terça-feira, 1 de março de 2011

Jovens vegetarianos precisam ficar de olho no que colocam no prato

Enfrentando os preconceitos que ainda existem contra vegetarianos (seriam hippies tardios, fracotes) e a pressão dos pais (meu filho vai ficar anêmico?), um grupo crescente de jovens tem optado por não comer animais, movidos mais por questões éticas e ambientais do que de saúde.

Pesquisa da Escola Superior de Propaganda e Marketing no final de 2010 contabilizou 4% de vegetarianos entre jovens de São Paulo e Rio, das classes A, B e C. Nos EUA, um em cada cinco universitários já aboliu a carne.

Segundo Johathan Safran Foer, autor de "Comer Animais", "virou um fenômeno político. Quando eles se tornarem jornalistas e políticos, o ponto de vista sobre a questão da carne vai mudar completamente", diz.

É nas redes sociais, em eventos como a Verdurada (festival de música com comidinhas sem carne), ou na base da curiosidade que os novos vegetarianos se viram.

A estudante Ana Carvalho, 15, parou de comer carne há três anos e começou a se encher de pão e doces. No fim de 2009, estava anêmica. Foi um drama. A mãe queria porque queria que ela parasse com aquela história. E Ana concordou em voltar aos bifes. "Só por seis meses." Assim que o sangue voltou ao normal, ela -de novo- aboliu a carne. "Agora, sigo a dieta indicada por uma médica, com soja, beterraba, cenoura e verduras. Estou ótima", diz.

Segundo o nutrólogo e hebiatra Mauro Fisberg, docente da Universidade Federal de São Paulo, "aprender com os amigos não basta; é importante procurar a ajuda de um médico ou nutricionista para uma dieta equilibrada".

"Quando parei de comer carne, parecia que eu é que era a aberração", diz Thiago Vasconcelos, 18. Nem a mãe dispunha-se a cozinhar para ele. "Eu já sabia cozinhar de forma péssima. Aí, tive de melhorar para ruim."

Muitos vegetarianos são obrigados a aprender a cozinhar, já que ainda há poucas opções nos restaurantes.

Mas conforme tornam-se mais importantes na demografia, grandes indústrias passam a cobiçar o novo mercado. A Perdigão, por exemplo, já oferece produtos como salsicha e hambúrguer de soja. Outras empresas vêm com quibes e linguiças vegetais, bife de glúten e até os inacreditáveis glutadela (mortadela de glúten) e tofupiry (requeijão de tofu).

Já que essa geração de vegetarianos tem mais problemas com os maus-tratos da indústria do abate e seu ônus para o planeta do que com o gosto da carne em si, dá-lhe imitação. "Adoro os industrializados", diz Iran Pereira, 21, da banda Still Strong. É um vegetarianismo muito além das abobrinhas.
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Fonte: Folha.com

Leia também: A carne como alimento, Consumo de carne e desmatamento e Quanto custa um quilo de carne?

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