quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Descoberto “segundo cérebro” no aparelho digestivo

Carlos costuma dizer que sente “um nó no estômago” quando está angustiado ou muito estressado e sente a barriga encolher. Sebastião afirma que está “se remoendo por dentro” quando enfrenta uma situação de dúvida ou incerteza ou está simplesmente muito curioso por algo. Provavelmente você mesmo já tenha mencionado alguma vez que sente “borboletas no estômago” para explicar as cócegas causadas pela presença de uma pessoa que o atrai ou o nervosismo prévio a um encontro com alguém por quem está apaixonado. Essas e outras sensações na região do aparelho digestivo, que aparentemente têm algum vínculo com os sentimentos, podem ter uma explicação científica segundo o médico Michael Gershon, pesquisador da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e autor do livro The Second Brain (O Segundo Cérebro).

O segundo cérebro de Gershon está na região do corpo chamada sistema nervoso entérico, formado por uma série de camadas de células nervosas localizadas nas paredes do tubo intestinal e que contém cerca de 100 milhões de neurônios. Nesse sistema estão presentes todos os tipos de neurotransmissores - substâncias químicas que transmitem os impulsos nervosos entre os neurônios e os nervos - que existem no encéfalo craniano, como a serotonina, cuja maior concentração se encontra justamente na região intestinal.

Esse pequeno cérebro estomacal tem uma conexão direta com o cérebro de verdade, e determina, ele também, em certa medida, o estado mental da pessoa. Também desempenha um papel-chave em certas doenças que afetam outras partes do organismo, como a maioria dos transtornos de intestino, desde a síndrome do intestino irritado até as doenças relacionadas com a inflamação intestinal e a prisão de ventre da terceira idade.

De acordo com Gershon, “o sistema nervoso entérico fala ao cérebro e este órgão responde. O intestino pode afetar o estado de ânimo, e a estimulação do nervo principal, chamado vago, que conecta o cérebro com o intestino, pode ajudar a aliviar a depressão e a tratar a epilepsia”.

O estômago não é a única parte do aparelho digestivo que mantém um vínculo com o cérebro. De acordo com outro estudo, de cientistas canadenses, a flora intestinal também se relaciona com a conduta e a memória. Segundo a pesquisa, comandada pelo médico Stephen Collins, professor da Faculdade de Ciências da Saúde na Universidade McMaster, em Ontário, as bactérias que formam a flora intestinal são capazes de se comunicar com o cérebro, além de poderem ter um papel importante no combate a algumas doenças de estômago.

Segundo Collins explicou à publicação especializada Diário Médico, a evidência obtida até agora “reforça a teoria de que as bactérias se comunicam com o cérebro e têm um efeito em algumas de suas funções”. [...]

Collins e sua equipe acreditam que "as mudanças nas bactérias poderiam explicar, em grande medida, os problemas físicos e de conduta sofridos pelas pessoas afetadas pela síndrome do intestino irritado, uma doença inflamatória intestinal”. Entre 60% e 80% das pessoas que sofrem dessa desordem gastrointestinal sofrem de estresse, ansiedade e depressão também. Até há alguns anos se pensava, inclusive, que em muitos dos casos o problema poderia ser tratar como uma doença psicossomática.

(Época)

Nota: Essa pesquisa deixa mais evidente a correlação entre “estado de espírito” e alimentação/estilo de vida. Há um século, Ellen White escreveu: “As coisas que perturbam a digestão têm uma influência entorpecente sobre os sentimentos mais delicados do coração” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 298); “Alimentos cárneos, manteiga, queijo, ricas massas, alimentos temperados e condimentos são usados livremente, por adultos e jovens. Esses artigos fazem sua obra em perturbar o estômago, estimulando os nervos e enfraquecendo o intelecto” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 236); “O chá, o café, os condimentos, os doces, as pastelarias, todos constituem causas ativas de perturbações da digestão. O alimento cárneo também é prejudicial. Seu efeito, por natureza estimulante, deveria ser argumento suficiente contra o seu uso, e o estado doentio quase geral entre os animais torna-o duplamente objetável. Tende a irritar os nervos e despertar as paixões, fazendo assim com que a balança das faculdades penda para o lado das propensões baixas” (Educação, p. 203). Note também como, à luz da reportagem acima, este salmo se torna ainda mais significativo: “Quando o coração se me amargou e as entranhas se me comoveram” (Salmo 73:21). A ciência avança, mas a revelação já estava lá na frente.[Michelson Borges]

NOTA do blog Ciência e Fé: Vale à pena ler também O CÉREBRO DESCONHECIDO, Dr. Helion Póvoa revela as incríveis potencialidades terapêuticas desse órgão, cuja importância vem sendo resgatada pelos médicos, nas últimas décadas.

Desde o século 19, o intestino é reconhecido como órgão autônomo, capaz de executar funções independentemente de estar conectado ao sistema nervoso central. É o intestino que seleciona, entre o que comemos, o que é ou não útil. Alguns fatores, porém, como uso de antibióticos, podem tornar a mucosa intestinal mais permeável, absorvendo elementos prejudicias à saúde, como os radicais livres.

O sistema gartintestinal é o local onde mais se produz radicais livres — até porque tudo o que comemos vai parar neste órgão.

Alergias, diabetes, câncer e doenças cardiovasculares também estão associados a perturbações na dinâmica das enzimas, hormônios e neurotransmissores que atuam no sistema gastrintestinal. Se algo vai mal com o intestino — como uma prisão de ventre —, as chances de efeitos colaterais são grandes.

Desta forma, o corpo humano possuei dois cérebros: um na cabeça (que lhe permitia encontrar meios de sobrevivência e garantir a reprodução da espécie) e o intestino, que ficaria responsável pelos processos vitais de digerir e absorver alimentos.

Dr. Helion Póvoa é um dos maiores especialistas na área de nutrição e bioquímica do país. Ex-aluno de Linus Pauling, trouxe para o Brasil a medicina ortomolecular. Membro da Academia Nacional de Medicina, pesquisador da Fiocruz e professor-visitante de Nutrição em Harvard, Póvoa possui inúmeros trabalhos publicados no exterior. É autor de A chave da longevidade, também publicado pela Objetiva.

Neste livro, Dr. Helion Póvoa contou com a colaboração da nutricionista Luciana Ayer, do psiquiatra Juarez Callegaro e da imunologista Claudia Calixto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails