quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alquimia e química, ontem e hoje

Alquimistas medievais tentam a transmutação de elementos inferiores pelo fogo: conhecimento que foi degenerado.


Ouve-se falar muito que o surgimento da química nasceu com os trabalhos produzidos pelos alquimistas que tinham como finalidade descobrir uma transmutação que pudesse transformar metais menos nobres em ouro, com este propósito maior, conseqüentemente vieram a surgir variadas técnicas de laboratório capaz de alterar as propriedades da matéria através de reações químicas sofisticadas.

Infelizmente, a origem da alquimia e da própria química não podem ser contadas, pois se perde nos tempos e nos seus registros. Da mesma forma, não se pode simplificar dizendo que a transição da alquimia à química corresponde à ascensão da primeira em ciência. Não podemos ignorar a magnífica construção do saber ao longo dos anos através dos povos da antiguidade com suas descobertas e invenções.

Assim, se recuarmos na história e nas origens do conhecimento químico, vamos encontrar em tempos imemoráveis nas mais diferentes civilizações um grande número de tecnologias químicas relacionadas à alimentação (cocção, conservação com sal, produção de vinagre, vinho e cerveja); com a extração, produção e tratamento de metais; com o fabrico de utensílios de cerâmica, vidro, porcelana e metal; com produção de pomadas, óleos e venenos, técnicas de mumificação; com a produção de materiais de construção como argamassa, tijolos, ladrilhos; com o domínio do fogo e etc.

Todavia, em muitos momentos da história da humanidade a alquimia está hoje muito presente, mais uma vez, nas discussões e questionamentos das pessoas. Alguns acham que alquimia era charlatanismo e destituída de quaisquer significados científicos, outros aceitam e vem afirmando que é possível ter havido transmutações alquímicas, todavia, não existe ainda nenhum registro concreto de trabalhos de alquimistas que pudessem ser averiguados. Fica a pergunta: se a ciência tem o conhecimento cumulativamente adquirido, - como já mencionamos anteriormente registros de conhecimentos de povos mais antigos - por que não chegaram até a nós às práticas, conhecimentos e trabalhos executados pelos alquimistas? A resposta é bem simples: segundo historiadores, naquela época não tinham um eficiente meio de comunicação para divulgar os segredos das transmutações alquímicas para diversas culturas.

Podemos destacar cinco razões ou hipótese desta não-comunicação: a dizimação dos alquimistas por pestes que houve naquela época; a forte influencia da igreja que era contra este tipo de trabalhos; a destruição da própria descoberta pelos próprios alquimistas devido as intoxicação e manuseio inadequado dos seus experimentos; o poder econômico que muitos alquimistas não tinham para a publicação e divulgação e por último, a inveja ao conhecimento científico, no qual, alguns grupos dominantes da época que tinha interesse em manter seu monopólio do conhecimento para assegurar o poder. “É muito fácil de imaginar do que poderia ter acontecido a alguém que soubesse fazer transmutações que tornassem o ouro desvalorizado”.

Contudo, até hoje existe a tal ‘inveja do conhecimento’, basta observar algumas questões do dia-dia e analisar: por que as lâminas de barbear oxidam com tanta facilidade? Por que as lâmpadas queimam? Por que os pneus desgastam tão rapidamente? Estas indagações e outras poderiam ser evitadas em pleno século XXI onde estes problemas já foram resolvidos pela ciência. É notório sabermos mais uma vez que, os interesses econômicos impedem que as soluções se tornem disponíveis aos consumidores, pois representam lucros para alguns grupos de fabricantes.

Finalizando, assim como foi na época dos alquimistas, assim acontece no mundo contemporâneo, à divulgação do conhecimento ficando restrita apenas para alguns grupos dominantes do planeta e a humanidade saindo mais uma vez prejudicada com o monopólio do saber. Com a não-comunicação do conhecimento, fica evidente a sua perda ao longo dos tempos.

Por: Firmo Neto, editor do blog Ciência e fé e estudante de Lincenciatura de Química pelo Instituto Federal Baiano.

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