sábado, 28 de janeiro de 2012

Mestre em química fala sobre criacionismo e evolucionismo

Apesar de a matéria da revista Veja sobre o evolucionismo ter sido publicada há um mês (11/2), as questões que ela levanta não "esfriam", pois são recorrentes. Ainda mais quando estamos em um ano de festa para os darwinistas. Prova disso, foi o debate promovido pela Globo News, no dia 24 de fevereiro, entre o zoólogo evolucionista Dr. Mário Pinna e o geólogo criacionista Dr. Nahor Neves de Souza Jr. No entanto, o canal por assinatura parece ter sido mais feliz, pelo simples fato de dar espaço para os dois modelos. Com a proposta de também aprofundar a questão, entrevistei a professora Juciane França, que é bacharel e mestre em Química pela UFPR, criacionista de carterinha, e docente do Ensino Médio da Rede Adventista de Educação em Curitiba, PR. Ela é casada com o professor Rodrigo, também químico e criacionista.

A reportagem sugere que o corpo humano apresenta alguns resquícios do processo evolutivo. O temido dente de siso, por exemplo, seria uma evidência de que a nossa mandíbula não cresceu na proporção do nosso crânio. Já o cóccix, na base da coluna, apontaria para um suposto rabo do ancestral do homem. Como você responderia a isso?

No século 19, os órgãos que não tinham sua função plenamente conhecida eram considerados vestigiais. Com o avanço da biomedicina, muitos desses, como os endócrinos e linfáticos, receberam o seu devido valor por se conhecer sua funcionalidade. No caso do cóccix, ele é citado por evolucionistas para "comprovarem" suas teorias, uma vez que não seria possível atribuir uma função para essa estrutura óssea. No desenvolvimento do embrião, o ser humano tem uma cauda de aproximadamente um sexto do seu tamanho. Ao se tornar um feto, ela é absorvida pelo resto do corpo, permanecendo o cóccix. Ele é um pequeno osso que termina a coluna vertebral na parte inferior, tendo muitas funções importantes. Esse osso é responsável pela união de vários músculos pélvicos, formando o diafragma pélvico, que mantém fixos muitos órgãos em nossa cavidade abdominal. Com essas características, e conhecendo algumas de suas funcionalidades, não podemos atribuir o título de vestigial para uma estrutura tão importante. O exemplo do dente de siso já pode ser considerado o que chamamos de microevolução. Devido à mudança na alimentação, podemos dizer que os dentes que antes eram tão necessários quando o ser humano foi originalmente projetado, hoje já não possuem tanta utilidade, prova disso é que alguns seres humanos nunca o terão.

A revista, ao tentar reconstituir o caminho evolutivo do homem, também admite que ele é "cheio de lacunas e braços perdidos" (p.76). Seria essa uma das grandes pedras no sapato dos darwinistas?

Com certeza. Charles Darwin identificou isso como a maior fraqueza em sua teoria. Ele acreditava que fósseis intermediários seriam encontrados. Mas a maioria dos milhares de fósseis que é encontrada se encaixa nos grupos existentes. À medida que mais fósseis são achados, torna-se mais claro que as lacunas entre os principais grupos de organismos são reais, e que as sequências de intermediários, provavelmente, não serão encontradas. Essa evidência tem levado os teóricos evolucionistas a procurar novas maneiras de explicar a evolução dos principais grupos diante do não preenchimento dessas lacunas. Por exemplo, os mamíferos são os vertebrados que apresentam o melhor registro fóssil. Mas, na maioria das ordens, nenhum fóssil documenta a evolução a partir de supostos ancestrais.

Por que a descoberta do DNA, em 1953, é apontada como de grande importância para a aceitação da seleção natural proposta por Darwin? Ela foi cabal para comprovar a evolução?

Com a descoberta do DNA, os cientistas começaram a associar a evolução das espécies com as modificações estruturais no DNA. Para eles, isso já bastaria para comprovar a evolução. Mas não podemos nos esquecer de que o DNA é vulnerável. Nas células humanas, as atividades metabólicas e os fatores ambientais podem causar danos ao DNA. Diariamente, cada célula sofre cerca de 500 mil lesões. Elas causam danos estruturais à molécula de DNA e podem dramaticamente alterar o resultado da transcrição gênica. Consequentemente, o processo de reparo de DNA precisa estar operando constantemente, para corrigir rapidamente qualquer dano à estrutura do DNA. Como podemos então associar esse processo todo à evolução?

Vejamos o exemplo dos cães. Apesar de existirem raças distintas, as diferenças se encontram dentro de um limite. Não vemos cães pesando menos do que alguns quilos ou mais pesados que 80 quilos. Vários criadores, durante anos, tentaram em vão produzir galinhas que botassem mais de um ovo por dia. Vários criadores de cavalos já tentaram aumentar a velocidade de corrida dos cavalos que produzem, mas também não tiveram êxito. A teoria de Darwin exige que as espécies tenham a propriedade de mudar radicalmente em curto espaço de tempo, mas não é isso que as evidências das experiências de reprodução mostram. O que se observa é que há limites bem definidos para as mudanças em cada espécie.

No campo da Química, quais são os principais embates entre evolucionistas e criacionistas?

No primeiro ano do ensino médio, os alunos aprendem sobre os isótopos. E a primeira pergunta que eles fazem é sobre a datação dos fósseis utilizando o carbono 14. Muitos alunos acreditam realmente que o planeta passou por muitas transformações e possui milhões e milhões de anos. Estudando mais sobre o método de datação baseado no carbono 14, percebemos algumas falhas, o que evidencia uma metodologia não precisa e com muitas limitações. O carbono 14 se encontra em equilíbrio na atmosfera terrestre. Mas esse equilíbrio que hoje observamos não é o mesmo equilíbrio que havia na Revolução Industrial, por exemplo. Para se determinar de maneira correta a idade dos fósseis, seria necessário o tratamento prévio da amostra através de descontaminação de carbono 14 superficial. Com esse tratamento preliminar, a datação não passaria de alguns milhares de anos. A grande maioria dos cientistas que utiliza essa técnica de datação não toma o devido cuidado com as amostras, e uma vez que a descontaminação não é feita, elas apresentam milhões e milhões de anos. Uma pequena pesquisa na internet já evidencia essa triste realidade.

Como você trabalha os modelos da evolução e da criação dentro da sala de aula? O ensino do contraste das duas visões é positivo?

Os dois modelos são trabalhados mais amplamente na disciplina de Biologia. Na área da Química, sempre procuro colocar informações sobre pesquisas recentes que façam o aluno decidir sobre seu posicionamento. Um exemplo que utilizo muito é sobre o trabalho do Dr. Robert Gentry, professor e pesquisador do Departamento de Física do Columbia Union College, em Takoma Park, Maryland, EUA. A pesquisa dele envolve os radiohalos de polônio presentes em rochas. Em todos os trabalhos dele, dois deles já publicados na revista Nature e três na revista Science, os dados mostram claramente um planeta Terra muito mais jovem do que afirmam vários pesquisadores que utilizam a datação radiométrica. A diferença cai de milhões e bilhões de anos para milhares de anos. Os trabalhos dele nunca foram seriamente contestados. Com esse tipo de informação, o aluno pode ver que nem sempre o que é cientificamente divulgado é a verdade absoluta. É interessante notar que os alunos criam um senso crítico diante das informações que são passadas. Entendem que não é simplesmente porque uma revista disse isso ou aquilo que se deve acatar como verdadeiro.

Criacionistas e evolucionistas parecem concordar quanto à microevolução e discordar quanto à macroevolução. Por quê?

A microevolução se trata de pequenas mudanças genéticas que ocorrem dentro de uma mesma espécie. Vemos a microevolução em todos os momentos devido à adaptação das espécies ao meio em que vivem. A cada ano, novos antibióticos são lançados no mercado farmacêutico devido à resistência das bactérias aos medicamentos já existentes. Já a macroevolução contemplaria mudanças genéticas tão drásticas que novas espécies distintas seriam formadas. Na Bíblia, não vemos nenhum texto que vá contra a microevolução. Quando analisamos a macroevolução, percebemos que a base para sua comprovação é frágil, uma vez que ela trata de eventos que, presumivelmente, aconteceram num passado distante. Logo, nunca poderão se tratar de ciência precisa, testável e com o mesmo nível de confiança de muitas outras áreas.

Certa vez, o cientista agnóstico Marcelo Gleiser sugeriu que a razão da popularidade do criacionismo entre os brasileiros era a deficiência no ensino da disciplina de Ciências. Em outras palavras, se os alunos entendessem a evolução não a rejeitariam. Você concorda?

Certamente não. Depois de concluir a graduação e o mestrado em Química, é impossível dizer que não existe Deus. Todos os fenômenos químicos, o comportamento dos átomos, estejam eles em sistemas biológicos ou não, mostram uma perfeição infinita através da qual vemos Deus a cada minuto. Cheguei a essa conclusão mesmo estudando em uma instituição secular e praticamente cética.

Você já sofreu algum preconceito ou perseguição no ambiente acadêmico por suas crenças criacionistas?

Sim. No âmbito acadêmico, o pensamento mais seguido é de que o evolucionismo, bem como a teoria do Big Bang, são leis. Essas correntes são tão fortes que até mesmo pessoas que possuem fé altruísta acabam tentando conciliar o criacionismo com a evolução. Como são duas correntes totalmente opostas, elas acabam entrando em contradição. Infelizmente, as pessoas se esquecem de Deus e querem encontrar as respostas somente pela razão. Nos últimos anos acadêmicos, alguns colegas de trabalho me procuravam para tentar me convencer da minha "ignorância". Não conseguiam entender como uma pessoa tão estudada era capaz de acreditar que o mundo foi criado por Deus em sete dias e que Adão e Eva existiram. Às vezes, eu ficava chateada, pois por mais que se tente argumentar, muitos não estão dispostos nem mesmo a reconsiderar sua posição e muito menos escutar a minha. Acham que os criacionistas são totalmente ignorantes. E eu me perguntava: "Os evolucionistas dizem que os criacionistas refutam a ciência e as evidências e os atacam ferozmente. Mas com o comportamento deles, de não respeitar a nossa fé, que diferença eles têm?"

Por: Wendel Lima

Fonte: Outraleitura

4 comentários:

  1. Por que sera que nao vemos cientistas ateus defendendo estas ideias?

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  2. Amigo,Paulo, simplismente isso é uma questão de cosmovisão.

    Aconselho você ler o livro, "Porque a ciência não consegue enterrar Deus". Lá você encontrará muitas respostas, uma delas, o Por que dos cientistas ateus não defenderem estas ideias.

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  3. "Com a proposta de também aprofundar a questão, entrevistei a professora Juciane França, que é bacharel e mestre em Química pela UFPR, criacionista de carterinha, e docente do Ensino Médio da Rede Adventista de Educação em Curitiba, PR. Ela é casada com o professor Rodrigo, também químico e criacionista."

    Creio que tudo se resuma aqui...

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  4. Parei de ler aqui: "A teoria de Darwin exige que as espécies tenham a propriedade de mudar radicalmente em curto espaço de tempo, mas não é isso que as evidências das experiências de reprodução mostram. O que se observa é que há limites bem definidos para as mudanças em cada espécie."
    Amigo, isso não é Darwinismo. Isso é a teoria de Lamark que, inclusive, está sendo revista e ACEITA pela comunidade científica, porque quando você vai na academia e faz seus músculos crescerem está utilizando a chamada "Lei do Uso e Desuso" de Lamark. Comparar a Veja com teorias tão importantes, chamar uma química pra falar de Biologia... Lamentável.

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