terça-feira, 1 de maio de 2012

Ateus e "fiéis" se conscientizam do absurdo da vida sem Deus quando pensam na morte

Sartre observou que a morte não é ameaçadora enquanto a vemos como a morte do outro, do ponto de vista da terceira pessoa, por assim dizer. É somente quando nós internalizamos a morte e olhamos a morte a partir da perspectiva da "primeira pessoa", isto é, "minha morte; eu vou morrer", que a ameaça do não-ser se torna real.

Como Sartre aponta, muitas pessoas nunca assumem essa perspectiva da primeira pessoa durante a vida e passam a vida toda olhando para a própria morte do ponto de vista da terceira pessoa, como se a minha morte fosse a morte do outro ou mesmo de um animal. Mas o verdadeiro significado existencial da minha morte só pode ser apreciado a partir da perspectiva da primeira pessoa, quando eu percebo que eu vou morrer e deixar de existir para sempre. Minha vida é apenas uma transição momentânea de esquecimento em esquecimento.

Tendo isso em mente, leia a reportagem da veja.com:

Pensar na morte pode mexer com as certezas de crentes e ateus, afirma estudo realizado pelo departamento de psicologia da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, que será publicado na próxima edição do Journal of Experimental Social Psychology. Segundo a pesquisa, quando ateus pensam na própria morte, a fé em Deus aumenta em nível inconsciente, mas diminui em nível consciente. Já para religiosos, pensar na morte aumentou a fé tanto consciente ou inconscientemente.

No estudo, 265 estudantes universitários, religiosos e ateus, foram separados em dois grupos: um escreveria sobre a própria morte e outro sobre o que viam na TV.

Pessoas religiosas que escreveram sobre a própria morte mostraram maior fé em suas crenças que os religiosos que escreveram sobre TV. Entre os ateus, o efeito foi o contrário: o 'grupo da morte' mostrou ainda mais ceticismo que o 'grupo da TV'.

O quadro mudou, no entanto, quando os pesquisadores analisaram as crenças inconscientes. Enquanto os religiosos mostraram ainda mais certeza de sua fé, os ateus demonstraram ter menos confiança em sua descrença.

Para sondar a 'fé inconsciente', os pesquisadores mediram a velocidade com que os participantes apertavam um botão para admitir ou negar a existência de Deus. Depois de escrever sobre a própria morte, os religiosos apertaram mais rápido o botão que confirmava a existência de Deus e os ateus passaram a demorar mais para apertar o botão que a negava.

"O medo da morte é uma experiência quase universal e as crenças religiosas parecem ajudar a lidar com essa ansiedade", disse o professor Jamin Halberstadt, coautor do estudo. "Como agora sabemos, essas crenças agem tanto em nível consciente como inconsciente, permitindo que mesmo autoproclamados ateus façam proveito delas."

Nota do blog Origens e Destino: Sabemos que a vida sem Deus e sem a crença na imortalidade é absurda, pois não possui propósito, significado e valor. Essa é a vida dos ateus e daqueles que acreditam em Deus e na imortalidade (os "fiéis" do estudo), mas vivem como se eles não existissem.

Segundo o estudo, aparentemente esse absurdo da vida sem Deus e a imortalidade se torna real no subconsciente dos ateus e dos "fiéis" de tal forma que eles "desejam se aproximar" de Deus.

E ao se aproximarem de Deus, os ateus e os "fiéis" "não tem nada a perder e tudo a ganhar", conforme disse Pascal.
Fonte:  Origens e Destino

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