quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Peixe “evolui” para sobreviver no meio de toxinas

A maioria das pessoas pensa que a evolução ocorre ao longo de centenas ou milhares de anos, mas não é o que aconteceu com um peixe dos Estados Unidos. Bastaram 50 anos para que a espécie, parecida com um pequeno bacalhau, evoluísse [sic] com o propósito de se tornar mais resistente às toxinas que poluem o rio Hudson. “Estamos falando de uma evolução muito rápida”, comenta o professor de medicina ambiental da Escola de Medicina da Universidade de New York, Isaac Wirgin. Segundo Wirgin, autor de um estudo publicado na versão on-line da Science, a variação de um gene garantiu ao peixe uma resistência ao bifenilpoliclorado (PCB), substância tóxica e cancerígena. O peixe se tornou capaz de acumular grandes quantidades da química industrial sem necessariamente morrer ou ficar doente.

O rio Hudson recebeu durante 30 anos altas doses de PCB - a substância foi identificada pela primeira vez nas suas águas em 1947 - e ainda continua sob processo de limpeza. “A questão seguinte é como eles fazem isso”, comenta Adria Elskus, especialista que estuda a resistência de peixes a PCBs, mercúrio e outras dioxinas.

Uma segunda pergunta, feita pelo cientista que realizou o estudo, é sobre a contaminação de PBC por outras espécies, já que o pequeno bacalhau serve de comida para peixes maiores. Isso significa que há transferência da toxina pela cadeia alimentar e possivelmente para o homem.

(Folha.com)

Nota 1: É o velho sensacionalismo ultradarwinista em ação. É preciso pontuar algumas questões, depois de se ler uma matéria enviesada como essa: (1) Sobre o que o autor do texto e os entrevistados estão falando quando usam a palavra “evolução”? O que fica no subconsciente das pessoas e vem à tona quando leem reportagens como essa é aquela figura dos hominídeos “evoluindo” para se tornar humanos ou a ideia da macroevolução de uma célula até uma ave passando por um réptil. Só que o que ocorreu com peixe do rio Hudson é semelhante ao que ocorre com bactérias que adquirem resistência a antibióticos, ou seja, sofrem algum tipo de mutação (microevolução), mas não deixam de ser bactérias, assim como o peixe não deixou de ser peixe. (2) A própria matéria acima admite que o peixe sofreu “variação”, portanto, não houve qualquer acréscimo de informação genética capaz de dar origem a um novo órgão complexo e funcional, o que seria de esperar, caso a macroevolução fosse um “fato” científico e não um mito naturalista. (3) Parece que a capacidade de acumular grandes quantidades de toxinas não pertence apenas ao pequeno bacalhau, mas também aos peixes que se alimentam dele. Não seria essa uma característica já presente em todos esses peixes e manifestada no momento em que dela precisaram? Portanto, afirmar que essa adaptação se trata de “evolução” (e nós sabemos o que eles querem dizer com essa palavra) é forçar a barra. Pra variar.[Michelson Borges]

Nota 2: O que ocorreu com esse peixe foi uma base mecanicista de resistência ao PCB por meio de uma mutação adaptativa com perda de função em um local, resultante de deleção de seis bases em um gene particular, o AHR2. Não houve macroevolução, e a microevolução que ocorreu foi perda de função, e não de acréscimo de informação genética.

Excerto da pesquisa que destaca isso:

The mechanistic basis of resistance of vertebrate populations to contaminants, including Atlantic tomcod from the Hudson River (HR) to polychlorinated biphenyls (PCBs), is unknown. HR tomcod exhibited variants in the aryl hydrocarbon receptor2 (AHR2) that were nearly absent elsewhere. In ligand binding assays, AHR2-1 protein (common in HR) was impaired compared to widespread AHR2-2 in binding TCDD (2,3,7,8-tetrachlorodibenzo-p-dioxin) and in driving expression in reporter gene assays in AHR-deficient cells treated with TCDD or PCB126. We identified a six-base deletion in AHR2 as the basis of resistance and suggest that the HR population has undergone rapid ev olution probably due to contaminant exposure. The mechanistic basis of resistance in a vertebrate population provides evidence of evolutionary change due to selective pressure at a single locus.

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