quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Livros sobre ateísmo têm mais divulgação no Brasil

No campo do neoateísmo militante, quatro autores se destacam com livros amplamente divulgados e publicados no Brasil:

Deus, um Delírio, do biólogo Richard Dawkins. Embora não seja unanimidade entre os ateus, o “devoto de Darwin” (na definição da revista Veja) é um dos maiores expoentes do neoateísmo. Em seu estilo estridente, Dawkins protesta contra o que ele considera uma das maiores irracionalidades humanas: a crença em Deus. À semelhança de seus pares neoateus, ele também aponta os crimes cometidos em nome da religião como exemplos dos efeitos dessa irracionalidade. Para o biólogo, a religião – qualquer tipo – não merece respeito especial, e ele compara a educação religiosa de crianças ao abuso infantil (embora faça algo semelhante). Seu livro assume caráter panfletário ao admitir que visa a estimular os ateus a se pronunciarem publicamente, e quem sabe até converter alguns crentes em ateus. Ele escreveu: “Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem” (p. 23).

A Morte da Fé – Religião, terror e o futuro da razão, do escritor e filósofo Sam Harris. Vencedor do PEN/Martha Albrand Award de 2005, Harris denuncia o perigo representado pelo relativismo cultural e pela tolerância aos fundamentalismos. O autor menciona os horrores da Inquisição, do antissemitismo e das “guerras santas” como exemplos dos riscos para os quais procura chamar atenção. A proposta de Harris consiste na abolição de todas as religiões dogmáticas e sua substituição pelo autoconhecimento.

Deus Não é Grande, do jornalista e escritor Christopher Hitchens, sustenta que o conceito de Deus é um reflexo do medo da morte. Tonitruante como Dawkins, porém ainda mais ácido, Hitchens ecoa a ideia de que Deus não criou o homem à sua imagem, mas o contrário. Segundo ele, as religiões têm adiado o desenvolvimento da civilização e “envenenam tudo”. Diferentemente de Dawkins, que aponta suas armas para a Bíblia, Hitchens procura fulminar também o Corão e a religião muçulmana, mas sempre partindo de sua área de conhecimento: o jornalismo (em lugar da biologia, por exemplo, como é o caso de Dawkins).

Quebrando o Encanto – A religião como fenômeno natural, do filósofo ateu e estudioso da teoria da evolução Daniel Dennett. O livro pretende ser, segundo o autor, um “guia do consumidor religioso”. Em lugar de negar a religião, Dennett busca quebrar seu poder de encanto, seu feitiço sobre as massas. Ele fala sobre bons e maus “encantamentos”, e considera a religião – bem como o alcoolismo e a pornografia infantil – como estando na segunda categoria. A obra pode ser encarada como um alerta contra o que, para ele, é o pior produzido pela religião: fanatismo, intolerância e perda da autonomia individual. Detalhe: o texto é dirigido ao público norte-americano pós-atentados do 11 de Setembro e deve ser compreendido nesse contexto.

Os críticos desse ateísmo fundamentalista não demoraram a reagir e produziram, também, suas obras, poucas delas publicadas no Brasil:

Para conhecer o pensamento neoateísta e seus principais argumentos, é bastante útil o livro God and the New Atheism – A critical response to Dawkins, Harris, and Hitchens, do professor de Teologia Sistemática e ex-presidente do Departamento de Teologia da Universidade de Georgetown, John F. Haught.

O Delírio de Dawkins, escrito pelo ex-ateu e também professor em Oxford (como Dawkins) Alister McGrath (em co-autoria com a esposa Johanna), desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath mostra que Dawkins abraçou o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista, e em apenas 156 páginas desconstrói os argumentos que Dawkins expôs em mais de 500.

Vale a pena conferir também os livros Ansewering the New Atheism – Dismantling Dawkins’ case against God, de Scott Hahn e Benjamin Wiker, e Um Ateu Garante: Deus Existe, do filósofo Antony Flew, considerado o maior ateu do século 20.

Pesquisei esses livros (e outros) durante meu mestrado em teologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Vale a pena e é recomendável contrastar todos os argumentos antes de assumir qualquer posição sobre o assunto.

(Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia)

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