segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Evolução da química levou à criação de aromas sofisticados

O uso de aromas, presentes em desodorantes, cremes, xampus e perfumes, faz parte da história da humanidade. Mas a produção de cheiros de hoje só foi possível com a evolução da química.

As primeiras formas de aromatização eram feitas pela simples fumigação de ervas. Essa técnica fazia parte das cerimônias religiosas.

"Acreditava-se que Deus estivesse no ambiente, mesmo sem ser visto, assim como os cheiros", explica João Braga, professor de história da moda da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).

Os aromas feitos a partir de ervas como a mirra --um dos presentes que teriam sido dados a Jesus-- faziam parte de rituais desde o Egito Antigo. Lá, surgiram também as primeiras formas de perfumar-se por meio de pastas.

"Havia diferentes aromas para cada parte do corpo. Mas os líquidos dessas pastas eram muito voláteis", conta a química Claudia Rezende, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ela coordena o Ano Internacional da Química no Brasil.

'ALQUIMIA'

Com o processo de destilação (separação da água e do álcool), aperfeiçoado no século 14, o perfume ficou independente dos banhos. Nessa época, as ervas para culinária, religião e perfumes se confundiam.

No século 16, os últimos alquimistas europeus --químicos da época-- aperfeiçoaram a condensação do vapor de ervas em ebulição para extração dos óleos essenciais --a base dos perfumes.

"Isso deu um salto na história dos perfumes", explica Humberto Bizzo, que pesquisa óleos essenciais na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Desde então, a vida de personagens históricos foi marcada também pelos cheiros. Um deles é Napoleão Bonaparte, líder da revolução francesa no século 18. Ele usava uma fragrância como a atual "Água de Colônia".

Apesar de adepto de cheiros, um perfume teria tirado Napoleão do sério: o de sua ex-mulher, Josefina. Ela teria impregnado o quarto dele com seu forte aroma antes de deixar sua casa.

A popularização dos perfumes aconteceu no século 19, com o avanço da química e o crescimento da indústria. Mas os perfumes não deixaram de ser itens "de luxo" e passaram a ter uma uma relação cada vez mais próxima com a moda. "O sensorial é uma das formas de convencimento de consumo", lembra Braga.

Mas o odor é importante também para a sobrevivência. Serve, por exemplo, para identificar comida estragada. "É um alerta para o sistema de defesa", diz Rezende.

Hoje, a química se ocupa buscando moléculas, reproduzindo-as sinteticamente e criando fixadores.

Os perfumistas trabalham com um universo limitado, mas grande, de substâncias: são cerca de 3.000 matérias-primas. A arte é fazer uma combinação delas.

"Além disso, há prospecção de novas substâncias na natureza e no laboratório", lembra Bizzo, da Embrapa. Ele, por exemplo, está em busca de novos aromas no cerrado brasileiro.

Fonte: Folha.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails