses tubos de vidro microcapilares. Os fragmentos maiores de DNA foram os que começaram a replicar usando o gradiente de água quente e fria. Interessante, isso parece muito com uma técnica usada em biologia - a reação em cadeia de polimerase (Polymerase Chain Reaction, em inglês), que multiplica a fita de DNA. Esta técnica passa por ciclos de aquecimento e esfriamento para copiar os filamentos de nucleotídeos com as bases fornecidas. À medida que os ciclos ocorrem, altas concentrações de cadeias de um específico nucleotídeo se formam.

A “coisa muito simples” e o “falta muito pouco para entendermos a coisa toda” não é tão simples assim, e falta muito para compreendermos o que pode ter originado a vida: um dos maiores mistérios científicos insolúvel até aqui. Para os que defendem a visão de algum tipo de nucleotídeo primeiro para a origem da vida, é mister lembrar que existem vários requisitos para que esta pré vida ocorra na Terra primitiva. Primeiro, é preciso grandes concentrações de bases, substratos para a formação de cadeias de nucleotídeos (para agir como catalizador), e que as bases estejam organizadas em uma ordem funcional específica. Além disso, e o mais importante dos que querem explicar a origem da vida por processos estritamente naturalistas – é que isso teria de ser um processo não dirigido, irracional, cego e aleatório. Não foi o caso do experimento: tinha mente por detrás do experimento guiado e controlado.

Perguntas que devem ser feitas sobre esta pesquisa/experimento – ela preencheu os requisitos acima? Os pesquisadores forneceram altas concentrações de bases livres, mas de onde elas vieram na água da Terra primitiva? Antes da replicação, é preciso que filamentos de DNA existam. De onde eles vieram na Terra primitiva, e por que já estavam formados? Além disso, é preciso pressupor a existência de outras formações moleculares nesta Terra primitiva, muitas delas teriam que ser moléculas muito reativas, destruindo os filamentos de DNA desprotegidos.

O que parece ser uma simplicidade franciscana é, na verdade, extremamente complexo. Até onde sabemos cientificamente, nenhuma lei natural especifica as sequências significativas de nucleotídeos. Muito menos a aleatoriedade cria sequências funcionais de informação. Como que este hipotetizado gradiente frio/calor de replicação se acoplou em um sistema de replicação baseado em proteína? Por que DNA se replicaria para formar a vida? Por que um processo não guiado, irracional, cego e aleatório criaria a vida a partir do DNA?

Quando afirmei que o experimento é design inteligente em ação, é porque os pesquisadores tinham um objetivo em mente: demonstrar a hipótese de uma técnica natural tipo reação em cadeia de polimerase através de um aparato intencional e inteligentemente planejado para tal! Só que tudo, do começo ao fim, foi um processo iniciado e verificado por mentes. E mentes brilhantes que gastaram muitos anos de pesquisas focalizadas para chegar a um sistema como esse. Intrinsecamente, o que fica patente é que este experimento demonstra que mentes, em vez de evolução química não dirigida, aleatória e cega, estavam agindo. Por isso afirmei, design inteligente em ação e diante de nossos olhos!

Embora interessante, a pesquisa mostra mais uma vez a fraqueza epistêmica das explicações estritamente naturalistas, pois a elaboração intencional da hipótese e do aparelho objetivando um fim específico demonstra que a mais plausível explicação para a primeira vida na Terra é o design inteligente.



Fonte: Desafiando a Nomenklatura Científica

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