terça-feira, 2 de dezembro de 2014

"Não desejo que exista um Deus", disse Thomas Nagel, principal filósofo da atualidade

Thomas Nagel - professor de filosofia
Thomas Nagel é um dos principais filósofos vivos. Esta é uma das razões pelas quais suas recentes críticas ao darwinismo terem causado tanto rebuliço. Em seu último livro “Mind and Cosmos: Why the Materialist Neo-Darwinian Conception of Nature Is Almost Certainly Wrong” [Mente e Cosmos: Por que a concepção materialista neodarwiniana da Natureza é quase certamente errado], Nagel argumenta que o materialismo é incapaz de explicar a consciência humana.

A crítica de Nagel é digna de nota, pois ele é um ateu militante. Mas ele é um ateu honesto. Em um trabalho anterior, “The Last Word”, em um capítulo intitulado “Naturalismo evolucionário e o medo da religião”, Nagel faz uma admissão sincera:

"Estou falando de algo muito mais profundo, ou seja, o medo da própria religião. Falo por experiência própria, sendo fortemente sujeito a esse medo: Desejo que o ateísmo seja verdadeiro e fico inquieto que algumas das pessoas mais inteligentes e informadas que conheço sejam crentes religiosas. Não é apenas que eu não acredite em Deus e, naturalmente, espere que esteja certo em minha crença. É que eu espero que Deus não exista! Não quero que haja um Deus; não quero que o Universo seja assim”–The Last Word, 130-31.

Nagel explica que na raiz de sua (e de outros ateus) repulsa visceral ao teísmo está aquilo que ele chama de “o problema da autoridade cósmica” – a rejeição a qualquer responsabilidade para com Deus. Ele continua: “Darwin permitiu à cultura secular moderna soltar um grande suspiro coletivo de alívio, por aparentemente fornecer uma maneira de eliminar propósito, significado e design como características fundamentais do mundo”. Uma vez que muitos materialistas reconhecem que admitir a evidência que aponta para propósito e design é o mesmo que admitir a razoabilidade do teísmo, eles preferem acolher o que Nagel chama de “imperialismo darwinista”.

A franqueza de Nagel é refrescante. Nós raramente lemos uma declaração tão franca e honesta quanto “Eu não quero que exista um Deus”. Ele está admitindo que a sua opinião não é neutra (uma admissão com a qual o apóstolo Paulo teria concordado plenamente – veja Romanos 1). No entanto, nós não temos direito de voto na matéria. Deus existe, quer acreditemos ou não. Ele é um Ser necessário, Aquele que não pode não existir. Encontro-me a orar por esse ateu sincero.

Fonte: Origem e Destino

Um comentário:

  1. Isso é medo de sua insignificância. Esse povo é tão orgulho que preferem acreditar no deus acaso do que no Deus criador, pois considerar um criador é o mesmo que assinar um atestado de insignificância em relação à toda a grandeza da criação. Como fariseus, ganharam autoridade em seu meio e não querem largar por nada seu status quo, dando honra uns aos outros.

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