terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Design da evolução (ou a roda quadrada)

[Meus comentários seguem entre colchetes. – Michelson Borges] O pai da evolução era um pai ansioso. Poucas coisas causavam mais preocupação a Charles Darwin do que ter de explicar de que modo surgiram algumas das estruturas mais complexas da natureza – o olho, por exemplo. “O olho me deixa arrepiado”, disse a um amigo em 1860. Só agora os biólogos estão começando a entender as origens da complexidade da vida – o refinado mecanismo óptico do olho, a magistral engenharia do braço, a arquitetura de uma pena, a coreografia que torna possível a cooperação de trilhões de células em um único organismo. A resposta básica é óbvia: de uma maneira ou de outra, todas essas maravilhas evoluíram [engenharia, arquitetura, refinamento, coreografia, então, dispensam engenheiro, arquiteto e coreógrafo?]. “O conceito fundamental da evolução é elegante, belo e simples”, diz Howard Berg, um pesquisador da Universidade Harvard que dedicou grande parte dos últimos 40 anos a estudar um dos exemplos mais humildes de complexidade na natureza, a cauda giratória de bactérias ordinárias [isso simplesmente não existe: o núcleo de uma “simples” ameba tem tanta informação quanto a Enciclopédia Btitânica]. “A ideia é simplesmente experimentar, fazer uma alteração e em seguida perguntar: ‘Com isto, a probabilidade de sobrevivência melhora ou piora?’ Em caso negativo, aqueles indivíduos alterados morrem e a ideia desaparece. Em caso positivo, os indivíduos sobrevivem e continua o processo de experimentação e aperfeiçoamento. É um método extremamente poderoso.”

No entanto, quase 150 anos depois de Darwin ter apresentado essa ideia elegante [para uma teoria ser verdadeira não basta ser “elegante”] para o mundo, ao publicar seu livro A Origem das Espécies, a evolução de estruturas complexas pode ainda ser difícil de aceitar [ainda bem que o bom senso ainda existe]. Quase todos nós conseguimos vislumbrar a seleção natural enquanto esta promove mutações em alguma característica simples – tornando mais peludo um animal, por exemplo, ou encompridando seu pescoço [é isso que os criacionistas chamam de diversificação de baixo nível, ou “microevolução”. Isso é um fato observável e aceito por todos, mas é bom lembrar que a microevolução nunca dá origem a novos planos corporais ou órgãos complexos, pois envolveria o acréscimo – a partir do nada – de grande quantidade de nova informação genética complexa e específica]. Mas é bem mais difícil imaginar a evolução produzindo novo órgão complexo, com todas as suas partes precisamente interconectadas. Os adeptos do criacionismo alegam que a vida possui tal complexidade que jamais poderia ser o resultado de uma evolução – é o resultado direto de um “projeto inteligente” concebido por um ser superior. [...]

[Por meio dos fósseis e de análise em laboratório, os cientistas têm feito algumas “descobertas”.] Uma delas é que uma estrutura complexa pode evoluir por meio de uma série de formas intermediárias mais simples [isso é hipótese, já que não se pode observar “ao vivo” um processo que, segundo os darwinistas, ocorre ao longo de milhões de anos]. Outra é que a natureza não gosta nada do desperdício, aproveitando genes velhos para novos usos e até mesmo reaproveitando os mesmos genes de maneiras inovadoras, a fim de construir algo mais complexo [reaproveitamento não explica a necessidade de NOVA informação complexa necessária para a macroevolução, afinal, humanos não teriam vindo de uma “simples ameba”?].

O biólogo Sean Carroll equipara os genes que formam os organismos a trabalhadores da construção civil. “Quem passa por uma construção todos os dias às 6 da manhã, bem que poderia dizer ‘Uau!, é um milagre – o prédio está crescendo sozinho’. Mas, se a pessoa ficar ali o dia todo, observando os operários, acabaria por entender como são feitas as coisas. E aqueles mesmos trabalhadores, usando as mesmas máquinas, são capazes de construir qualquer tipo de prédio.” [Inacreditável como os darwinistas usam ilustrações que apontam para o design inteligente e as torcem para se encaixar em seu modelo naturalista! A evolução é “cega” e não intencional. Trabalhadores de uma construção, ao contrário, seguem um projeto definido e usam muita inteligência e informação para fazer sua obra. Além disso, os materiais complexos de que eles necessitam – como cimento, máquinas e estruturas metálicas – também foram previamente projetados e fabricados.]

Embora uma perna, uma pena ou uma flor sejam de fato estruturas maravilhosas, certamente não surgiram por milagre [como podem usar a palavra “certamente” se isso não é uma certeza? Como podem provar cientificamente que “certamente” isso não foi assim? Como podem submeter ao método científico a filosofia naturalista? Determinar a existência ou não de milagres é algo que foge ao escopo da ciência]. Em cada corpo humano, cerca de 10 trilhões de células – unidades de vida desprovidas de cérebro [mas providas de muita informação complexa e específica] – interagem umas com as outras de modo a formar um todo unificado. Para a bióloga Nicole King, trata-se de “uma dança complexa” [quem predeterminou os passos dessa “dança” a fim de que o conjunto não desandasse?], que requer organização e comunicação ininterruptas [organização não depende de um organizador? Na natureza, o comum não é a tendência à desordem? E comunicação não depende de uma fonte de informações que serão comunicadas?]. E isso começou há mais de 600 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], quando organismos constituídos de uma única célula deram origem aos primeiros animais multicelulares, um grupo que hoje inclui criaturas tão diversas quanto as esponjas-do-mar, os besouros e os seres humanos [é fácil resolver isso com palavras e ideias metafísicas, difícil é provar cientificamente]. [...]

“Descobertas sugerem que muitas das ferramentas necessárias para a construção de um corpo multicelular já estavam presentes em nossos ancestrais unicelulares [de onde vieram?]. A evolução tomou emprestadas tais ferramentas para fazer algo diferente: construir corpos cada vez mais elaborados [a evolução é bem inteligente, não acha?].

Uma larva de mosca em desenvolvimento parece tão desprovida de características quanto um grão de arroz. Mas ela já contém um mapa da complexa criatura em que vai se transformar. No interior da larva, encontram-se diversas combinações de genes, os quais a dividem em compartimentos invisíveis. Esses genes ativam outros genes que atribuem a cada compartimento uma forma e uma função: alguns viram pernas, outros se transformam em asas e outros ainda em antenas. A anatomia invisível torna-se visível. [E o que é isso senão design inteligente?! De repente, parece que estou lendo um texto criacionista...]

As moscas não são os únicos animais cujo corpo se forma desse modo. Os cientistas descobriram que os genes responsáveis por definir o projeto do corpo da mosca possuem equivalentes quase idênticos em muitos outros bichos, desde caranguejos, passando por minhocas e lampreias, até os próprios seres humanos. Essa descoberta foi inesperada, pois esses animais possuem corpo muito diferente. Mas agora os cientistas em geral concordam que o ancestral comum de todos esses seres – uma criatura parecida com um verme que viveu há estimados 570 milhões de anos – já possuía um conjunto básico de genes associados ao projeto do corpo. Em seguida, seus descendentes usaram tais genes para desenvolver novos tipos de corpo. [Quanta especulação! Então o “ancestral comum” desconhecido de todos os seres vivos já dispunha de elaborado projeto e potencial evolutivo apenas aguardando a emergência dos inúmeros seres vivos que adviriam dele? Ele não precisava desses genes (então por que “surgiram”?), mas os estava guardando para seus descendentes. O fato de vários seres vivos tão diferentes possuírem genes semelhantes para funções semelhantes revela ao criacionista as digitais do Projetista, a assinatura do Designer, e não parentesco evolutivo. Uma coisa é o fato observável, outra é a interpretação dele.] [...]

Charles Darwin estava bem familiarizado com a refinada estrutura do olho – o modo como a lente está posicionada para focalizar a luz sobre a retina, a maneira como a íris controla a quantidade de luz que entra no olho. Na época parecia que um olho de nada serviria caso sua estrutura apresentasse alguma imperfeição. Em A Origem das Espécies, Darwin escreveu que a ideia de a seleção natural ter produzido o olho “parece, não temo confessar, absurda no mais alto grau”.

No entanto, o fato é que o olho está longe de ser perfeito. Nos seres humanos, a retina está presa de forma tão precária no fundo do olho que basta um golpe mais forte na cabeça para que se descole. Suas células de captação da luz estão voltadas para dentro, para o cérebro, e não para o orifício de entrada da luz. E o nervo óptico começa diante da retina e em seguida passa através dela a fim de alcançar o cérebro. O local em que o nervo óptico atravessa a retina é o ponto cego na visão. A evolução, com todos os tropeços, foi a responsável pelo desenvolvimento do olho. [Outra interpretação forçada dos fatos. Confira por que aqui.] [...]

Os insetos e os seres humanos recorrem aos mesmos genes para controlar no embrião a transformação das células em fotorreceptores. E ambos os tipos de fotorreceptor captam a luz graças a moléculas conhecidas como opsinas. [Por que o Criador desenvolveria processos totalmente diferentes para usos e funções iguais? Nem os seres humanos fazem isso. Repito: funções iguais revelam a assinatura do Designer e não necessariamente ancestralidade evolutiva.] [...]

[conclusão:] Os olhos primitivos eram provavelmente muito semelhantes aos que hoje achamos em criaturas marinhas gelatinosas, como os tunicados: pequenas cavidades revestidas de células fotorreceptoras, suficientes para detectar a luz e informar de onde ela vem. Porém, esses olhos simplificados são obra dos mesmos genes que formaram os nossos olhos, e dependem das mesmas opsinas para a captação da luz. [Curiosamente, nossos olhos e os de outros seres vivos “evoluíram” para se tornar essa maravilha óptica, ao passo que os “olhos” dos tunicados continuam os mesmo há supostos milhões de anos.]

Em seguida, a evolução recorreu aos mesmos genes para modelar olhos mais sofisticados, que em algum momento acabaram adquirindo [onde “compraram”?] uma lente capaz de transformar os raios luminosos em imagem. A lente, o cristalino, é feita de proteína translúcida que desvia os raios de luz como se fosse “vidro protéico”, nas palavras de um cientista. E já se comprovou que as proteínas do cristalino existiam bem antes de a evolução aproveitá-las para aperfeiçoar o olho [!]. Elas estavam apenas encarregadas de outras tarefas. [Ok, mas vieram de onde? E mais: De que adiantaria dispor de um “vidro protéico” capaz de produzir imagens do mundo externo se o cérebro ainda não dispusesse de neurônios especializados na visão? E o que “surgiu” primeiro: as estruturas do olho ou os neurônios da visão? Tudo ao mesmo tempo, ou foi uma sucessão de felizes mutações aleatórias selecionadas?]

Os cientistas detectaram uma dessas proteínas translúcidas, por exemplo, no sistema nervoso central das ascídias. Porém, neste caso, em vez de formar uma lente, elas são parte de um órgão de detecção da gravidade. É possível que uma mutação tenha feito com que células no primitivo olho dos vertebrados também formassem o cristalino. Ali elas acabaram fazendo algo novo e extraordinariamente útil: pôr o mundo em foco. [Esse “mundo em foco” não seria inteligível caso não existissem neurônios para fazer essa decodificação das imagens.] [...]

Em termos de engenharia, é difícil superar a pena de voo das aves. A partir de um eixo central, o raque, nascem centenas de filamentos, denominados barbas. Estas, por sua vez, produzem filamentos menores, as bárbulas, das quais algumas possuem sulcos e outras ganchos, que unem as barbas com o mesmo sistema do velcro. Com isso criam uma superfície plana e leve que torna possível o voo. Quando as aves afastam as penas umas das outras para limpá-las, as barbas grudam de novo sozinhas quando voltam a se encostar. [...] Todas essas estruturas têm a mesma origem nas prosaicas escamas dos répteis [depois o artigo luta para nos convencer disso com base em mais especulações].

Como tantos outros cavalheiros vitorianos, Charles Darwin tinha especial predileção pelo cultivo de plantas. Ele lotou sua estufa com dróseras, prímulas e apanha-moscas. Também tinha orquídeas, enviadas dos trópicos. E, no entanto, como escreveu a um amigo em 1879, para ele as flores continuavam sendo “um mistério abominável”.

Darwin estava se referindo ao súbito e inesperado surgimento das flores nos registros fósseis. E o que tornava ainda mais abominável o mistério era a requintada complexidade das flores. Tipicamente, estas possuem verticilos de pétalas e sépalas em torno dos órgãos sexuais masculinos e femininos das plantas. Muitas também produzem pigmentos brilhantes e néctar adocicado para atrair os insetos, responsáveis pelo transporte do pólen entre uma flor e outra.

Atualmente o mistério das flores já não é tão abominável, mas ainda restam dúvidas. É possível que as primeiras flores tenham se desenvolvido depois que as plantas florescentes se separaram de seus parentes vivos mais próximos, as gimnospermas – um grupo que inclui os pinheiros e outras coníferas, as cicadáceas e os gincos –, que produzem sementes, mas não florescem.

Algumas das pistas mais importantes dessa transição estão nos genes que atuam toda vez que há florescimento em uma planta. Sabe-se agora que, antes de uma flor adquirir sua forma, conjuntos de genes demarcam um mapa invisível na extremidade do estame – o mesmo tipo de mapa existente nos embriões de animais.

Como muitas vezes ocorre no caso de estruturas complexas, os genes que formam as flores são mais antigos que as próprias flores. As gimnospermas possuem genes de florescimento mesmo que não produzam flores. Os cientistas ainda precisam determinar a função de tais genes nas gimnospermas, mas a presença deles indica que provavelmente já existiam no ancestral comum das gimnospermas e das plantas florescentes. [Você captou o problema? O surgimento repentino no registro fóssil de uma estrutura complexa como as flores continua sendo um mistério (à semelhança do que ocorre com o trilobita). Então os cientistas teorizam que as plantas com flores evoluíram a partir das que não as têm, as gimnospermas. Depois dizem que, como as gimnospermas têm um gene semelhante ao que promove o florescimento, o enigma estaria resolvido. Não estaria, pois permanece o fato de que um órgão complexo, sem evidência de ancestrais mais simples, surge repentinamente no registro fóssil. Aliás, complexidade é o que se observa em todo o registro fóssil, de alto a baixo.] [...]

Darwin também argumentou que as características complexas podem degenerar ao longo do tempo. Os avestruzes descendem de aves voadoras, por exemplo, mas suas asas se tornaram inúteis ao vôo à medida que se transformaram em corredores em tempo integral. [Na verdade, este parece ser o padrão na natureza: degeneração. Os resquícios genéticos encontrados em certos seres vivos e tidos como evidência de ancestralidade e evolução não seriam, na verdade, evidência dessa degeneração?] [...]

[O título original desta matéria publicada na National Geographic é “Design da evolução”, mas bem poderia ser “A roda quadrada”, pois é igualmente autocontraditório. - Michelson Borges]

Fonte: Criacionismo e National Geographic

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