terça-feira, 6 de março de 2012

O poder de cura da oração

A saúde e a religião sempre estiveram relacionadas, principalmente em redes de oração em favor dos doentes. Mas isso realmente ajuda quem está doente? Por muito tempo, a resposta dos religiosos foi que sim. Agora uma pesquisa da Universidade de Brandeis, nos Estados Unidos, mostra que nas últimas quatro décadas os estudos sobre oração intercessora – em favor de pessoas à distância – dizem mais sobre seus pesquisadores do que sobre o verdadeiro poder de cura da oração.

Wendy Cadge, socióloga da Universidade, realizou um estudo com pesquisas médicas sobre a oração intercessora, feitas desde 1965, o primeiro ano em que estudos do tipo foram publicados em jornais médicos nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisadora, a análise é “a primeira a traçar a história social da oração intercessora e a situá-las em seus contextos médicos e religiosos”. Cadge avaliou 18 estudos publicados sobre o assunto, publicados entre 1965 e 2006.

A pesquisadora afirma que os estudos formam um panorama interessante sobre as mudanças religiosas nos Estados Unidos, com a evolução das ideias sobre a relação entre religião e ciência médica. “Não sei por que médicos e cientistas realizaram esses estudos, mas as suas crenças religiosas parecem ter um papel nisso, além da curiosidade”, afirma Cadge. Os estudos mais antigos, conduzidos nos anos 60, se baseavam exclusivamente em religiões protestantes, com mais seguidores, enquanto os mais recentes foram se tornando mais conscientes quanto a outras religiões, e também estudam as orações cristãs, judaicas, budistas, entre outras. Alguns estudos afirmavam que as orações funcionavam, outros diziam que não.

Os pesquisadores que fizeram os estudos aplicavam metodologias científicas para estudar os efeitos da oração intercessora, mas Cadge afirma que a abordagem das pesquisas era cheias de falhas. Por exemplo, os pesquisadores perguntavam qual seria a “dosagem” certa de oração, e questionavam se as pessoas no grupo de controle que não recebiam as orações dos intercessores eram mesmo um grupo válido, já que suas famílias deviam estar rezando por eles.

“Cientistas tentaram ao máximo estudar algo que pode estar muito além dos seus conhecimentos”, afirma a socióloga. “Isso reflete mais sobre eles e suas crenças do que sobre a eficácia da oração”, diz. Pesquisas sobre a oração intercessora têm sido feitas desde o século XIX, quando um cientista britânico fez um estudo para descobrir se reis recebiam mais orações – e mais graças, por consequência. A conclusão foi que não, mas que a oração pode ser uma forma de confortar as pessoas que oram, de qualquer modo.

Fonte: hypescience

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails