sábado, 3 de abril de 2010

O Beijo da traição


“O traidor tinha lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendeio-o e levai-o com segurança... o chamado Judas aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus, porém lhe disse: Judas, com um beijo trais o filho de Deus?” Marcos 14:44 e Lucas 22:47 e 48

O ato de tocar os lábios na face de alguém é, sem dúvida, a melhor forma de demonstrar um profundo sentimento para com o próximo. O beijo tem o poder de transmitir paz, ternura, amor e companheirismo. Contudo, o ato de oscular nem sempre transmitiu esses significados. Há dois mil anos, pouco antes da páscoa, ocorreu um famoso caso de traição. Judas Escariotes, por trinta moedas de prata - o preço de um escravo - decide, com um beijo vender Jesus para os sacerdotes e escribas. Naquele instante, um dos mais belos e expressivos de todos os sentimentos veio a baixo.

Diante disso, é inevitável que se faça a pergunta: Qual seria, afinal de contas, o motivo que fez Judas trair o filho de Deus? Que coração poderia conceber tal ato?

Ao examinarmos detalhadamente a vida do discípulo traidor, percebemos que Judas aproximou-se de Jesus por interesses próprios, acreditando que o reinado que tanto Jesus pregava, seria na terra. Assim, foi ser o tesoureiro dos discípulos. Porém, subtraía, às escondidas, dinheiro para uso próprio. Julgava-se como financista, ser superior aos condiscípulos. Era avarento, invejoso, egoísta e tinha ambições sem limites. Um dos maiores perigos do cristão é a armadilha do pecado acariciado. Judas alimentava esses erros, até que se tornaram motivos dominantes na sua vida.

O último momento que Judas Escariotes esteve com Cristo foi na última ceia, onde observou uma cena que jamais queria imaginar: o futuro “rei de Jerusalém” lavando os pés de seus discípulos (costume usado na época, os servos lavarem os pés dos convidados e hóspedes), então percebeu que um rei jamais passaria por tal humilhação. Desse modo, sua esperança de futuras honras e glórias mundanas esvaiu-se. Foi aí que o autor do beijo da traição percebeu que nada tinha a ganhar seguindo o Príncipe da Vida.

Nos dias de hoje, um grande número dos atuais “seguidores de Jesus” também demonstram ilusórios sentimentos para com Ele. Julgam-se excelentes cristãos, mas não compreendem o que significa servir a Deus. Seus planos e cogitações têm por fim agradar a si mesmo, ocupando o tempo em benefício de si e trabalhando, não para os outros, mas unicamente para se satisfazerem.

Porém, o conselho de Deus é para vivermos e executarmos no mundo serviços altruístas, com o desígno de ajudar os semelhantes de todos os modos possíveis __ no grande dia do juízo, os que não trabalharam para Cristo, que andaram ao sabor dos ventos, só pensando em si, cuidando de si, serão postos pelo Juiz de Toda a Terra com os que fizeram o mal. Receberão a mesma condenação __ infelizmente o eu é tão grande que não podem ver nenhuma outra coisa. (Ellen G. White – O Desejado de Todas as Nações)

Pouco antes de ser traído, o Messias ensinou a todos a verdadeira demonstração de fidelidade, Jesus disse: “amarás pois ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo teu entendimento e de toda as tuas forças; este é o primeiro mandamento”.“O segundo é semelhante ao primeiro, disse Cristo; pois vem Dele: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. “Desses dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Mateus 22:37-40

A ordem de Jesus Cristo é clara, os quatro primeiros mandamentos resumem-se num grande preceito: “amarás ao teu Deus de todo o teu coração”. Os últimos seis mandamentos estão incluídos no outro: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ambos os mandamentos de Deus são uma expressão do princípio do amor. Não se pode guardar o primeiro e violar o segundo, nem se pode observar o segundo enquanto se transgride o primeiro.

No entanto, quando Deus ocupa o lugar que lhe é devido no trono do coração, será dado ao próximo o lugar que lhe pertence. Amá-lo-emos como a nós mesmos e só quando amamos a Deus de maneira suprema, é possível amar o nosso semelhante com imparcialidade.

Por fim, ser diferente de Judas é olharmos as nossas vidas e observarmos as nossas formas de concepção de seguidores de Cristo, pois a celebração da páscoa é o momento de reflexão e mudança de vida. Judas, pouco antes da páscoa, traiu Jesus usando a sua senha: um beijo. E você? Qual a senha que utilizas para traí-lo?
Neste caso Jesus deixa sua advertência: “... mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido”. Marcos 14:21 Feliz Pascoa!

Por: Firmo Neto

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