quinta-feira, 2 de maio de 2013

DNA 60 anos: celebrando o desconhecido

“O quadro atual de como e onde a evolução opera, e como isso modela os genomas, é algo bagunçado... Raramente um sussurro desse debate vibrante chega ao público. Tome, por exemplo, a descrição do biólogo evolucionista Richard Dawkins feita ano passado na revista Prospect sobre o gene como um replicador com ‘seu status exclusivo de uma unidade de seleção darwiniana’. Isso evoca o quadro há décadas de um pequeno trecho de intenção autônoma do DNA em copiar a si mesmo, sem nenhuma indicação de que a seleção opera em todos os níveis de hierarquia biológica, inclusive o nível 2 supraorganismal, ou que a própria ideia de ‘gene’ se tornou problemática.

“Por que essa relutância aparente em reconhecer a complexidade? Um obstáculo pode ser o sentimentalismo. A biologia é tão complicada que pode ser profundamente penoso para alguns ter que abandonar a promessa de um mecanismo elegante fundamental.

“Em cosmologia, um só fato destruidor (a expansão acelerada do Universo) reescreveu prontamente a narrativa. Mas, em evolução molecular, os argumentos antigos, por exemplo, sobre a importância da seleção natural e a deriva genética na condução da mudança genética, estão colidindo agora com questões sobre o RNA não codificante, epigenética e a teoria da rede genômica. Ainda não está clara qual a nova história a ser contada.”

Fonte: “DNA: Celebrate the unknowns”, Philip Ball, Nature 496, 419-420 (25 April 2013) doi:10.1038/496419a, Published online 24 April 2013. Nesse artigo [“Celebrando os 60 anos da dupla hélice”], Philip Ball foi contundente: não entendemos totalmente como a evolução opera em nível molecular.

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Philip Ball, sem querer querendo, jogou de vez na lata do lixo da História da Ciência a alegação de que a teoria da evolução é uma teoria científica tão corroborada como a lei da gravidade e assim como a Terra gira em torno do Sol. Gente, queria ver a cara de alguns cientistas da Nomenklatura científica e a galera dos meninos e meninas de Darwin que a cada dia mais ficam sem pai nem mãe, oops!, sem contra-argumentos. E a nova teoria geral da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada (Estendida) – que somente será anunciada em 2020? Como está sendo feito biologia evolucionária se a ciência abomina o vácuo epistêmico? Pano rápido: os cientistas não entendem totalmente como a evolução opera em nível molecular.

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