sexta-feira, 25 de março de 2011

O que mostra o melhor exemplo de “evolução”?

Desde a época de Darwin, os biólogos reconhecem a evolução da vida. Porém, nos últimos 25 anos, alguns pesquisadores argumentam que certos organismos são melhores em evoluir do que outros pelas diferenças de seus genomas. As espécies com menos probabilidade de evoluir, em contraste, são rígidas demais para tirar vantagem das novas mutações ou para encontrar novas soluções para a sobrevivência. Muitos biólogos concordam que a capacidade de evoluir faz sentido na teoria. No entanto, encontrar evidências no mundo natural tem se mostrado difícil. Parte do problema é que a seleção natural pode levar um longo tempo para agir numa espécie. Também é difícil para os pesquisadores identificarem as mutações por trás da evolução. Mas na edição mais recente da Science, uma equipe de pesquisadores relata um exemplo detalhado sobre a capacidade evolutiva em ação, que ocorreu bem diante de seus olhos num laboratório. “Acho um trabalho brilhante”, diz um dos pesquisadores líderes sobre a capacidade evolutiva, Massimo Pigliucci, professor do Lehman College no Bronx, Nova York.

O novo estudo surgiu a partir do experimento contínuo mais duradouro sobre a evolução, iniciado em 1988 quando Richard E. Lenski, hoje na Universidade do Estado de Michigan, colocou em 12 frascos cópias idênticas de Escherichia coli. Ele e seus colegas cultivaram a bactéria com uma dieta escassa de glicose desde então. Ao longo das 52 mil gerações, a bactéria se adaptou ao ambiente peculiar. A cada 500 gerações, Lenski e seus colegas congelam algumas das bactérias, que podem ser aquecidas para serem comparadas a seus descendentes evoluídos [melhor seria dizer “adaptado”].

Lenski e seus colegas selecionaram uma das 12 linhagens para um estudo mais próximo. “Queríamos rastrear a ordem nas quais as mutações apareciam e tirar um sentido disso”, conta. Os cientistas observaram que, após 500 gerações, dois tipos de E. coli eram dominantes no frasco, cada uma com um conjunto distinto de mutações. No entanto, após mil gerações, apenas um tipo permaneceu. Lenski e seus colegas o batizaram de “ganhadores”.

Eles quiseram demonstrar o curso dessa vitória sobre os perdedores e aqueceram ambos os tipos da 500ª geração, e fizeram com que competissem entre si. Os cientistas esperavam que o resultado fosse uma conclusão inevitável: os vencedores já estariam mostrando sua superioridade. Ainda assim, o experimento foi feito em nome da exatidão. “Queríamos colocar os pingos nos is”, explica Lenski.

Para surpresa dos pesquisadores, eles estavam errados. Na 500ª geração, os supostos perdedores eram muito superiores, crescendo 6,5% mais rápido do que os que seriam vencedores. Nesse ritmo, eles levariam os supostos vencedores à extinção em 350 gerações. [...]

(Folha.com)

Nota: Antes de mais nada, é bom destacar o fato de que a pesquisa acima lida apenas com a diversificação de baixo nível (“microevolução”), já que, depois de milhares de gerações, as bactérias continuam sendo bactérias. Como sempre, falta esclarecer ao leitor o que os cientistas e os jornalistas querem dizer quando empregam o termo “evolução”. Além disso, a admissão inicial de que “encontrar evidências [de evolução] no mundo natural tem se mostrado difícil” é bem-vinda.[Michelson Borges]

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