quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desculpas de quem bebe refrigerante

Fonte: Facebook

As grandes mídias só falam deste assunto

Depois do cancelamento do I Forúm UNICAMP de filosofia e Ciências das Origens, a notícia correu por todo o país em vários meios de comunicação e principalmente nas redes sociais (leia aqui). A repercussão foi tão grande que ontem (29/10) o jornal Destak já trouxe uma nota afirmando que os gestores da instituição querem remarcar uma outra data para o referente forúm acontecer. Veja a matéria completa abaixo:
O cancelamento em cima da hora do 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, que seria realizado na Unicamp no último dia 17 e que propunha o debate sobre o criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin, provocou polêmica nas redes sociais e embate entres palestrantes e professores da instituição. O evento integrava os fóruns permanentes, organizados pela Coordenadoria Geral, e foi cancelado após pressão de um grupo de professores, que alega oportunismo de evangélicos, que buscam credibilidade no meio científico.

Os cinco palestrantes do fórum são ligados ao criacionismo – que, além de negar a teoria de Darwin, busca evidências científicas para desvendar o universo, mas sem contrariar a doutrina bíblica – , e quatro deles têm mestrado e doutorado e são acadêmicos. O quinto convidado tem só mestrado.

Alguns palestrantes concordam que o debate deveria reunir criacionistas e darwnistas, mas esclarecem que caberia à organização ter tomado esse cuidado.

Um dos palestrantes, o físico norte-americano Russel Humphreys, já havia comprado a passagem de avião para o Brasil.

A reitoria informou que o mesmo grupo que organizou, cancelou o evento, mas não esclarece quem é esse grupo e que pró-reitoria responde pelos fóruns.

Docentes da Unasp (Universidade Adventista de São Paulo) e da Unicamp travaram um duelo sobre o cancelamento do fórum nas redes sociais e, ontem, conversaram com a equipe do

O professor de arqueologia da Unasp, Rodrigo Silva, considerou a atitude dos docentes da Unicamp como racismo acadêmico.

“Pela reação, considero uma discriminação, um racismo acadêmico. Professores da Unicamp disseram que os cientistas não podem aceitar o criacionismo. Sou acadêmico, faço o segundo doutorado e sou criacionista e quero debater com darwnistas.”

Já o professor de física da Unicamp, Leandro Tessler, assumiu que procurou a reitoria da universidade para recomendar que não houvesse apoio ao fórum. “Os criacionistas tentam propor debates na universidade para conquistar credibilidade no meio científico”, comentou Tessler. Ele acredita que levar o criacionismo, que não tem base científica, para a instituição seria motivo de piada no ambiente acadêmico.

O Grupo Gestor de Benefícios Sociais informou que o forúm deve ser remarcado.

Fonte: Destak

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Deus fora da Unicamp

 Grupo de ateus impede que evento religioso com especialista dos EUA se realize na universidade e dificulta o debate acadêmico
EMBATE
O arqueólogo Rodrigo Silva (à esq.), um dos palestrantes do evento cancelado,
e o físico Leandro Tessler, que mobilizou acadêmicos contra o Fórum
Marcado para a quinta-feira 17, o “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi cancelado na véspera, sob uma enxurrada de e-mails indignados de professores da própria instituição de ensino, uma das mais respeitadas do País. O motivo? Os cinco convidados a falar sobre filosofia e ciência eram nomes ligados ao “criacionismo científico”, que nega a teoria da evolução de Charles Darwin, mas, ainda assim, busca evidências científicas para desvendar o universo – sem contradizer a existência de Deus ou os preceitos da Bíblia. “Que façam isso numa igreja”, disse o professor de física Leandro Tessler. “É embaraçoso dar credibilidade a esse tipo de doutrina não científica.” Seu blog chamou a atenção de outros professores. A pró-reitoria, que havia dado aval ao evento, recuou. O físico americano Russell Humphreys, convidado internacional, já tinha passagem comprada. Veio então a resposta dos palestrantes.“Fomos boicotados por um grupo de professores ateus”, afirma o professor de arqueologia Rodrigo Silva, da Universidade Adventista de São Paulo (Unasp). “Hoje, quem discorda de Darwin é queimado na fogueira.”

Em nota oficial, a Unicamp justificou o cancelamento dizendo que “faltavam integrantes que pudessem debater o tema sob todos os pontos de vista”. Além de Silva e Humphreys, o fórum também teria a presença de um geólogo, um jornalista e um bioquímico, Marcos Eberlin, o único pertencente aos quadros da Universidade. Após a polêmica, Eberlin escreveu em um blog: “É interessante notar que, em uma universidade pública, pessoas que se autointitulam ‘guardiões do saber’ cancelem palestras”. Outro que reclamou à reitoria, o professor de matemática Samuel Oliveira, negou a “orquestração” de um “lobby ateu” nos bastidores. “Criacionistas não têm formação para falar de ciência”, diz.

A “batalha da fé” em uma faculdade como a Unicamp, reconhecida pela qualidade da pesquisa científica, chama a atenção. Mas esse tipo de conflito não é novidade no meio acadêmico. Em 2008, depois de uma série de reclamações, a Universidade Federal de São Carlos (SP) cancelou uma palestra do físico Adauto Lourenço sobre “criacionismo e teoria da evolução”. Em 2007, o bioquímico americano Fazale Rana esteve na mesma Unicamp para falar de “design inteligente”, linha de pensamento que atribui a um criador a existência da vida na Terra. Professores conseguiram retirar o logo da universidade dos cartazes da palestra de Rana, mas não impediram a conferência.

Fonte: Isto É

Nota: Saiba mais sobre o assunto aqui e aqui.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

NUBEPO na Band FM



Nota: Fui convidado para ser entrevistado na Band FM de Vitória da Conquista - BA nesta última terça-feira (22/10/13). Naquela ocasião falamos de evolução, Design Inteligente e criacionismo - as três principais teorias que tenta explicar a questão das origens.

Durante o programa Band Revista, - programa de maior audiência da emissora -  tivemos várias participações de ouvintes realizando suas perguntas e tirando dúvidas sobre a teoria da evolução e do Desing Inteligente. No final da entrevista tivemos a oportunidade de divulgar o I Simpósio Baiano sobre as origens (www.nubepo.org) que vai acontecer naquela cidade nos dias 15 e 16 de novembro de 2013.

Bem, o legal de tudo isso é que segundo a diretoria da emissora, o programa teve tanta participação e audiência que a direção está agendando a próxima entrevista. [Firmo Neto]

Os cientistas ainda não sabem as origens evolucionárias dos dinossauros...


“As origens evolucionárias do dinossauro, por exemplo, ainda são um mistério. Pesquisadores estão tentando avidamente determinar como que esses reis do período Cretáceo (que se estendeu por 145 a 66 milhões de anos atrás) surgiram de uma linha de dinossauros pequeninos durante o período Jurássico (201 a 145 milhões de anos atrás).”

Fonte: Desafiando a Nomenclatura Científica

Cérebro humano está diminuindo

Para os darwinistas, a evolução dos humanos se deve ao cérebro avantajado. Se não fosse por ele, argumentam, nossos ancestrais ainda estariam usando ferramentas rudimentares para caçar animais. Então, sob esse ponto de vista evolucionista, é de se esperar que o cérebro humano esteja crescendo, certo? Errado. Os cientistas perceberam que, na verdade, o cérebro está ficando cada vez menor . E agora? O que dizem os defensores da teoria da evolução?

Segundo Brian Hare, antropólogo da Universidade de Duke, um cérebro menor pode ser sinal de mais inteligência Ele estuda chimpanzés e bonobos, primatas tidos como “muito similares aos humanos”. Bonobos têm cérebro menor, mas são menos violentos e preferem trabalhar em grupo, enquanto os chimpanzés, na maioria das vezes, só conseguem resolver problemas quando estão sozinhos.

Hare então relacionou esses comportamentos com inteligência e tamanho do cérebro.

O problema é que se torna quase impossível refutar uma teoria cujos defensores são mais lisos que muçum ensaboado. Se o cérebro humano estivesse aumentando de tamanho, os darwinistas diriam sem pestanejar que o ser humano está ficando mais inteligente. Mas, como está diminuindo, eles dizem que o ser humano está ficando mais… inteligente!

Lembre-se de que são os criacionistas que afirmam desde sempre que o ser humano no passado foi mais inteligente, mais forte e maior. Além da maior caixa craniana de nossos ancestrais, as obras arquitetônicas monumentais inigualáveis de civilizações antigas são outro atestado de nossa origem superior.

Fonte: Conexão

domingo, 20 de outubro de 2013

Rádio Brasil FM recebe a diretoria do NUBEPO

Nota: Neste sábado (19/10/13) estivemos na rádio Brasil FM (107,7 FM) em Vitória da Conquista - Ba, divulgando o I Simpósio Baiano sobre as Origens. Fomos convidados pelo pastor Orlando Filho, grande líder de pastores batista daquela cidade que comanda uma das programações de mais audiência desta emissora, chamado de STOP gospel. A programação durou uma hora, durante este tempo estivemos falando do simpósio e também de outros assuntos. [FN]

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Descoberta pode reescrever “história evolutiva humana”

E se em vez de serem todos de espécies diferentes, os diversos homens primitivos cujos fósseis têm sido encontrados ao longo dos anos em diversos locais – Homo habilis, Homo rudolfensins, Homo erectus e outros – fossem todos membros de uma única e mesma espécie de humanos e as suas diferenças físicas apenas refletissem a variabilidade normal entre indivíduos dessa espécie? Os autores de um novo estudo comparativo de crânios fósseis humanos encontrados no Cáucaso, e publicado nesta sexta-feira na revista Science, afirmam que é precisamente isso que os seus resultados sugerem. A peça-chave do trabalho desenvolvido nos últimos oito anos por David Lordkipanidze, director do Museu Nacional da Geórgia, e uma equipe internacional de colegas, é um crânio – designado Crânio 5 – com quase 1,8 milhão de anos [segundo a cronologia evolucionista]. O seu maxilar inferior foi encontrado em 2000 na escavação arqueológica de Dmanisi (a uns 100 quilômetros de Tbilisi, a capital da Geórgia) – e o resto do seu rosto e cabeça em 2005.

“O Crânio 5 é um achado extraordinário”, explicou em coletica de imprensa telefônica a coautora Marcia Ponce de León, da Universidade de Zurique (Suíça). “É o crânio fóssil mais completo de um adulto do gênero Homo. Encontra-se num estado de conservação perfeito [...] e [a segunda peça] foi encontrada cinco anos depois do maxilar a menos de dois metros de distância [da primeira].”

Acontece que o Crânio 5 não era tudo o que os cientistas esperavam, visto o caráter maciço do maxilar previamente desenterrado. Estavam à espera de um crânio de grande tamanho, mas depararam-se, pelo contrário, com uma caixa craniana pequena por cima de um rosto grande, numa combinação de traços morfológicos nunca antes observada num homem primitivo [sic].

Também em Dmanisi foram encontrados, ao longo dos anos, mais quatro crânios (apenas um sem maxilar inferior), algumas ferramentas de pedra e ossos fossilizados de animais – achados que, segundo estudos anteriores, são vestígios deixados por um grupo de humanos que viveu no mesmo sítio ao mesmo tempo. “O tempo que demorou a formação geológica do local foi bastante breve, o que permite concluir que a sedimentação de todos os ossos [de homens primitivos] aconteceu simultaneamente”, explicou Lordkipanidze. “Dmanisi é como uma cápsula do tempo que preservou um ecossistema de 1,8 milhão de anos [idem].”

Os crânios de Dmanisi permitem realizar análises comparativas que até aqui não eram possíveis. E de fato, diante da descoberta do resto do Crânio 5 e da sua anatomia inédita, tornou-se necessário explicar as diferenças físicas patentes entre os cinco crânios humanos daquele sítio paleontológico, que fazem com que alguns deles sejam mais bem classificados como Homo habilis e outros como Homo erectus. Poderiam esses homens primitivos, que ao que tudo indica faziam parte da mesma comunidade, ter pertencido a várias espécies diferentes de humanos? “Sabíamos que vieram do mesmo local e do mesmo período geológico; podiam, portanto, representar uma única população de uma única espécie”, salientou Christoph Zollikofer, outro coautor, também da Universidade de Zurique.

Para determinar qual dessas duas possibilidades – uma ou várias espécies – era a mais provável e, em particular, se era possível que o nível de variação observado naqueles fósseis se verificasse no seio de uma única espécie, os cientistas recorreram a métodos de morfometria 3D computadorizada. Por outro lado, para garantir a compatibilidade dos novos resultados com estudos comparativos anteriores, também aplicaram métodos mais tradicionais de comparação de características morfológicas.

Conclusão: “Nossa análise estatística mostra que os padrões e a magnitude da variabilidade dos crânios de Dmanisi são semelhantes aos das populações de espécies modernas”, disse Zollikofer. “Embora os cinco indivíduos de Dmanisi sejam claramente diferentes uns dos outros, não são mais diferentes entre eles do que cinco humanos modernos ou cinco chimpanzés numa dada população.” Ou seja, “a diversidade no interior de uma espécie é a regra e não a exceção”. Os cientistas decidiram designar essa potencial única espécie pelo nome Homo erectus, por ser a mais bem documentada e consensual de todas as espécies de homens primitivos cujos fósseis se conhecem.

Evidência de simples diversificação, não "evolução"

Os novos resultados poderão ter implicações em termos da classificação das espécies de hominídeos que viviam na África e saíram de lá há cerca de dois milhões de anos [idem], espalhando-se pela Europa e Ásia, especulam os cientistas. “Há duas maneiras de interpretar a diversidade dos hominídeos fósseis”, explicou Zollikofer. “A primeira é que existiu apenas uma linhagem de homens primitivos; a segunda é que houve múltiplas linhagens coexistentes.”

“Se a caixa craniana e a face do Crânio 5 tivessem sido encontradas separadamente em locais diferentes da África, poderiam ter sido atribuídas a duas espécies diferentes”, acrescentou [admissão interessante]. Mas visto que os fósseis de Dmanisi provêm indubitavelmente do mesmo ponto no tempo e no espaço – e que parecem ter todos pertencido a uma única espécie de homens primitivos –, o mesmo poderá ter acontecido na África.

A conclusão não convence todo mundo. Enquanto um paleontólogo citado num artigo jornalístico (também publicado na Science, de autoria de Ann Gibbons) recusa liminarmente a ideia de que todos os fósseis africanos possam ter sido Homo erectus, outro é da opinião de que o Crânio 5 parece um Homo habilis. E um terceiro faz notar que a ideia está tendo o efeito de uma pequena bomba na comunidade dos especialistas.

Fonte: Público

Nota do blog criacionismo: Só para lembrar: os criacionistas vêm dizendo isso há anos, mas quem quis ouvir? Sempre dissemos que os “homos” são simplesmente humanos antigos com a natural variabilidade morfológica que existe entre seres humanos atuais (talvez alguns até com certas deformidades). Mas os evolucionistas, em sua ânsia por criar árvores evolutivas imaginárias, com base em fragmentos de ossos encontrados aqui e acolá, foram capazes de desenvolver toda uma história da “linhagem evolutiva humana” – que pode estar totalmente errada. Já imaginou quanto papel e quanta tinta foram gastos para divulgar a historinha anterior, que era tão "certa"? O que será feito dos livros didáticos, das enciclopédias e - pior - das cabeças que foram doutrinadas educadas com esse conteúdo até então tido como verdadeiro?

O título dado à notícia pela Gazeta do Povo também é interessante: "Crânio de 1,8 milhão de anos sugere que homens vieram de uma única espécie." Isso também é óbvio para o criacionista: viemos de uma mesma espécie, de uma mesma linhagem, de um casal ancestral que viveu no Éden.

Será que em algum momento a hipotética sequência evolutiva do cavalo, por exemplo, reproduzida ad nauseam em livros e mais livros, será reavaliada também? Perceberão, como estão percebendo na história dos "homo", que se trata simplesmente de diversificação de baixo nível, adaptação (ou "microevolução", como dizem alguns), e não ancestralidade?

Fico imaginando quanto ainda pode ser revelado pela pá dos arqueólogos e dos paleontólogos. Os fatos que contradizem o modelo evolucionista só vão se acumulando. Resta saber quando o paradigma vai, finalmente, cair por terra. [Michelson Borges]

Nota do blog Desafiando a Nomenclatura Científica: Quando da descoberta em Dmanisi, Geórgia, eu disse que eles seriam demonstrados como sendo da mesma espécie. Riram de mim! Como é bom ser vindicado por evolucionistas!!!
Pano rápido! Pois não é apenas o um elo perdido, mas toda uma corrente perdida. E o pior de tudo isso é que eles sabem...
Pobre ciência sequestrada pelo naturalismo filosófico que posa como se fosse ciência. Nada mais falso! [Enézio Filho]


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

1º Fórum UNICAMP de Filosofia e Ciências das Origens - EVENTO ALTERNATIVO

Clique na imagem para ampliar!

O fórum cancelado e o preconceito contra criacionistas


 É com grande estranheza que leio os comentários nada éticos ou acadêmicos do professor Leandro Tessler que, pelo visto, deseja ser representante de um setor na Unicamp [comentários a propósito do 1º Fórum Unicamp de Filosofia e Ciências das Origens, que seria realizado nesta quinta-feira]. Recomendo que você leia os comentários dele antes de ler o que escrevo a seguir. A postura de Tessler me lembra a daqueles acadêmicos criticados por Michael Ruse, um eminente especialista em evolucionismo e darwinismo, em seu livro The Evolution-Creation Struggle. Apesar de ser um ferrenho opositor do criacionismo, esse autor deplora a postura acadêmica de monopólio teórico que nega ao outro a oportunidade de se manifestar, fazendo com que apenas Darwin fale, deixando de fora qualquer opinião ou proposta levantada pelo outro lado.

Ruse chega a dizer que existe uma tremenda semelhança entre certos defensores do evolucionismo e o fundamentalismo criacionista a que eles tanto se opõem. Ou seja, ambos se tornam radicais em seu discurso, tratando o outro com pouco ou nenhum respeito e evitando a todo custo que seus seguidores ouçam os argumentos que o outro lado teria a dizer. Isso revela insegurança e preconceito, não um debate racional e equilibrado sobre a questão. E Ruse, compensa repetir, é um respeitado acadêmico evolucionista.

O professor Leandro faz acusações do ponto de vista lógico que simplesmente quebram várias leis do raciocínio correto – pelo menos para quem já estudou filosofia – e beiram a falácias e paralogismos. Ele apela especialmente para o argumento por autoridade e a Petição de Princípio. Resume-se a dizer que o que ele ensina está provado e que o que o outro lado diz é ridículo. Mas não mostra onde está o ridículo das afirmações a que ele se opõe. Pressupõe-nas ridículas porque fogem ao seu senso comum ou ao que ele está acostumado a acreditar. 

Isso, fora o fato de que um acadêmico, seja de que área for, deveria tratar com cuidado e precisão o uso de fontes, mesmo se tratando de um blog não indexado. Afinal, sua autoridade acadêmica pode induzir os leitores ao erro. Neste texto, darei alguns exemplos de sua incongruência argumentativa.

Palavras de indignação do professor Leandro: “Por que a Unicamp empresta seu prestígio a um evento desse tipo, que estaria muito mais apropriadamente sediado em alguma igreja ou associação cristã? [...] Por isso causou-me surpresa que a administração central da Unicamp, uma universidade pública e prestigiada como uma das melhores do Brasil, esteja dando suporte institucional para um evento criacionista que ocorrerá dia 17/10 dentro da série de debates chamados de Fóruns Permanentes. Trata-se do 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens (espero que seja também o último!).” Depois de questionar evento semelhante ocorrido na Universidade Mackenzie, ele conclui: “Universidades confessionais protestantes americanas de primeira linha como Harvard, Princeton ou Yale jamais permitiram que um evento desse tipo ocorresse em suas dependências” (grifo nosso).

A conclusão dele é que esses assuntos deveriam se limitar ao interior de igrejas ou instituições religiosas. Jamais deveriam adentrar os limites de uma universidade como a Unicamp. Será?

Minha resposta: o professor deveria se inteirar melhor disso antes de passar uma visão distorcida a seus alunos e aos leitores de seu blog. Será que “universidades de ponta” não se interessam por assuntos envolvendo Deus, religião e ciência? Ele chega a dar como exemplo uma suposta mancha na reputação da UnB porque sediou um Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais e pelo curso de extensão em Astrologia. Veja, não sou astrólogo, paranormal nem simpatizante dessas correntes, mas devo mostrar que as coisas não são como o professor apresenta.

Que tal, então, esses casos? De 21 a 23 de outubro de 2001, Harvard (a mesma instituição que ele afirmou jamais se prestaria a esse papel) sediou um congresso intitulado “The Harvard Conference on Science and the Spiritual Quest”["A Conferência de Harvard sobre Ciência da busca espiritual"], realizado no campus de Cambridge, MA. Igualmente, a Universidade de Berkeley, na Califórnia, possui um programa acadêmico sobre “busca espiritual” (Spiritual Quest Program SSQ) e um “Center for Theology and the Natural Sciences”. Compensa dar uma olhada na página deles (http://www.ctns.org/ssq/) e ver como Berkeley discorda do professor da Unicamp e leva para o Campus coisas que ele sugere ficarem circunscritas aos limites de uma igreja ou instituição religiosa. William D. Phillips, ganhador do prêmio Nobel de Física, participou de vários eventos do SSQ e afirmou que a espiritualidade e a convicção religiosa mantida por cientistas deveriam ser assuntos mais bem explorados em universidades de renome.

Outro programa de Berkeley em parceria com a prestigiada fundação John Templeton foi o “Science and the Spiritual Quest II” (SSQII), realizado em 2003. E antes dele, em 1988, uma conferência realizada pelo departamento de Física da Universidade de Berkeley reuniu vários especialistas em cosmologia para que eles apresentassem as implicações da espiritualidade em seus trabalhos acadêmicos e a riqueza de se fazer ciência sem deixar de ser religioso. Muitos compareceram como palestrantes, incluindo Allan Sandage, religioso praticante e ganhador do prêmio Gruber de Astronomia.

Yale realizou entre 11 e 14 de maio de 2000 uma conferência intitulada “The God in Nature and Humanity: Connecting Science, Religion and the Natural World”["O Deus na Natureza e Humanidade: Ciência Conexão, Religião e o Mundo Natural"]. O objetivo segundo os coordenadores era encontrar links entre ciência, religião e natureza.

Em 14 e 15 de setembro de 2006, Yale realizou outra conferência envolvendo design inteligente, criacionismo e evolucionismo. O tema geral foi “The Religion and Science Debate: Why Does It Continue?”["A Religião e Ciência Debate: Por que continuar?"]. Outro congresso multidisciplinar realizado também em Yale, em 2000, diretamente ligado ao tema do design, foi o “Science and Evidence for Design in the Universe”. Alguns evolucionistas tentaram alegar que esse congresso não ocorreu sob os auspícios da universidade, mas apenas utilizou indevidamente seu nome. Isso não é verdade. Tanto que o próprio site da universidade fez a propaganda do evento (confira), e a Yale Law School Forum on Cultural and Academic Freedom era uma das coordenadoras.

Mas ainda que fosse como alguns dizem, torna-se curioso dizer que Yale nunca escreveu nenhum parecer oficial desmentindo ou processando os coordenadores pelo uso indevido de seu nome.

Ademais, vários outros congressos de diversos temas e áreas são realizados como esse: sediados por um braço da universidade e vinculados diretamente ao seu nome. Esse é um procedimento normal e quem trabalha em universidades públicas ou privadas sabe como funciona. Creio que esses exemplos são suficientes para mostrar que o dito no blog do professor Leandro simplesmente não procede. Curiosamente, nem Berkeley, Yale ou Harvard tiveram sua reputação manchada por sediar cursos, centros e conferências envolvendo Deus, religião e ciência. Por que a Unicamp ficaria?

O professor também dispara preconceitos contra os palestrantes convidados, ao afirmar: “Como mostrarei a seguir, nenhum dos palestrantes tem um perfil acadêmico compatível com essa universidade, exceto pelo professor Marcos Eberlin, do Instituto de Química da Unicamp, que participará da sessão de abertura.”

Minha resposta: são cinco os palestrantes convidados. Marcos Eberlin, que ele aceita como exceção, é professor da Unicamp e é um deles. Mas o professor Leandro não explica por que Eberlin (que tem o perfil acadêmico da instituição) estaria ali entre os palestrantes de um evento tão “anticientífico”. Outro detalhe: O que ele entende por “perfil acadêmico compatível com essa universidade”? Gostaria que esclarecesse melhor, pois o prof. Humphreys, como ele mesmo admite, tem doutorado em Física – área sobre a qual ele apresentaria sua palestra – e possui “patentes e publicações em periódicos de seletiva política editorial, especialmente na área de instrumentação”.

Leandro se limita a dizer que o professor Nahor é doutor em Geociências, mas não diz que foi pela USP e que ele foi professor na USP e na Unesp por 13 anos! Curioso, serve para a USP, mas não tem o perfil necessário para a Unicamp! Irônico!

Quanto a mim (Rodrigo Silva), ele apenas diz que sou doutor em Teologia e apresentador de programa de TV. Mas não afirma que tenho especialidade em arqueologia (tema de minha palestra), nem que estou vinculado ao MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) da USP, terminando um segundo doutorado em Arqueologia Clássica. Aliás, estou envolvido com professores da USP, Unesp e do Ipen, numa pesquisa de datação por luminescência (área de especialidade do dito professor), cujo artigo sobre um artefato “bíblico” foi aceito para apresentação num congresso internacional a ser realizado em Pernambuco, no fim deste ano.

Curioso que é só clicar no nome de cada autor que o currículo Lattes ou do CNPQ aparece. Mas ele usou as informações que lhe convinha. O Michelson (formado pela UFSC), de fato, é o único que não leciona, mas sua participação seria como jornalista e não como professor universitário. Seu tema também está correlacionado com o que ele trabalha.

Bem, se nenhum dos acadêmicos acima tem perfil para estar na Unicamp palestrando, quem teria? Ademais, ninguém estava se preparando para pregar um “sermão”. As apresentações eram de fundo exclusivamente acadêmico, como se pode ver pelos resumos.

Além disso, quando o professor questiona a “ausência” de artigos indexados defendendo o DI ou o criacionismo, ele parece ignorar o monopólio evolucionista de acadêmicos que, como ele, barram publicações que ofendem a boa reputação de Darwin. Mas isso não é argumento algum. Seria o mesmo de dizer que o protestantismo não possui teologia válida porque não encontramos em periódicos católicos artigos defendendo a doutrina de Lutero!

Veja que o próprio Francis Collins admitiu ter ficado por muitos anos calado em relação à sua fé em Deus, porque sabia que se divulgasse isso antes de terminar suas pesquisas ele seria, por preconceito, retirado do programa de mapeamento do Genoma Humano. Ou, pior ainda, nem teria entrado nele!

Contudo, há sim, exceções razoáveis ao generalizado preconceito, ou seja, artigos contrários ao evolucionismo publicados em revistas indexadas. Veja uma lista parcial deles em http://www.discovery.org/a/2640.

Continuando, o professor ainda destaca: “Debater com eles [os criacionistas e partidários do DI] é perda de tempo, pois não há evidência na Terra (ou no céu!) que os faça rever seu modelo e suas posições, como os cientistas costumam fazer.” Mas, depois, ele mesmo diz: “Infelizmente, o blog não é aberto para comentários, mas eu ia propor que fizéssemos um debate verdadeiro e mais equilibrado em algum templo (não numa univerisdade [sic]): 2 criacionistas e 2 cientistas abordariam evolução e as origens do universo, seguido de um debate.”

Mas é para debater ou não? Fiquei na dúvida do que o professor propõe. E por que na universidade não e na igreja sim? Qual a diferença? Seus alunos não iriam a uma igreja, seria isso? Seu interesse é ganhar adeptos? E mais: Que dicotomia mais preconceituosa é essa? “2 criacionistas e 2 cientistas”? Não seria mais correto – considerando nomes como o do professor e cientista Marcos Erbelin – dizer “2 cientistas criacionistas e 2 cientistas evolucionistas”? Caso contrário, professor Leandro, em que grupo eu deveria colocar o professor Marcos?

Outro detalhe: O que importa é o conteúdo ou o ambiente? Por que debater na igreja e não na universidade?

Concluindo... O professor Leandro escreve com uma arrogância tal que parece supor que ele (ou pelo menos os que concordam com ele) detém a chave do conhecimento acadêmico e o monopólio do saber universitário. Se for assim, gostaria de lembrar ao distinto professor que foi exatamente contra essa postura imperialista e autoritária que a universidade surgiu na Europa, reagindo contra o ditame das Universitas que eram pautadas pelo medievalismo monopolizador do programa Roma Locuta Finita Causa Est (Roma falou, está acabado!). Ou seja, somente o que a Igreja aceitava com válido podia ser ensinado e discutido nas classes, o resto era heresia.

Parece que estamos voltando aos tempos medievais em que antigos bispos, censores e até mesmo inquisidores da teologia são substituídos por neosacerdotes do ateísmo e do evolucionismo, como o professor Leandro. Ele é a voz da ciência; ganhou procuração para isso! Todas as conclusões devem concorrer para os ditames em que ele mesmo acredita. Quem discordar dele está fora do jogo. Como isso me lembra a máxima do passado “extra ecclesiam nulla salus” (fora da igreja não há salvação). E antes que me acusem de anacronismo, é bom argumentar logicamente por que seria um anacronismo e não apenas dizer que é!

Ademais, anoto o agravante de que a Unicamp é uma universidade pública e os recursos que a sustentam e que, inclusive, pagam o salário do professor de Física são justamente oriundos dos impostos de uma maioria teísta que ainda crê em coisas que ele considera banais. E nessa maioria não há apenas gente “leiga”. Há físicos, matemáticos, historiadores, filósofos, etc. que creem na criação ou no design. Se quiser, dou de memória uma lista enorme deles. Gente inclusive com mestrado e doutorado em reconhecidas universidades públicas.

Engraçado, pois já vi todo tipo de reivindicações de alunos em universidades públicas. Muitas legítimas, outras nem tanto. Mas nenhuma parece chocar tanto o professor e seus adeptos quanto o tema de Deus relacionado à ciência. Até a maconha está tendo seus adeptos e conseguindo seu espaço nas discussões da universidade pública, mas Deus ainda tem de ficar de fora.

Veja que contraste: entre 17 e 18 de maio de 2010, ocorreu na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) um simpósio internacional sobre a liberação do uso da Cannabis (nome científico da maconha). Bem, o simpósio tinha como título o uso “medicinal” regulamentado por uma agência brasileira que deveria ainda ser criada. Contudo, deixe-me tecer dois comentários sobre isso: primeiro, tenho certeza de que nem todos os especialistas concordariam com a proposta do evento ou com as conclusões técnicas que muitos participantes defendiam, mesmo assim, o evento foi realizado. Essa é a democracia do saber, pois, embora eu não diga com Nelson Rodrigues que toda a unanimidade é burra, posso, pelo menos, dizer que em muitos momentos a pluralidade de ideias (até mesmo divergentes) pode ser uma fonte de riqueza intelectual. Posições divergentes são sempre bem-vindas ao fórum acadêmico, principalmente se a instituição for pública, isto é, pertencente ao povo que paga seus impostos.

Segundo comentário: erra feio quem pensa que um simpósio como esse da Unifesp ficaria apenas no âmbito científico. A pauta de blogs semelhantes a esse do professor Leandro afirmava ser aquela uma iniciativa a favor dos movimentos antiproibicionistas que lutam pela legalização do consumo de drogas no Brasil. Aliás, como disse numa entrevista a neurocientista Cecília Hedin, que era na época diretora do Instituto de Ciências Biomédicas da URFJ: “É comum o cientista achar que não é seu papel participar desses debates, sem perceber que sua disciplina é, muitas vezes, utilizada para justificar políticas públicas. Muitos se julgam neutros, mas raramente um de nós de fato é.”

Veja, não estou emitindo juízo de valores sobre a questão da maconha, pois esse não é o assunto deste texto. Apenas faço essa comparação para mostrar a postura de contradição de professores intolerantes, como alguns da Unicamp. Maconha pode ser discutida, Deus não! Religião, como o professor Leandro defende, é coisa para ser confinada às igrejas, não à universidade. Ora, se fosse assim, Deus não deveria ser mencionado para nada! Silêncio total. Mas, contradizendo isso, o Criador é muito mencionado nas aulas de professores ateus. Ele é mencionado para ser desacreditado, desmentido, desautorizado. Duvido que o professor Leandro nunca tenha em sala de aula repelido com força o criacionismo diante de seus alunos ou desdenhado do relato do Gênesis. Mas, deixe-me ver se entendi: “Deus e o Universo” não constitui tema para um ambiente universitário. A menos que seja para construir toda uma tese provando para os alunos que tal coisa não existe.

Que estranho comportamento acadêmico. Só deixo que meus alunos tenham acesso ao que eu mesmo creio como sendo verdadeiro. O que os demais dizem eu me limito a invalidar sem provar porque é errado. Isso é retórica acadêmica e não método científico. É muito fácil falar mal dos “outros” sem deixar que eles mesmos apresentem suas razões. Se tudo o que meus alunos souberem dos “outros” se limitar ao que “eu digo dos outros” – e digo como bem entender –, posso levá-los a preconceitos e chauvinismos recheados de argumentação pseudocientífica.

Isso é o que alguns chamam de “advento do marxismo cultural” da ex-URSS, onde professores com cartilhas e dogmas supostamente “comprovados” se infiltram através de concursos em universidades públicas; afirmam que isso e isso é politicamente correto, que isso e isso é cientifico, e o resto é lixo! Então constroem a proposta do que consideram a sociedade perfeita, depois lavam o cérebro dos alunos com toda essa eloquência e, como resultado, criamos uma sociedade desajustada. Perfeitos ignorantes com diploma nas mãos; alunos não reflexivos que se limitam a repetir o que o professor diz, pensando não por si mesmos, mas tornando-se refletores do pensamento alheio.

Como os valores espirituais são coisa que pertence às igrejas, o ensino da ética também fica bastante limitado e o resultado não é nada animador. Um exemplo disso é que, no passado, quebra-quebra como o que vimos nas manifestações recentes seria reputado como “falta de cultura” e “falta de educação”. Agora nos surpreende o elevado número de universitários entre os arruaceiros. Educação é tudo? Estamos cumprindo mesmo nosso papel?

Ora, professor Leandro, ninguém pode rejeitar conscientemente o que não conhece. Se você quiser mesmo que seus alunos rejeitem as propostas não darwinistas da origem do Universo, deveria deixar que eles ouvissem os argumentos e decidissem por si mesmos, e não que repetissem como gravadores as coisas que o senhor mesmo diz em sala de aula – certamente repetindo sem questionar a mesma cartilha que um dia escutou.

Será que seus alunos saberiam dar um exemplo concreto, observável e científico de macroevolução darwinista? Veja, eu disse macroevolução! Por favor, não fique girando em torno de bactérias e amebas que se modificaram com o passar dos anos! Isso eu também aceito, mas não é bem o que o evolucionismo clássico diz, pois a bactéria, ainda que mudada, continua bactéria; a ameba modificada continua ameba. Refiro-me a mudanças de espécie em que o réptil realmente virou pássaro; e um anfíbio virou mamífero terrestre.

Uma parábola para terminar. Imagine que ETs chegassem à Terra daqui a dois mil anos e não encontrassem mais seres vivos no planeta. Eles viriam o avião e analisariam tudo o que ele contém: asas, motor, rádio, trem de pouco, etc. É uma máquina perfeita. Como foi feito? Como surgiu? Ninguém tem uma resposta definitiva, pois não estavam aqui em nosso tempo nem visitaram a fábrica da Embraer ainda em funcionamento.

Então, um grupo, partindo da lógica, deduz que alguém – provavelmente um ser humano inteligente – fez o avião. Mas outro grupo, mais politicamente engajado, prefere negar a existência de “inventores ou fabricantes do avião”, afirmando que ele é fruto do acaso e que não precisamos de fabricantes para justificar sua existência.

“Mas a lógica de sua engenharia supõe um engenheiro”, diz o primeiro grupo. “Ora, isso é pseudociência”, diz o segundo. “Já provamos que o avião é fruto de uma série de mudanças acidentais que geraram essas máquinas que hoje conhecemos.” Prova por prova, nenhum dos grupos têm. Mas creio que a lógica faz supor a primeira opção. Afinal de contas, creio que nem mesmo o professor Leandro aceitaria dizer que a existência do avião dispensa a existência de um fabricante. Ele é muito complexo para ser fruto do acaso!

Mostre-me “cientificamente” – não filosoficamente – a possibilidade de um avião alguma vez ser fruto do acaso cego e eu passarei seriamente a acreditar que o pássaro também pode ser. Até lá! Não chame de científico o que não foi cientificamente provado, nem árvore para si a monopolização do saber. A Idade Média, companheiro, já ficou para trás.

(Rodrigo Silva possui graduação em Teologia pelo Instituto Adventista de Ensino do Nordeste [1992], graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção [1999], mestrado em Teologia Histórica pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus [1996], doutorado em Teologia Bíblica [2001], estudos pós-doutorais com concentração em arqueologia bíblica pela Andrews University, EUA [2008], e atualmente está cursando doutorado em arqueologia clássica pela Universidade de São Paulo. É professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo – Campus Engenheiro Coelho, SP [Unasp], curador do Museu Paulo Bork de Arqueologia do Oriente Médio e apresentador do documentário semanal Evidências, pela TV Novo Tempo)

Fonte: criacionismo

Biologia evolucionária está e ficará deploravelmente incompleta!

“A origem da vida – ou, para ser mais preciso, a origem dos primeiros sistemas replicadores e a origem da tradução – permanece um grande enigma, e o progresso na solução desses problemas tem sido muito modesto – no caso de tradução, quase insignificante. Algumas observações e ideias potencialmente proveitosas existem, tais como a descoberta das plausíveis incubadoras da vida, as redes de compartimentos inorgânicos nas fontes hidrotermais e a versatilidade química das ribozimas que alimentam a hipótese do Mundo RNA. Todavia, esses avanços permanecem apenas como preliminares, mesmo que importantes, porque eles nem se aproximam de um cenário de evolução pré-biológica coerente, desde as primeiras moléculas orgânicas para os primeiros sistemas replicadores, e desses para entidades biológicas bona fide nos quais o armazenamento de informação e função são partilhados entre as classes de moléculas distintas (ácidos nucléicos e proteínas, respectivamente). Na minha opinião, apesar de todos os avanços, a biologia evolucionária está e ficará deploravelmente incompleta até que haja pelo menos um cenário de origem da vida plausível, mesmo que não seja convincente. A busca por tal solução para o derradeiro enigma pode nos levar por direções inesperadas (e profundamente absurdas para biólogos), particularmente para uma completa reavaliação dos conceitos relevantes de aleatoriedade, probabilidade, e a possível contribuição de eventos extremamente raros, como os exemplificados pela perspectiva cosmológica dados no capítulo 12.”

(Koonin, Eugene V. [2012]. The Logic of Chance: The Nature and Origin of Biological Evolution, Pearson Education, Inc., Publishing as FT Press Science, New Jersey, p. 417)

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Geralmente, é dito por evolucionistas em debates que a teoria da origem da vida não é necessária para a fundamentação e corroboração da teoria da evolução de Darwin através da seleção natural e n mecanismos evolucionários de A a Z (vai que...). Quando questionados do porquê de os cenários de origem da vida, segundo eles, não importantes para explicar a origem e a evolução biológica, aparecerem nos livros didáticos de Biologia do Ensino Médio aprovados por douta comissão de pareceristas do MEC/SEMTEC/PNLEM, eles ficam em silêncio. Por que ficar em silêncio se isso não é importante? Koonin falou e disse: sem uma teoria da origem da vida, a atual teoria da evolução está e ficará deploravelmente incompleta. Com a palavra os cientistas que estão elaborando a nova teoria geral da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada – que, pasme, somente será apresentada em 2020. Eu aprendi na universidade que a CIÊNCIA abomina o vazio epistemológico. Então sob qual referencial teórico está sendo feita biologia evolucionária?”

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Unicamp cancela fórum sobre as origens

Cancelado
 Foi com muita alegria e surpresa que nós, do Clube Criacionista de Campinas, soubemos que a Unicamp pretendia realizar seu 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, e ainda tivemos o privilégio de mediar o convite ao renomado físico Dr. Russel Humphreys, para apresentar sua palestra “Starlight and Time” nesse evento. Essa iniciativa parecia indicar uma disposição inusitada da academia, de oferecer uma oportunidade aos seus alunos para discutirem aberta e livremente a questão das origens. Infelizmente, a três dias da data do fórum, fomos informados de que o evento foi cancelado. Só podemos imaginar as enormes pressões exercidas sobre os responsáveis, para a tomada dessa decisão, que nos chocou, mas não nos surpreendeu, pois, diariamente, podemos acompanhar ao redor do mundo as atitudes de diversos grupos que, de forma tão agressiva quanto os inquisidores dos tempos obscurantistas, hoje se opõem ao diálogo e à discussão das ideias. Naquela ocasião, foram cientistas assumidamente criacionistas que levaram o mundo à verdadeira luz. Hoje, passados quase quinhentos anos do tempo em que as pessoas tiveram a Bíblia como seu primeiro compêndio, pseudocientistas querem impedir que os alunos tenham acesso à verdadeira ciência. (Eliézer Militão, diretor do Clube Criacionista de Campinas)

Manifestação do palestrante Dr. Marcos Eberlin: “Interessante notar que em uma universidade pública, financiada com recursos públicos, por impostos de todos nós –agnósticos, teístas, deístas, politeístas, ateus e desinteressados –, cientistas pagos para e com a responsabilidade buscar sempre a verdade e a melhor explicação científica para as nossas origens, doa a quem doer, fira a quem ferir em termos de subjetividades, nessa universidade e nessas condições, grupos e pessoas que se autointitulam ‘grandes guardiões do saber’ cancelem palestras e fóruns em que a intenção é somente apresentar evidências científicas e reestabelecer o debate. Bem nas catedrais do livre pensar e debater, fecham as portas para o debate, o livre debater de ideias... Na universidade em que fazem o ‘portas abertas’ batem-nos a porta na cara, e as fecham, por quê? O que temem? Seria o perigo da exposição das falácias da teoria que defendem? Cancelam o jogo e levam a bola para casa, como meninos. E a bola que levam acham que é deles, mas é de todos, comprada com dinheiro público.

“Infelicidade é notar que a melhor universidade brasileira se deixa guiar pela opinião subjetiva de alguns e, mais uma vez, de última hora, impede a exposição de argumentos. Exposição de evidências sólidas, como as da ‘Química do Universo e da Vida’, que eu apresentaria, e que mostram como nunca antes a urgência de se reestabelecer o debate entre as duas causas possíveis e legítimas para a origem do Universo e da Vida – forças naturais ou um agente inteligente? É mais uma demonstração da falência geral, ampla e irrestrita de uma teoria que um dia foi quase um consenso, mas que hoje só se sustenta na academia – infelizmente – não mais pelos fatos e pelos dados, mas pelo cerceamento do debate, pelo abafar de opiniões contrarias, pela propaganda enganosa – fato mais fato que a gravidade, repetem à exaustão, na esperança de que a repetição torne isso uma verdade. Que se sustenta ainda pela inquisição que nelas se instalou – uma inquisição, desta feita, secular...

“Fica, então, mais uma vez a constatação do ‘perigo’ que o debate sobre nossas origens traz ao naturalismo filosófico, falido que está, e que se apoderou da ciência e desse osso não quer largar! Um naturalismo filosófico que fez dela seu monopólio exclusivo, e que nela quer também monopolizar o palanque. Financiados por recursos públicos, se escondem detrás do paradigma dominante e em lugar de combater o bom combate do debate de teses e evidências, desqualificam seus oponentes com desqualificações espúrias, inquisições descabidas, correlações infundadas com pretensos interesses não científicos.

“Quem tem medo de ouvir falar sobre a química do Universo e da vida? Quem tem medo de escutar o que as moléculas nos falam sobre nossas origens? Quem tem medo de analisar o DNA, as proteínas, a homoquiralidade de todos nós? O código da vida, as bases nitrogenadas, a ribose contra a desoxirribose? Qual o estrago que poderia causar a uma universidade pública um químico dessa própria universidade, formado em suas bases, falar sobre a química da Vida e do Universo? Qual o perigo de ele trazer ao debate a informação sobre as nossas origens que essa química revela? Qual a nossa semelhança molecular com os chimpanzés? Qual a probabilidade da nuvem gasosa de hidrogênio e hélio ter formado estrelas? E da poeira estelar ter formado planetas rochosos como a Terra? Qual o perigo e quem tem medo dele? Seriam os que defendem uma teoria sólida, sustentada em fatos, ao nível atômico e molecular? Ou os que se valem apenas da inércia cientifica de uma teoria falida e do sufocar de ideias e conhecimentos contrários para defender suas cosmovisões e paixões? Você decide!”

Manifestação do palestrante Michelson Borges:
“Claramente conscientes de que a Unicamp se trata de uma instituição secular, nós, os palestrantes daquele que seria o 1º Fórum de Filosofia e Ciência das Origens, tínhamos a convicção de que deveríamos, cada um em sua respectiva palestra e área, tratar do tema sob uma perspectiva científico-filosófica. Nenhum de nós iria ao campus falar de religião, Bíblia nem mesmo criacionismo. Não somos pensadores mal intencionados em busca de prosélitos. Todos nós – assim como penso que ocorre com muitos na academia – amamos a ciência e procuramos seguir as evidências, levem aonde levar. Não estamos engajados numa cruzada contra a ciência. Essa é a visão de uma oposição que vive à luz da falácia do espantalho, tenta nos desacreditar, nos ‘deformar’ e estereotipar sob a pecha de ‘fundamentalistas’, e, assim, impedir o livre debate de ideias num ambiente que deveria ser, acima de qualquer outro, local exatamente próprio para isso. Foi com profunda decepção que recebi a notícia do cancelamento do fórum, sem um motivo real que justificasse tal medida.”

Fonte: criacionismo

Nota do site NUBEPO:
 Existe limites para a ciência?

Pasmem!! A Unicamp cancelou o 1º Fórum de filosofia e ciências das origens, evento este que contaria com cinco grandes nomes da ciência em seu campus. Então, fica a pergunta: existe limites para a ciência?

Sabendo disso, o NUBEPO (Núcleo Baiano de estudo e Pesquisa sobre as Origens) vem confirmando seu I Simpósio Baiano sobre as origens que acontecerá na cidade de Vitória da Conquista - BA, no Instituto Federal Bahia, nos dias 15 e 16 de novembro de 2013. Vale ressaltar que este simpósio está sendo o maior evento organizado na história da Bahia ou até mesmo no nordeste brasileiro com esta temática.

 Portanto, por este núcleo ser independente, sem vínculo religioso ou de qualquer instituição acadêmica, podemos dizer que não temos limites para estudar, pesquisar, questionar e debater este tema. Pois ao abrirmos a discussão você mesmo terá chance de decidir qual melhor teoria científica evidencia este embate de ideias.

Então, não perca tempo e participe conosco da maior discussão científica de todos os tempos fazendo sua inscrição pelo site: www.nubepo.org

A suposta guerra entre ciência e Deus é uma invenção recente?

Destaco trecho do artigo If You Cannot Scientifically Prove Your Belief, Is It Meaningless? do filósofo Paul Copan:

A suposta guerra entre ciência e crença em Deus é, na verdade, uma invenção relativamente recente, que os historiadores da ciência hoje reconhecem.

E se houve conflito, tem sido o resultado de acontecimentos históricos incidentais, não porque Deus e a ciência inerentemente estão em choque.

Afinal, a ciência moderna surgiu através de crentes na Bíblia, tais como Newton, Kepler, Copérnico, Galileu, Boyle, Faraday, e assim por diante.

A visão bíblica do mundo - com suas suposições sobre a ordem do universo ou a capacidade da mente humana de compreender o mundo - ajudou a moldar a ciência moderna.

O notável físico Paul Davies fala sobre a influência inevitável da teologia sobre a ciência - quer os ateus reconheçam ou não: "A ciência começou como uma conseqüência da teologia, e todos os cientistas, sejam ateus ou teístas... aceitavam uma visão de mundo essencialmente teológica".

E para todo o alarido sobre Galileu, a controvérsia foi mais política e filosófica do que científica. Ele mesmo escreveu em 1615 que "a Escritura não pode nunca mentir, desde que o seu verdadeiro significado seja apreendido."

Fonte: Origem e Destino

'Geração do diploma' lota faculdades, mas decepciona empresários

Na última década, o número de matrículas no ensino superior no Brasil dobrou, embora ainda fique bem aquém dos níveis dos países desenvolvidos e alguns emergentes. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867 mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

“Mas mesmo com essa expansão, na indústria de transformação, por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos trabalhadores subiu 169% (em dólares)", diz Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A decepção do mercado com o que já está sendo chamado de "geração do diploma" é confirmada por especialistas, organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

"Os empresários não querem canudo. Querem capacidade de dar respostas e de apreender coisas novas. E quando testam isso nos candidatos, rejeitam a maioria", diz o sociólogo e especialista em relações do trabalho da Faculdade de Economia e Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores recém-formados que não sabem escrever um relatório ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas da linguagem ou têm dificuldades de se adaptar às regras de ambientes corporativos.

"Cadastramos e avaliamos cerca de 770 mil jovens e ainda assim não conseguimos encontrar candidatos suficientes com perfis adequados para preencher todas as nossas 5 mil vagas", diz Maíra Habimorad, vice-presidente do DMRH, grupo do qual faz parte a Companhia de Talentos, uma empresa de recrutamento. "Surpreendentemente, terminanos com vagas em aberto."

Outro exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower. De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Apesar da desaceleração da economia, os níveis de desemprego já caíram para baixo dos 6% e têm quebrado sucessivos recordes de baixa.

Mas segundo um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado nesta semana, os brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% desse contingente de desempregados.

"Mesmo com essa expansão do ensino e maior acesso ao curso superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer o conhecimento específico que as boas posições requerem", explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

Causas

Especialistas consultados pela BBC Brasil apontam três causas principais para a decepção com a

A principal delas estaria relacionada a qualidade do ensino e habilidades dos alunos que se formam em algumas faculdades e universidades do país.

Os números de novos estabelecimentos do tipo criadas nos últimos anos mostra como os empresários consideram esse setor promissor. Em 2000, o Brasil tinha pouco mais de mil instituições de ensino superior. Hoje são 2.416, sendo 2.112 particulares.

"Ocorre que a explosão de escolas superiores não foi acompanhada pela melhoria da qualidade. A grande maioria das novas faculdades é ruim", diz Pastore.

Tristan McCowan, professor de educação e desenvolvimento da Universidade de Londres, concorda. Há mais de uma década, McCowan estuda o sistema educacional brasileiro e, para ele, alguns desses cursos universitários talvez nem pudessem ser classificados como tal.
“São mais uma extensão do ensino fundamental", diz McCowan. "E o problema é que trazem muito pouco para a sociedade: não aumentam a capacidade de inovação da economia, não impulsionam sua produtividade e acabam ajudando a perpetuar uma situação de desigualdade, já que continua a ser vedado à população de baixa renda o acesso a cursos de maior prestígio e qualidade."

Para se ter a medida do desafio que o Brasil têm pela frente para expandir a qualidade de seu ensino superior, basta lembrar que o índice de anafalbetismo funcional entre universitários brasileiros chega a 38%, segundo o Instituto Paulo Montenegro (IPM), vinculado ao Ibope.
Estudantes (Foto BBC)

Na prática, isso significa que quatro em cada dez universitários no país até sabem ler textos simples, mas são incapazes de interpretar e associar informações. Também não conseguem analisar tabelas, mapas e gráficos ou mesmo fazer contas um pouco mais complexas.

De 2001 a 2011, a porcentagem de universitários plenamente alfabetizados caiu 14 pontos - de 76%, em 2001, para 62%, em 2011. "E os resultados das próximas pesquisas devem confirmar essa tendência de queda", prevê Ana Lúcia Lima, diretora-executiva do IPM.

Segundo Lima, tal fenômeno em parte reflete o fato da expansão do ensino superior no Brasil ser um processo relativamente recente e estar levando para bancos universitários jovens que não só tiveram um ensino básico de má qualidade como também viveram em um ambiente familiar que contribuiu pouco para sua aprendizagem.

"Além disso, muitas instituições de ensino superior privadas acabaram adotando exigências mais baixas para o ingresso e a aprovação em seus cursos", diz ela. "E como consequência, acabamos criando uma escolaridade no papel que não corresponde ao nível real de escolaridade dos brasileiros."
"geração do diploma".

Postura e experiência

A segunda razão apontada para a decepção com a geração de diplomados estaria ligada a “problemas de postura” e falta de experiência de parte dos profissionais no mercado.

“Muitos jovens têm vivência acadêmica, mas não conseguem se posicionar em uma empresa, respeitar diferenças, lidar com hierarquia ou com uma figura de autoridade”, diz Marcus Soares, professor do Insper especialista em gestão de pessoas.

“Entre os que se formam em universidades mais renomadas também há certa ansiedade para conseguir um posto que faça jus a seu diploma. Às vezes o estagiário entra na empresa já querendo ser diretor.”

As empresas, assim, estão tendo de se adaptar ao desafio de lidar com as expectativas e o perfil dos novos profissionais do mercado – e em um contexto de baixo desemprego, reter bons quadros pode ser complicado.

Para Marcelo Cuellar, da consultoria de recursos humanos Michael Page, a falta de experiência é, de certa forma natural, em função do recente ciclo de expansão econômica brasileira.

"Tivemos um boom econômico após um período de relativa estagnação, em que não havia tanta demanda por certos tipos de trabalhos. Nesse contexto, a escassez de profissionais experientes de determinadas áreas é um problema que não pode ser resolvido de uma hora para outra", diz Cuellar.

Nos últimos anos, muitos engenheiros acabaram trabalhando no setor financeiro, por exemplo.

"Não dá para esperar que, agora, seja fácil encontrar engenheiros com dez ou quinze anos de experiência em sua área – e é em parte dessa escassez que vem a percepção dos empresários de que ‘não tem ninguém bom’ no mercado", acredita o consultor.
'Tradição baicharelesca'

Por fim, a terceira razão apresentada por especialistas para explicar a decepção com a “geração do diploma” estaria ligada a um desalinhamento entre o foco dos cursos mais procurados e as necessidades do mercado.

    "É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários."

De um lado, há quem critique o fato de que a maioria dos estudantes brasileiros tende a seguir carreiras das ciências humanas ou ciências sociais - como administração, direito ou pedagogia - enquanto a proporção dos que estudam ciências exatas é pequena se comparada a países asiáticos ou alguns europeus.

“O Brasil precisa de mais engenheiros, matemáticos, químicos ou especialistas em bioquímica, por exemplo, e os esforços para ampliar o número de especialistas nessas áreas ainda são insuficientes”, diz o diretor-executivo da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Gabriel Rico.

Segundo Rico, as consequências dessas deficiências são claras: “Em 2011 o país conseguiu atrair importantes centros de desenvolvimento e pesquisas de empresas como a GE a IBM e a Boeing”, ele exemplifica. “Mas se não há profissionais para impulsionar esses projetos a tendência é que eles percam relevância dentro das empresas.”

Do outro lado, também há críticas ao que alguns vêem como um excesso de valorização do ensino superior em detrimento das carreiras de nível técnico.

“É bastante disseminada no Brasil a ideia de que cargos de gestão pagam bem e cargos técnicos pagam mal. Mas isso está mudando – até porque a demanda por profissionais da área técnica tem impulsionado os seus salários”, diz o consultor.

Rafael Lucchesi concorda. "Temos uma tradição cultural baicharelesca, que está sendo vencida aos poucos”, diz o diretor da CNI – que também é o diretor-geral do Senai (Serviço Nacional da Indústria, que oferece cursos técnicos).

Segundo Lucchesi, hoje um operador de instalação elétrica e um técnico petroquímico chegam a ganhar R$ 8,3 mil por mês. Da mesma forma, um técnico de mineração com dez anos de carreira poderia ter um salário de R$ 9,6 mil - mais do que ganham muitos profissionais com ensino superior.

“Por isso, já há uma procura maior por essas formações, principalmente por parte de jovens da classe C, mas é preciso mais investimentos para suprir as necessidades do país nessa área”, acredita.


Fonte: BBC

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Trio leva Nobel de Química de 2013 por modelos de sistemas complexos

Da esquerda para a direita, Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel

 O Prêmio Nobel de Química de 2013 foi oferecido nesta quarta-feira (9) a Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel.

"Nos anos 1970, eles colocaram as fundações de poderosos programas que são usados para entender e prever processos químicos. "Os modelos de computador que espelham a vida real se tornaram cruciais para a maioria dos avanços feitos na química atualmente", justificou em comunicado a Real Academia Sueca de Ciências, que concede o prêmio.

 "Desenvolvemos um método de olhar para uma proteína e ver como, exatamente, ela faz o que faz. Isso pode ser usado, por exemplo, para desenhar drogas", citou Warshel, por telefone, ao ser questionado por uma jornalista sobre quais avanços seu trabalho trouxe.

Os trabalhos do trio premiado se aplicam a todos os tipos de química - podem ser usados na pesquisa de processos em seres vivos, assim como em técnicas industriais, por exemplo.

As reações químicas ocorrem muito rapidamente. A física clássica não conseguia mapear exatamente cada passo dos processos químicos. Os métodos desenvolvidos pelos cientistas ganhadores do Nobel deste ano permitem que os computadores analisem detalhadamente como ocorre, por exemplo, a purificação da fumaça que passa num catalisador, ou mesmo a fotossíntese que ocorre nas folhas das plantas.

 Quântica e clássica

A academia sueca considerou as pesquisas desses cientistas merecedoras do prêmio porque permitiram associar a física clássica, com cálculos mais fáceis e precisos, capaz de calcular moléculas realmente grandes, mas inviável para prever reações, com a mecânica quântica, que demanda grande poder de cálculo e, por isso, só podia ser usada para moléculas pequenas. "Os vencedores do Nobel deste ano pegaram o melhor dos dois mundos e desenvolveram métodos que usam física clássica e quântica".

Isso significa que num cálculo de como um medicamento vai agir sobre uma proteína do corpo, por exemplo, o computador vai fazer uma simulação quântica de como os átomos da proteína que entram em contato com a droga vão interagir. O resto da molécula é simulado usando os preceitos da física clássica.

Martin Karplus naceu em 1930, em Viena, e é cidadão americano e austríaco. É vinculado à Universidade de Estrasburgo, na França, e à Universidade Harvard, nos EUA. Michael Levitt nasceu em 1947, em Pretória (África do Sul), e é cidadão britânico e americano. Atualmente está na Universidade Stanford, nos EUA. Arieh Warshel é americano e israelense. Ele nasceu em 1940 em Kibbutz Sde-Nahum (Israel), e trabalha na Southern California University, nos EUA.

Fonte: G1

Químico top 10 em citações, paga um almoço para quem lhe explicar a macroevolução ao nível molecular

...um químico mundialmente famoso disse o seguinte: não há nenhum cientista vivo hoje que entende a macroevolução. Escrevi sobre o Professor James Tour, que é um dos dez químicos mais citados em todo o mundo - e um cético de Darwin. O professor Tour não é um defensor do Design Inteligente, mas ele é abertamente cético em relação à macroevolução, que é geralmente definida como a “evolução acontecendo em grande escala, por exemplo, igual ou superior ao nível de espécies, ao longo do tempo geológico, resultando na formação de novos grupos taxonômicos”. Em 2001, Tour, juntamente com mais de 700 outros cientistas, assinaram a “A dissidência científica do darwinismo” do Discovery Institute, onde se lê: “Nós somos céticos das afirmações da capacidade da mutação aleatória e da seleção natural para explicar a complexidade da vida. Um exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deve ser encorajado.”

No site do Professor Tour, há um artigo muito interessante sobre a evolução e a criação, no qual Tour declara que ele não entende como a macroevolução poderia ter acontecido, a partir de um ponto de vista químico:

... Eu simplesmente não entendo, quimicamente, como a macroevolução poderia ter acontecido. Por isso, não seria eu livre para me juntar às fileiras dos céticos e assinar tal declaração sem represálias daqueles que discordam de mim? ... Alguém entende os detalhes químicos por trás da macroevolução? Se assim for, eu gostaria de me sentar com essa pessoa e ser ensinada. Portanto eu gostaria de convidá-la a encontrar-se comigo.

Em uma palestra recente, intitulada Nanotech e Jesus Cristo, ministrada em 01 de novembro de 2012 na Georgia Tech, o professor Tour revelou que tinha uma oferta de longa data para pagar o almoço para quem quisesse se sentar e explicar a evolução para ele, mas que ninguém havia topado encarar seu desafio:

Mas cerca de sete ou oito anos atrás eu postei no meu site que eu não entendo. E eu disse: “Eu vou pagar o almoço para qualquer um que se sentar comigo e me explicar a evolução, e eu não vou questioná-lo, exceto caso eu não tenha entendido algo - eu vou lhe pedir para me esclarecer. Mas você não pode ser superficial e dizer: ‘Esta enzima faz isso.’ Você tem que entrar nos detalhes de onde as moléculas são construídas... Ninguém aceitou o desafio”.

A Sociedade Ateísta contatou-me. Eles disseram que iriam ganhar o almoço e que tinham desafiado os seus membros: “Vá até Houston e almoce com esse cara e fale com ele.” Ninguém apareceu!

[Recentemente] Nick Matzke fez uma oferta...

Nick Matzke, que atualmente é estudante de doutorado em biologia evolutiva da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e que também é ex-diretor do projeto Public Information, no Centro Nacional de Ciências da Educação, declarou em 18 de fevereiro que “adoraria aceitar a oferta de almoço grátis do professor Tour, se alguém me pagasse minha passagem”.

[Várias pessoas ofereceram para pagar a passagem. Vamos aguardar os próximos passos... Mais informações podem ser obtidas aqui.]

Fonte: Origens e Destino

Estudo falso é aceito por mais de 150 revistas

"Barrigada" científica"
Imagine só o seguinte experimento: você escreve um trabalho científico falso, baseado em dados falsos, obtidos de experimentos sem validade científica, assinado com nomes falsos de pesquisadores que não existem, associados a universidades que também não existem, e envia esse trabalho para centenas de revistas científicas do tipo open access (que disponibilizam seu conteúdo gratuitamente na internet) para publicação. O que você acha que aconteceria? Pois bem, um biólogo-jornalista norte-americano chamado John Bohannon fez exatamente isso e os resultados, publicados pela revista Science, são aterradores (para aqueles que se preocupam com a credibilidade da ciência): ele escreveu um trabalho falso sobre as propriedades supostamente anticancerígenas de uma molécula supostamente extraída de um líquen e enviou esse trabalho para 304 revistas científicas de acesso aberto ao redor do mundo. Não só o trabalho era totalmente fabricado e obviamente incorreto (com falhas metodológicas e experimentais que, segundo Bohannon, deveriam ser óbvias para “qualquer revisor com formação escolar em química e capacidade de entender uma planilha básica de dados”), mas o nome dos autores e das instituições que o assinavam eram todos fictícios. Apesar disso (pasmem!), mais da metade das revistas procuradas (157) aceitou o trabalho para publicação. Um escândalo.

O que isso quer dizer? Quer dizer que tem muita revista “científica” por aí que não é “científica” coisíssima nenhuma. E que o fato de um estudo ter sido publicado não significa que ele esteja correto (pior, não significa nem mesmo que ele seja verdadeiro para começo de conversa). A ciência, assim como qualquer outra atividade humana, infelizmente não está isenta de falcatruas.

E o que isso não quer dizer? Não quer dizer que o sistema de open access seja intrinsecamente falho ou inválido. Certamente há revistas de acesso livre de ótima qualidade, como as do grupo PLoS, assim como há revistas pagas de baixa qualidade que publicam qualquer porcaria. Nenhum sistema é perfeito. Até mesmo a Science publica umas lorotas de vez em quando, assim como a Nature e outras revistas de alto impacto, que empregam os critérios mais rígidos de seleção e revisão. Além disso, o fato de uma revista ser gratuita não significa que ela não tenha revisão por pares (peer review) e outros filtros de qualidade. Assim, o que deve ser questionado não é a forma de disponibilizar a informação, mas a forma como ela é selecionada e apurada – em outras palavras, a qualidade e a confiabilidade da informação, não o seu preço.

O relato de Bohannon acaba de ser publicado no site da Science, dentro de um pacote de artigos intitulado Comunicação na Ciência: Pressões e Predadores. Nessa mesma temática, a revista Nature publicou recentemente também uma reportagem sobre o escândalo envolvendo quatro revistas científicas brasileiras que foram acusadas de praticar citações cruzadas – ou “empilhamento de citações”, em inglês –, esquema pelo qual uma revista cita a outra propositadamente diversas vezes, como forma de aumentar seu fator de impacto (e, consequentemente, o prestígio dos pesquisadores que nelas publicam). As revistas são Clinics, Revista da Associação Médica Brasileira, Jornal Brasileiro de Pneumologia e Acta Ortopédica Brasileira.

O suposto esquema foi descoberto pela empresa Thomson Reuters, maior referência internacional na produção de estatísticas de publicação e citações científicas. Como punição, as quatro revistas tiveram seu fator de impacto suspenso por um ano. A reportagem pode ser lida neste link. O texto inclui explicações de alguns dos atores envolvidos e aborda as críticas aos padrões de avaliação da CAPES, bastante frequentes na comunidade científica brasileira, por enfatizar de maneira supostamente exagerada o fator de impacto das revistas.

Fonte: Erton Escobar, Estadão

Nota do blog Criacionismo: Situação semelhante ocorreu com o físico Alan Sokal, que depois publicou o vexame no livro Imposturas Intelectuais (confira aqui - informação na nota do texto). Fico me perguntando: Se revistas científicas podem cometer erros quando o assunto é verificável, como as “propriedades supostamente anticancerígenas de uma molécula supostamente extraída de um líquen”, o que dizer quando se trata de temas não verificáveis como a origem da vida e a suposta ancestralidade comum de seres vivos? Esses têm mais que ver com a ciência histórica e são menos verificáveis do que aquele. Duro é quando esfregam em nossa cara esses artigos como se fossem provas da evolução numa corte de apelação final. [MB]

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

DNA irredutivelmente complexo?

Compreender regulação genética é um problema de importância fundamental. Estudos recentes têm tornado cada vez mais evidente que, enquanto o sistema de regulação genética celular incorpora vários elementos díspares envolvidas em numerosas interações, a questão central é a função genuína da molécula de DNA como portador de informação. Evidências sugere que o ADN, em adição à informação digital do código genético linear (a semântica), codifica a informação contínua, ou analógica, igualmente importante que especifica a dinâmica estruturais e de configuração (a sintaxe) do polímero. Estes dois tipos de informação de DNA são intrinsecamente associado na organização seqüência primária, e este acoplamento é diretamente relevante para a regulação da função genética. Nesta revisão, enfatizamos a necessidade crítica de integração holística da informação do DNA como um pré-requisito para a compreensão da complexidade organizacional do sistema de regulação genética.

Fonte: Desafiando a Nomenklatura Científica: “O DNA é irredutivelmente complexo? Há mais de duas décadas quem vem afirmando a informação complexa especificada digitalizada do DNA? Quem? Quem mesmo? Ah, a turma da teoria do Design Inteligente. Mas eles não sabem o que é ciência nem fazem ciência...”

Como a vida começou?

Seria possível reconhecer cientificamente que a idéia de um criador não é um mito? Podemos afirmar com toda a certeza, com base em fenômenos naturais evidentes que a idéia de uma criação da vida é hipótese descartável? Afinal, se não existe Deus, como a vida começou?

Há mais ou menos três séculos e meio a invenção do telescópio escancarou o universo aos olhos do homem que imediatamente ficou surpreso e atemorizado foi como se de repente emergisse do abismo um incontável número de estrelas e galáxias que nenhuma mente humana poderia sequer imaginar que existia. Confira este assunto neste programa de TV.



Fonte: Evidência

Encontraram a arca de Noé?

No ano de 2010 divulgamos no blog Ciência e Fé (veja aqui e aqui) a possibilidade de uma equipe de escavação arqueologica ter achado uma arca no monte Ararate que supostamente seria de Noé - personagem bíblico do antigo testamento. Nesta semana, o arqueólogo brasileiro, Dr. Rodrigo Silva, foi certificar disso e publicou em seu blog Evidência um comentário sobre sua atual investigação. Confira abaixo suas respostas sobre este assunto.

Não sou de maneira nenhuma partidário de Hitler ou das ideias que ele defendeu. Mas considerando a rara sinceridade com que ele admitiu algumas intenções de seu projeto e a advertência que nos vem disso, gostaria de começar esse texto citando um de seus pensamentos ou diria confissões. Ele disse: “É mais fácil envolver o povo numa grande mentira, do que numa pequena. Quanto maior a mentira, mais pessoas acreditarão nela… Torne a mentira grande, simplifique-a, continue afirmando-a, e eventualmente todos acreditarão nela.” (MeinKampf, 185).

O mesmo espírito que inspirou Hitler a usar esse método de propagar inverdades parece estar por detrás de muitos boatos e enganos que surgem, especialmente, nas mídias sociais. E o Inimigo de Deus não teria estratégia melhor, senão criar boatos aparentemente favoráveis à Bíblia, apenas para depois desmentir tudo como puro embuste e, na esteira das denúncias, lançar descrédito à Palavra de Deus.

Veja que é coisa muito séria tentar defender a Bíblia com fatos falsos. A própria idoneidade da Palavra de Deus é posta em questionamento. Disse Jesus: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.” Mateus 5:37. É claro que há argumentos que usamos que são hipóteses, mas ainda assim, elas têm de ser plausíveis e nunca mentirosas. Mais doído do que ouvir um oponente defender mal a idéia que combatemos é ouvir um aliado defender mal a ideia com a qual simpatizamos.

O curioso é que mesmo com advertências óbvias como estas, vira-e-mexe testemunhamos o aparecimento de matérias sensacionalistas dizendo num momento que encontraram as rodas dos carros de Faraó debaixo do Mar Vermelho, noutro que localizaram os restos de Sodoma e Gomorra debaixo do Mar Morto.

E o campeão destes boatos sem fundamento é o suposto achado da arca de Noé. Há tantos que os autores de língua inglesa chegaram a criar um trocadilho para esses exploradores da arca perdida. Eles ironicamente os chamam de arcaeólogos, ao invés de arqueólogos!

Ao todo já relacionei ao relatório mais de 40 supostos achados da arca de Noé e além de serem todos falsos ou inconclusos, eles têm mais dois pontos em comum: primeiro que foram todos encontrados por leigos sem nenhuma formação ou treinamento de arqueologia e segundo, que a maioria deles convenceram muitas pessoas apesar de apresentarem provas questionáveis e relatos contraditórios.

Só sei que se um desses relatos estiver verdadeiro, todos os demais têm de ser falsos, por mais bem defendidos que tenham sido. A menos, é claro, que existam várias arcas de Noé ou que a mesma esteja ainda surfando até hoje sob as geleiras do Ararate porque seus vestígios ora aparecem num canto, ora aparecem noutro. E todos afirmando sem medo de errar que acharam a verdadeira arca de Noé!

Um desses últimos achados se deu há cerca de 5 anos, mas especulações acerca do mesmo continuam bem firmes na Internet. Afirma-se que um grupo de chineses e turcos teria encontrado o barco milenar e até feito filmagens dentro dele. Será verdade?

Eu mesmo ficaria muito feliz se fosse, mas por honestidade acadêmica e cristã, sou obrigado a dizer que se trata de mais um engano. Mais um desserviço à propagação da Palavra de Deus.

Tive a oportunidade de trocar e-mails e conversar pessoalmente com o Dr. Randall Price, arqueólogo americano que num primeiro momento teve seu nome associado ao grupo. Ele não somente negou que aquilo fosse verdade, mas ainda se disse desapontado com a falta de sinceridade do grupo.

O Dr. Price, para que todos saibam, chegou a fazer parte da primeira expedição dos Chineses quando esses lhe mostraram as fotos do achado em 2008. Ele conseguiu um recurso de cem mil dólares para o projeto, mas em pouco tempo percebeu que as evidências apresentadas não passavam de uma fraude.

Em 2009 Dr. Price e outros especialistas identificaram a caverna e os troncos que os chineses usaram para produzir o seu “filme”. Na verdade eles nunca estiveram dentro da arca de Noé!

Aliás, mesmo sem essa informação, o que eles apresentaram já era por si só digno de ceticismo. Veja o dilúvio ocorreu há pouco mais de 4 mil anos, logo, essas madeiras jamais estariam em perfeito estado de conservação conforme mostra o vídeo. E não adianta dizer que foram preservadas pelo poder de Deus, pois como arqueólogo posso afirmar que essa não parece ser a forma de Deus agir. Mesmo os importantes manuscritos do Mar Morto (achado importantíssimo para comprovar a veracidade textual da Bíblia Sagrada) foram encontrados em forma fragmentária e alguns completamente destruídos pela ação do tempo!

Outra coisa que me chamou a atenção é que nalguns sites o suposto achado dos Chineses é misturado com fotos de uma estrutura de pedra em forma navicular localizada em Durupinar. Ora, na verdade o que temos ali é outro falso achado promulgado desta vez por Ron Wyatt um falecido anestesista do Tennessee que também vivia “descobrindo” relíquias bíblicas – todas falsas.

Como se pode ver, alguns jornalistas nem se deram ao trabalho de verificar que estavam divulgando dois diferentes “achados” como se fossem a mesma “descoberta” – uma de Wyatt, outra dos chineses. Aliás, essa estrutura de pedra de Durupinar que Wyatt disse ter sido confirmada por muitos como sendo a arca de Noé era na verdade uma formação rochosa comum que nem fóssil era. Vários geólogos turcos afirmaram isso!

São por coisas assim que os que creem na Bíblia devem ter sua atenção redobrada no momento de usar certos argumentos na defesa da fé. Segundo Othon M. Garcia, “ainda que cometamos um número infinito de erros, só há, na verdade, do ponto de vista lógico, duas maneiras de errar: raciocinando mal com dados corretos ou raciocinando bem com dados falsos. (Haverá certamente uma terceira maneira de errar: raciocinando mal com dados falsos). O erro pode, portanto, resultar de um vício de forma – raciocinar mal com dados corretos – ou de matéria – raciocinar bem com dados falsos.” (Comunicação em prosa moderna. p. 307). De qualquer forma, o cristão deve evitar esse tipo de argumento. Paul Joseph Goebbels, ministro das Comunicações de Adolf Hitler, dizia que “Uma mentira mil vezes repetida se torna uma verdade autenticada”. Para mim, uma mentira mil vezes repetida continua sendo uma mentira e não devemos nunca ter parte nela!

Rodrigo Silva, escritor, professor, doutor em Teologia, doutor em arqueologia bíblica, doutorando em arqueologia clássica e apresentador do programa Evidências.

Fonte: Evidência

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