quinta-feira, 23 de maio de 2013

A dança dos vegetais - Plantas preferem Beatles ou Beethoven?

Até Charles Darwin procurou saber se a música influenciava o crescimento das plantas. Conta-se que ele sentou diante de um exemplar de Mimosa L. e tocou seu fagote para estimular o movimento das folhas dessa planta. A experiência foi um fiasco, mas despertaria o interesse de outros cientistas no futuro.

Cem anos depois de Darwin, os pesquisadores R. Klein e P. Edsall analisaram alguns grupos de Tagetes erecta L. expostos a canto gregoriano, sinfonia de Mozart, jazz de Dave Brubeck e som dos Beatles [Espera aí, isso é experimento científico ou uma happy hour?]. As plantas eram expostas à sonorização duas vezes ao dia e mantidas em ambiente com temperatura, umidade e luz controladas. A experiência não apresentou resultados significativos entre os grupos de plantas.

Mito
Mas há quem acredite que estilos musicais podem auxiliar ou corromper o desenvolvimento de uma planta. A notória experiência de Dorothy Retallack, nos anos 1970, é usada para atestar que os gêneros musicais afetam o crescimento dos vegetais, embora nenhuma outra verificação posterior obtivesse resultado semelhante.

Naquele experimento, algumas plantas teriam crescido em direção às caixas de som que tocavam música clássica europeia e outras plantas teriam crescido em direção oposta à fonte sonora que tocava rock. Assim, se até as plantinhas queriam escapar do rock, então os seres humanos deviam evitar esse estilo a todo custo. Sabe-se lá a que tipo de pauleira musical os pobres vegetais foram expostos, tadinhos.

Além disso, de que tipo de rock estão falando? Da Jovem Guarda, do Sepultura, do Pink Floyd? E, se for música erudita, estão falando dos acordes retumbantes de obras de Stravinski ou de trechos melancólicos de certas peças de Chopin? Não podemos descartar a agressividade de muitas músicas a nossa fisiologia. Nem se pode negar que outras tantas músicas são capazes de tranquilizar nossos nervos urbanos estressados.

Fato
No entanto, uma recente pesquisa do Instituto de Biociências da Unesp avaliou que é “grande a dificuldade de se comprovar a possível influência de estilos ou composições musicais sobre um organismo vegetal” (p. 71). Essa pesquisa relata que uma planta pode responder de maneira diferente a um mesmo estímulo sonoro. Vai depender se a frequência e a intensidade estão adequadas. Ou seja, para sua germinação, as plantas não dependem de estilos musicais, e sim da interação das ondas sonoras. 

Há pessoas que usam os resultados obtidos com plantas e tentam aplicá-los a seres humanos. Porém, plantas não são capazes de julgamento estético, não cantam para os seus raminhos dormirem nem assobiam um hino quando estão felizes. Além disso, seria preciso submeter as pessoas às mesmas condições de temperatura, luz e sonorização dos experimentos com plantas. Mas isso não corresponde à realidade acústica e musical do nosso cotidiano.

Histórico musical
O estudo conclui dizendo que “todos os seres humanos têm um aparato sensório, neurológico, psicológico e cognitivo, que os permite responder a partir da interação que a percepção tem com seu histórico musical e mesmo estado emocional” (p. 78).

Como criaturas emocionais e intelectuais, ao contrário das plantas, podemos selecionar nossa escuta a partir do que faz bem para nossa inteligência e recreação. E se você busca bom alimento espiritual, selecione músicas que o aproximem do Criador e mantenham sua mente voltada para valores morais dignos.

 Fonte: Conexão 2.0

Nota do site Conexão 2.0: Citações da dissertação Estudos sobre a ação de vibrações acústicas e música em organismos vegetais, de Marcelo Silveira Petraglia (Unesp - Biologia Geral e Aplicada).

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