quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Nobel de química vai para cristal que "não deveria existir"

O pesquisador israelense Daniel Shechtman venceu o Prêmio Nobel de Química de 2011 por suas descobertas de materiais cristalinos não periódicos, anunciou nesta quarta-feira o comitê Nobel.

Segundo o anúncio da Real Academia Sueca de Ciência, o vencedor "modificou fundamentalmente a concepção de um sólido para os químicos" com os resultados de sua pesquisa em 1982. Os padrões encontrados nos quasicristais estudados são ordenados, infinitos e nunca se repetem.

"Ao contrário da crença anterior de que os átomos se distribuíam dentro de cristais em padrões simétricos, Shechtman mostrou que os átomos em um cristal podem estar em um padrão que não se repete", disse. "A descoberta foi extremamente controversa".

O israelense, de acordo com o comitê, teve que sair de seu grupo de pesquisa por defender suas conclusões, mas, eventualmente, outros cientistas se viram obrigados a reconsiderarem suas concepções sobre o assunto.

Os quasicristais, em sua maioria, são artificialmente criados quando um metal derretido é esfriado rapidamente em uma superfície giratória. Sua estrutura dificulta a propagação de ondas, o que define as características fisico-químicas dos materiais.

O material é um mau condutor de calor e eletricidade, tem baixo coeficiente de fricção e aderência, mas é altamente resistente e, por isso, bom de ser usado em ambientes extremos.

Segundo comitê, uma companhia sueca percebeu que eles eram um dos tipos mais duráveis de metais, usados atualmente em produtos como lâminas de barbear e agulhas muito finas para procedimentos cirúrgicos oculares. O material também está sendo testado para frigideiras e motores a diesel. Em 2009, foram descobertos quasicristais na natureza pela primeira vez.

Shechtman é professor do Instituto de Tecnologia de Israel em Haifa.

Fonte: Folha on line

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