terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Reação ao manifesto do Design Inteligente

Um dado após outro...
Reinaldo José, blogueiro (Darwin e Deus), da  Folha de São Paulo, publicou agora pouco um manifesto de professores e alunos da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), aos quais estão começando a se somar pessoas de outras universidades importantes para redigir e divulgar uma resposta ao manifesto da Sociedade Brasileira do Design Inteligente, grupo este de cientistas e pesquisadores contrários à teoria da evolução, lançado no mês passado.

Quem não teve a oportunidade de ler o Manifesto da TDI, clique aqui. A seguir, confira na integra o manifesto dos defensores da teoria evolucionista.

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"Recentemente ocorreu em Campinas o I Congresso Brasileiro do Design Inteligente. O manifesto do evento admite que a opinião atual da academia ainda não acata, em sua maioria, a teoria do design inteligente (TDI) e o seu ensino. No entanto, o referido manifesto exige que as escolas brasileiras ensinem alegadas deficiências da teoria evolutiva e que informem uma suposta disputa com a TDI. Nosso manifesto de resposta, porém, repudia esses dois posicionamentos e alerta o público que a TDI não pode ser considerada científica.

A TDI não se apresenta como uma alternativa à teoria evolutiva tanto por ela não ser aceita por grande parte da comunidade científica (ver anexo), quanto por não se configurar como uma teoria científica. A ciência é inerentemente limitada a fornecer descrições e/ou explicações naturais sobre o mundo e não se relaciona com alegações sobrenaturais. Por esse motivo, teorias como a do design inteligente são imediatamente descartadas como ciência, pois possuem uma dependência explícita ou implícita a causas sobrenaturais. Além disso, os conceitos elaborados pelos defensores da TDI são demasiado vagos para permitir previsões específicas e alcançar qualquer forma de unificação explicativa. A TDI é inconsistente com diversas áreas da ciência, desde a Geologia de Petróleo (que preconiza em suas previsões a evolução da vida) até as Ciências da Vida. Os proponentes da TDI também se recusam a entrar em detalhes sobre os mecanismos e métodos utilizados pelo designer, e a maior parte da literatura dessa área consiste em argumentos puramente negativos contra a evolução, com o propósito de distorcer a ciência e inserir dúvidas infundadas.

A alegação de que a teoria evolutiva apresenta inconsistências graves é apresentada de forma distorcida no manifesto da TDI Brasil. A controvérsia que existe na teoria evolutiva, e que pode ser apresentada nas escolas, se refere aos debates atuais no pensamento evolutivo, como em relação a formas de herança não genética e ao papel do desenvolvimento embrionário nas mudanças evolutivas. Contudo, nenhuma dessas novidades no corpo teórico invalida a evolução como fato. Teorias são estruturas de ideias que explicam e interpretam fatos. A biologia evolutiva continuamente elabora novas abordagens teóricas, mas essas, ao contrário do que é pronunciado no manifesto da TDI Brasil, acumulam cada vez mais evidências a favor da evolução da vida.

Por isso, a alegada disputa entre TDI e teoria evolutiva não se sustenta e não deve ser apresentada no ensino básico, uma vez que o design inteligente não apresenta aspectos fundamentais de uma teoria científica. As controvérsias constituem aspectos imprescindíveis no conhecimento científico e, portanto, devem ser levadas em conta no seu ensino. No entanto, a inclusão de controvérsias científicas no currículo escolar deve ser criteriosa. Propostas com pouca sustentação na ciência e que não constituem controvérsias genuínas não fazem parte da educação científica, como a chamada Teoria do Design Inteligente, que sequer pode ser considerada como hipótese científica."

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Fonte: Darwin e Deus, da Folha de São Paulo

Nota deste blog: "Ninguém chuta cachorro morto", não é verdade? É notório perceber o incomodo ou preocupação por parte dos defensores da teoria evolucionista. Mas, por outro lado, o objetivo inicial da TDI é este, abrir mais diálogos e debates francos entre os pesquisadores, acima de tudo, levar em pauta as evidencias científicas vigentes, sem paixões dogmáticas de ambas as partes. Particularmente, como membro do comitê científico da TDI e pesquisador e estudioso das Origens, percebo que, em breve, o paradigma evolucionista estará se desfazendo por si mesma. Por que? Porque sei que nada melhor que um dado após o outro. As novas evidências científicas apontam para isso. Aguardemos mais um pouco e veremos este fato acontecer! [Firmo Neto]

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