terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Ausência de evidencia não é evidência de ausência

A frase: “ausência de evidencia não é evidência de ausência” é correta em alguns casos, mas não pode ser generalizada. Na física teórica existem entidades postuladas para as quais ainda não existem evidência, mas ninguém afirma dogmaticamente que elas não existam. A frase se aplica a essa situação, pois com certeza há boas razões lógicas para se acreditar em tais entidades.

Analise a seguinte ilustração:

Existem casos em que a ausência de evidência é evidência de ausência. Se alguém afirmar que existe um hipopótamo na garagem do meu prédio, e eu descer até lá e não observar um hipopótamo entre os carros, teria uma boa e justificada razão para pensar que não existe hipopótamo algum ali.

Porém, se a afirmação for que existe um mosquito da dengue na garagem do prédio, então a minha falha em detectar tal mosquito não seria uma boa razão para pensar que de fato não há mosquito algum ali.

Obviamente, você percebeu a diferença entre os dois casos: no primeiro, espera-se ver imediatamente alguma coisa; no segundo, não. O segundo caso dá muito mais trabalho para se confirmar, pois teríamos que explorar meticulosamente a garagem em busca de evidências do mosquito.

Então, a ausência de evidência não é definitivamente evidência de ausência no caso do mosquito, mas é evidência de ausência no caso do hipopótamo. Claro que essa é uma ilustração limitada, não se aplica de modo tão simplório ao caso da existência de Deus, mas serve pra perceber que a frase não pode ser generalizada.

A discussão gira em torno da quantidade de indícios que temos e a quantidade de indícios que esperávamos ter se a tal “coisa” existisse. No caso de Deus, o teísta acha que temos indícios suficientes para crer. O ateu acha que não, e esperava mais e melhores indícios se um ser como Deus realmente existisse.

Temos aqui, no máximo, um ponto a favor da agnosticismo, não do ateísmo (apesar do swing ideológico e da infidelidade partidária que anda rolando entre ateus e agnósticos ultimamente).

Alguns ateus reclamam das evidências que temos, e exigem coisas do tipo:

-“Por que Deus não escreve ‘Eu existo’, em letra de fogo nos céus?”

-“Não seria mais fácil se Deus tivesse escrito ‘Feito por Deus’ em cada átomo?”

-“Deus não teria impedido a descrença se aparecesse todo dia à meia noite com luzes e show pirotécnico no espaço?”

No entanto, e em primeiro lugar, quem disse que Deus quer que as pessoas creiam na sua existência? Pode ser que Deus exista, mas não tenha como prioridade a crença ou descrença humana em sua existência, e por isso tenha dado apenas evidências suficientes para o que se propôs: um relacionamento espiritual.

Na verdade, a Bíblia não apresenta Deus se esforçando para convencer os homens de que Ele existe. Ela mostra Deus tentando estabelecer um relacionamento com o homem, baseado no amor (Rm 8:16 e 17). Claro que esse relacionamento só é possível se a pessoa crê que Deus existe, mas os demônios crêem que Deus existe, e isso não é virtude alguma (Tg 2:19).

Não temos motivos para acreditar que se Deus atendesse às exigências dos ateus, muito mais pessoas teriam um relacionamento de amor com Ele (Lc 16:30 e 31). Na Bíblia, grandes milagres e manifestações de Deus foram seguidas de grande apostasia e rejeição.

Se Deus atendesse hoje à reclamação ateísta, não há garantias de que isso mudaria a situação ao ponto de mais pessoas se salvarem. Por isso, o ateu não pode mais continuar usando frases como: “se um ser como Deus existisse, ele teria tornado sua presença mais evidente”.

Temos evidências lógicas suficientes para crermos em Deus e mantermos um relacionamento com Ele. A maior delas é histórica: a vida e ensino de Jesus Cristo. Sugiro começar por aí.

Fonte: Resumo da Ópera

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