sexta-feira, 30 de abril de 2010

Coordenador do NBDI explica o que é design inteligente


Aproveitando como “gancho” o 3º Simpósio Darwinismo Hoje, realizado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, de 26 a 29 de abril, o portal iG publicou a reportagem “Design Inteligente ganha espaço no Brasil”. Na matéria de Isis Nóbile Diniz, é dito que “os partidários do Design Inteligente acreditam que algo, seja um Deus ou até mesmo um extraterrestre, seria o responsável pelas criações da maioria dos seres na Terra, em oposição ao darwinismo, que responsabiliza o mecanismo de seleção natural pela evolução dos seres vivos, inclusive o homem”. Nóbile informa que metade da população dos Estados Unidos acredita que Deus criou os seres literalmente como está descrito na Bíblia, e completa, ecoando uma crítica recorrente na imprensa: “Por isso, o Design Inteligente é chamado por seus críticos de ‘criacionismo disfarçado’, uma tentativa de dar um verniz científico a uma crença religiosa.”

Nóbile entrevistou os biólogos Atila Iamarino, da Universidade de São Paulo (USP), e Henrique Paprocki, da Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Segundo Paprocki, “o principal problema do Design Inteligente é montar sua teoria em cima de falhas na Teoria da Evolução”. Paprocki também afirma que “existem evidências indiscutíveis sobre a Teoria da Evolução, é como afirmar que a Terra gira em torno do Sol”. E justifica: “O fato de haver lacunas não significa que ela esteja errada.”

Iamarino apela para a medicina a fim de tentar embasar cientificamente a seleção natural: “Quando digo que a seleção natural favorece certos organismos, sei que na presença de antibióticos as bactérias resistentes tendem a ser favorecidas. Daí a necessidade de tomar os remédios durante todo o tratamento. É não dar chance para que algumas tenham a resistência selecionada e passem adiante essa característica”, explica. “O Design Inteligente é como dizer que o céu é azul porque alguém o deseja assim, não explica nem acrescenta”, acredita Iamarino.

Entrevistei o coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente (NBDI), o mestre e doutorando em História da Ciência Enézio de Almeida Filho. [Leia a matéria completa no portal CNTN]

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Pesquisadores creem ter encontrado a arca de Noé (2)

Hoje foi a vez de o Portal Terra repercutir a notícia sobre a suposta localização da arca de Noé: “Um grupo de cientistas turcos e chineses afirma ter localizado a arca de Noé no monte Ararat, de acordo com a imprensa turca. O pesquisador chinês Yang Ving Cing diz que eles encontraram uma estrutura antiga de madeira [foto] em uma altitude de 4 mil metros no monte que fica no leste da Turquia, na fronteira com o Irã. O cientista é membro de uma organização internacional dedicada à busca pela arca em que, conforme a Bíblia, Noé e sua família escaparam do dilúvio universal. Segundo Cing, a estrutura encontrada tem 4,8 mil anos. [...]”

Estranhamente, a imprensa nacional ainda mantém silêncio sobre o achado. Ontem, em língua portuguesa, creio que este blog e portal de notícias CNTN foram os únicos a publicar a nota. Hoje apenas o Terra repercutiu o achado. Se fosse algo que contrariasse a Bíblia, creio que seria primeira página nos principais jornais...

Ontem mesmo, em conversa com o amigo Dr. Urias Takatohi, do Unasp, concluímos que a cautela deve nos fazer mesmo esperar mais informações e estudos. Segundo ele, que é doutor em física e é um dos meus entrevistados no livro Por Que Creio, numa consulta ao Google Earth com as coordenadas Latitude 39°41'46.35"N, Longitude 44°20'14.99"L e a fotos no site Panoramio (aqui, aqui e aqui), não é preciso ser especialista em geologia para perceber que a montanha chamada de Ararate (ou Ağrı Dağı) é um cone vulcânico mais recente do que o planalto de 1.800 m, do lado turco, ou o vale de 800 m do lado armênio. Na realidade, há vários cones vulcânicos visíveis em torno. “A aparência desses cones vulcânicos é bem ‘recente’”, ele avalia. “Esse tipo de montanha não cresce pela elevação do terreno existente como se observa nos Himalaias, Andes e Rochosas. A montanha cresce por deposição de material ejetado do interior em erupções vulcânicas. Se a arca tivesse ficado na região onde se esperaria encontrá-la? A 4.000 m ou soterrada no meio da montanha sob grandes quantidades de material vulcânico?”

A Bíblia afirma que a arca de Noé pousou sobre as "montanhas do Ararate" (Gn 8:4), mas não especifica sobre qual delas. Seria muito bom que a embarcação ou parte dela (se é que Noé e sua família não utilizaram a madeira para construir suas casas) fosse encontrada, mas nossa fé não precisa repousar nesse tipo de evidência. Há muitas outras.

Com relação à datação da amostra, também ficam dúvidas no ar. Para justificar idades pelo método do Carbono 14 (C14) maiores do que 6.000 anos, R. H. Brown (leia o estudo dele aqui) levanta a hipótese de que antes do dilúvio a proporção de C14 no ambiente biológico e, consequentemente, nos materiais de origem biológica deveria ser muito pequena dando uma aparência de idade maior do que a real. O petróleo e o carvão mineral, segundo os modelos criacionistas, são materiais orgânicos pré-diluvianos e apresentam proporção de C14 compatível com idades C14 correspondentes ao limite do método em torno de 40.000 a 50.000 anos. A madeira da arca deveria ter a mesma idade C14 do petróleo e do carvão mineral.

Estaria errada a idade apresentada por Cing? Conclusão do Dr. Urias: “Não podemos dizer que a datação seja obrigatoriamente discrepante, a menos que o método de datação usado tenha sido o C14.”
FONTE: criacionismo.com.br
Réplica da Arca de Noé

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pesquisadores creem ter encontrado arca de Noé


Um grupo de pesquisadores formado por especialistas turcos e chineses assegura ter localizado a bíblica arca de Noé no Monte Ararate [foto], segundo informou nesta quarta-feira a imprensa turca. Um dos membros do grupo, o documentarista chinês Yang Ving Cing, assegurou que foi localizada uma estrutura de madeira antiga a uma altitude de 4 mil metros, no Ararate, situado a leste da Turquia, perto da fronteira com o Irã. O explorador, membro de uma organização internacional dedicada à busca da mítica [sic] embarcação na qual Noé e sua família escaparam do dilúvio universal, garantiu que os restos encontrados têm 4.800 anos de idade.

“Não é cem por cento seguro que seja a arca, mas pensamos que haja 99,9 por cento de chances”, indicou Ving em declarações à agência turca Anadolu. “A estrutura do barco tem muitos compartimentos e isso indica que podem ser os espaços nos quais ficaram localizados os animais.”

Ele também explicou que o governo turco foi contatado com o pedido de proteção da região a fim de que possam ser iniciadas as escavações e acrescentou que será solicitado à Unesco que inclua essa região em sua lista de patrimônios da humanidade.

Não é a primeira vez que grupos de pesquisadores da arca asseguram haver localizado a embarcação no Ararate, a montanha mais alta da Turquia, onde a Bíblia narra que Noé desceu quando as águas do dilúvio universal baixaram.

(Agência EFE)

Nota: Está aí a notícia divulgada pela agência de notícias EFE. Não é a primeira vez que algo assim é noticiado, por isso é preciso cautela e paciência para aguardar novas pesquisas e descobertas. Creio ser possível que a arca esteja preservada, mas se realmente será encontrada, só o tempo dirá. Agora note a observação sem sentido feita no site Ciência Hoje, que também divulgou o achado: “Há ainda outros especialistas que apontam ser mesmo impossível um barco naufragar a uma altitude superior a três mil metros, o que impossibilita a veracidade dessa lenda [sic] comum ao cristianismo, judaísmo e islamismo, segundo a qual Deus decidiu criar um dilúvio, tendo, antes disso, dito a Noé, um dos seus seguidores, para construir uma arca e salvar um par de cada espécie animal.” Quem disse que o Ararate tinha mais de três mil metros de altura quando o dilúvio teve fim? Esquecem-se de que as grandes cordilheiras e muitas formações montanhosas têm sido soerguidas ainda hoje pela ação da tectonia de placas? Imagino que tipo de “explicações” esses “especialistas” darão caso a arca seja mesmo localizada algum dia...[MB]

Leia também: "Dilúvio: Lenda ou Fato?"

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Alquimia e química, ontem e hoje

Alquimistas medievais tentam a transmutação de elementos inferiores pelo fogo: conhecimento que foi degenerado.


Ouve-se falar muito que o surgimento da química nasceu com os trabalhos produzidos pelos alquimistas que tinham como finalidade descobrir uma transmutação que pudesse transformar metais menos nobres em ouro, com este propósito maior, conseqüentemente vieram a surgir variadas técnicas de laboratório capaz de alterar as propriedades da matéria através de reações químicas sofisticadas.

Infelizmente, a origem da alquimia e da própria química não podem ser contadas, pois se perde nos tempos e nos seus registros. Da mesma forma, não se pode simplificar dizendo que a transição da alquimia à química corresponde à ascensão da primeira em ciência. Não podemos ignorar a magnífica construção do saber ao longo dos anos através dos povos da antiguidade com suas descobertas e invenções.

Assim, se recuarmos na história e nas origens do conhecimento químico, vamos encontrar em tempos imemoráveis nas mais diferentes civilizações um grande número de tecnologias químicas relacionadas à alimentação (cocção, conservação com sal, produção de vinagre, vinho e cerveja); com a extração, produção e tratamento de metais; com o fabrico de utensílios de cerâmica, vidro, porcelana e metal; com produção de pomadas, óleos e venenos, técnicas de mumificação; com a produção de materiais de construção como argamassa, tijolos, ladrilhos; com o domínio do fogo e etc.

Todavia, em muitos momentos da história da humanidade a alquimia está hoje muito presente, mais uma vez, nas discussões e questionamentos das pessoas. Alguns acham que alquimia era charlatanismo e destituída de quaisquer significados científicos, outros aceitam e vem afirmando que é possível ter havido transmutações alquímicas, todavia, não existe ainda nenhum registro concreto de trabalhos de alquimistas que pudessem ser averiguados. Fica a pergunta: se a ciência tem o conhecimento cumulativamente adquirido, - como já mencionamos anteriormente registros de conhecimentos de povos mais antigos - por que não chegaram até a nós às práticas, conhecimentos e trabalhos executados pelos alquimistas? A resposta é bem simples: segundo historiadores, naquela época não tinham um eficiente meio de comunicação para divulgar os segredos das transmutações alquímicas para diversas culturas.

Podemos destacar cinco razões ou hipótese desta não-comunicação: a dizimação dos alquimistas por pestes que houve naquela época; a forte influencia da igreja que era contra este tipo de trabalhos; a destruição da própria descoberta pelos próprios alquimistas devido as intoxicação e manuseio inadequado dos seus experimentos; o poder econômico que muitos alquimistas não tinham para a publicação e divulgação e por último, a inveja ao conhecimento científico, no qual, alguns grupos dominantes da época que tinha interesse em manter seu monopólio do conhecimento para assegurar o poder. “É muito fácil de imaginar do que poderia ter acontecido a alguém que soubesse fazer transmutações que tornassem o ouro desvalorizado”.

Contudo, até hoje existe a tal ‘inveja do conhecimento’, basta observar algumas questões do dia-dia e analisar: por que as lâminas de barbear oxidam com tanta facilidade? Por que as lâmpadas queimam? Por que os pneus desgastam tão rapidamente? Estas indagações e outras poderiam ser evitadas em pleno século XXI onde estes problemas já foram resolvidos pela ciência. É notório sabermos mais uma vez que, os interesses econômicos impedem que as soluções se tornem disponíveis aos consumidores, pois representam lucros para alguns grupos de fabricantes.

Finalizando, assim como foi na época dos alquimistas, assim acontece no mundo contemporâneo, à divulgação do conhecimento ficando restrita apenas para alguns grupos dominantes do planeta e a humanidade saindo mais uma vez prejudicada com o monopólio do saber. Com a não-comunicação do conhecimento, fica evidente a sua perda ao longo dos tempos.

Por: Firmo Neto, editor do blog Ciência e fé e estudante de Lincenciatura de Química pelo Instituto Federal Baiano.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Como falar de criacionismo


Para muita gente, criacionismo não passa de religião. Outros consideram que Deus não existe. Assim, o criacionismo seria uma ilusão. Teriam eles razão? Primeiramente, é interessante mostrar para o cético o que é o verdadeiro ceticismo. Não considero o ceticismo uma coisa totalmente negativa. Um dos doze discípulos era ligeiramente cético e Jesus não o repreendeu por isso. Esse era Tomé. Ele buscava experimentar por si mesmo aquilo que os outros falavam. A melhor forma de apresentar o criacionismo é convidar o cético a ser cético de verdade; questionar tudo e buscar evidências que sejam sólidas para sua cosmovisão. O criacionista tem bastantes evidências para apresentar: atualmente muitas descobertas da biologia molecular apontam para o design inteligente da vida. A arqueologia bíblica está aí ajudando a desencavar o pano de fundo histórico das Escrituras. Então, mostre os fatos e deixe que os céticos tirem suas próprias conclusões.

A complexidade da vida fala em favor do criacionismo. Os próprios darwinistas confirmam essa complexidade. Por exemplo, Richard Dawkins, no livro O Relojoeiro Cego, diz que o núcleo de uma ameba tem tanta informação quanto todos os 30 volumes da enciclopédia Barsa. Toda forma de vida, desde a mais “simples” até a mais complexa, revela que houve planejamento. E todo mundo sabe que informação complexa e específica simplesmente não surge do nada.

Há os que dizem que o criacionista tem a mente fechada, mas, na verdade, ele abre a mente para o natural e o sobrenatural (afinal, o mundo natural e as leis naturais não podem ser a causa deles mesmos), enquanto os naturalistas fecham a mente para o sobrenatural e ficam diante de um dilema: Como tudo passou a existir a partir do nada? A verdade é ampla e deveria ser buscada de maneira igualmente ampla.

Se quiser dialogar de maneira construtiva com os naturalistas, o criacionista precisa compreender o que é ciência. É importante saber diferenciar a ciência experimental da ciência histórica. Por exemplo, quando se fala da origem da vida, as pessoas acham que isso é ciência experimental, mas não é, porque não tem como demonstrar em laboratório como a vida “surgiu”. Como testar algo que não se sabe como aconteceu? Simular um suposto “ambiente primordial” sem que haja a certeza de que foi nele que tudo teve início não é ciência, é suposição.

Se o criacionista entender o que é ciência, fica mais fácil dialogar com o darwinista.


* Michelson Borges - Jornalista e editor do blog www.criacionismo.com.br

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Especialistas discutem crença do brasileiro em Darwin e na criação de Deus


O jornal Folha de S. Paulo publicou, no dia 2 de abril, os dados da pesquisa Datafolha que revelam o que o povo brasileiro pensa sobre a origem da humanidade. Para 59% dos 4.158 entrevistados, “os seres humanos se desenvolveram ao longo de milhões de anos a partir de formas menos evoluídas de vida, mas com Deus guiando esse processo de evolução”. Uma parcela menor (25%) acredita que “Deus criou os seres humanos de uma só vez praticamente do jeito que são hoje, em algum momento nos últimos dez mil anos”. Apenas 8% acreditam que “os seres humanos se desenvolveram ao longo de milhões de anos a partir de formas menos evoluídas de vida, mas sem a participação de Deus nesse processo”.
O portal CNTN buscou a opinião de três pessoas – um darwinista, um teórico do design inteligente e um criacionista – que analisaram os números da pesquisa.
O darwinista é o repórter da Folha de S. Paulo Reinaldo José Lopes, autor do livro Além de Darwin (Editora Globo). Para ele, “é preciso cautela na avaliação do que os números do Datafolha significam, porque falta muito contexto para a pesquisa”. Lopes considera que não seja possível saber exatamente o que as pessoas quiseram dizer com a resposta que deram. “Não acho que podemos assumir, por exemplo, que isso tenha a ver com uma maior alfabetização científica dos brasileiros em relação aos americanos. Acho que talvez seja sintomático de uma visão mais conciliadora de mundo da maioria (os 59%) e, ao mesmo tempo, de uma perspectiva religiosa cristã tradicional nesse núcleo de 25%”, explica.
Lopes entende que esse grande percentual de darwinistas teístas no Brasil se deva a três fatores: (1) o peso do catolicismo, em que há menos oposição declarada à teoria da evolução; (2) influência um pouco menor, mas considerável, do espiritismo, mesmo em setores católicos e de outras confissões cristãs, uma doutrina que é simpática à ideia da “evolução guiada por Deus”; (3) o fato de os fiéis brasileiros serem, em média, menos “rígidos” doutrinariamente que os cristãos americanos, e até menos atentos aos problemas teológicos que um mundo a la Darwin coloca para o cristianismo mais tradicional.
O jornalista da Folha entende que o fato de o jornal também ter publicado o artigo de um criacionista abre a “possibilidade de abordar o criacionismo de forma a entender melhor o movimento, a lógica dele, de dialogar com ele e não simplesmente condená-lo como desonesto e/ou mal intencionado”.
Lopes, que é católico, está entre aqueles que consideram o darwinismo e a crença em Deus perfeitamente conciliáveis. E faz uma ressalva: “Não sou teólogo, mas me parece claro que os trechos da Escritura que parecem incompatíveis com um Cosmos em evolução têm seu conteúdo influenciado pela cultura dos autores sagrados naquele momento histórico. Seria necessário, portanto, reler teologicamente essas passagens conservando o essencial e superando essas dificuldades, sempre com Cristo no centro de qualquer interpretação.”
Design inteligente - O mestre e doutorando em História da Ciência Enézio de Almeida Filho é mais contundente ao afirmar que a mistura entre Deus e darwinismo é “bagunça epistêmica”: “Embora o Brasil seja considerado uma nação cristã (seja lá o que isso signifique – não leio esses sinais no seu povo e nem tampouco nos seus líderes políticos), os 59% de teístas evolucionistas representam uma religiosidade a la Macunaíma: diluíram a onipotência tanto de Deus quanto da seleção natural, o mecanismo evolutivo par excellence de Darwin. Na verdade, esse grupo pode ser classificado como deísta. Os 25% são criacionistas teístas, e sua minoria na pesquisa Datafolha revela um aspecto religioso surpreendente: as comunidades religiosas estão falhando no ensino de suas crenças mais basilares.”
Enézio é coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente e mantém o blog Desafiando a Nomenklatura Científica. Para ele, a grande quantidade de darwinistas teístas no Brasil se deve ao “jeitinho brasileiro”. “[O indivíduo] acende uma vela para Deus e outra para o Diabo, oops, para Darwin. Vai que Deus existe? É preciso se garantir na outra dimensão. E se Darwin estiver certo? É preciso se garantir nesta dimensão. Um estudo sociológico mostraria ser isso mais uma face do famoso jeitinho brasileiro”, ironiza.
Diferentemente de Lopes, Enézio considera impossível a mistura de religião com darwinismo. E explica: “O darwinismo é uma doutrina estritamente materialista: não há lugar para Deus nem como motorista da evolução. E aqui precisamos lembrar a afirmação de Darwin: se sua teoria precisasse de ajuda externa (leia-se Deus), ela seria considerada bulshit (algo como titica de galinha). O processo evolutivo não precisa de Deus.” E completa: “Não sei como a ciência e a religião vão se entender nessa questão. São áreas completamente antípodas, e o cientista e o religioso que dizem serem Darwin e Deus compatíveis são desonestos, pois estão em descompasso com a verdade científica e religiosa.”
Para o ex-ateu e blogueiro, o que se pode depreender da pesquisa Datafolha é que os crentes em Deus e em Darwin “falharam fragorosamente no ensino de seus dogmas”.
Criacionistas - Tarcísio Vieira é biólogo e mestre em química pela Universidade de Brasília. Membro da Sociedade Criacionista Brasileira, ele chama atenção para o grupo dos 25% dos entrevistados que acreditam numa criação realizada há cerca de dez mil anos, na qual os seres humanos (e provavelmente as demais formas de vida) eram idênticos aos atuais. “Esse dado revela o grande desconhecimento de muitas pessoas com relação às evidencias científicas elementares, tais como as modificações sofridas por determinada população em função de condições geográficas, ecológicas, etc., bem como de textos bíblicos elementares, os quais nos chamam a atenção para tais transformações”, explica o biólogo. Segundo ele, a parcela da população representada por esses 25% é caracterizada como fixista, “e em hipótese alguma representa o pensamento bíblico-criacionista, o qual afirma que as modificações, dentro de certos limites pré-estabelecidos pelo Criador, permitem aos seres vivos a adaptabilidade necessária ao ambiente em que vivem”.
Em outras palavras, na análise de Tarcísio, os percentuais obtidos na pesquisa evidenciam que, além da existência de total desconhecimento, independentemente de qual cosmovisão se adote, com relação às argumentações evolucionistas e criacionistas, há a necessidade de mais informações bem como de debates sobre as argumentações propostas pelos simpatizantes do evolucionismo e do criacionismo.
Ainda segundo o biólogo, diferentemente do que ocorre em outros países, “os brasileiros têm acesso apenas a informações (ou desinformações) advindas da mídia que, infelizmente, ainda se faz, na maioria das vezes, tendenciosa, desinformada e imparcial”. E compara: “Enquanto em outros países como Estados Unidos, Alemanha e Austrália as opiniões são mais polarizadas – as pessoas se denominam evolucionistas (darwinistas) ou criacionistas (teístas) –, em nosso país, há grande confusão e desconhecimento com relação ao assunto.”
Quanto à conciliação entre darwinismo e religião, Tarcísio é tão enfático quanto Enézio: a mistura é impossível. “O pensamento darwinista exclui a existência do Criador, argumentando que o universo e a vida são resultantes apenas da ação das leis naturais, no transcorrer de longos períodos de tempo. Já o pensamento bíblico-criacionista argumenta que o universo e a vida são resultantes da ação direta do Criador, o qual, durante uma semana literal, estabeleceu as condições para que a vida se manifestasse na forma como a conhecemos na Terra. Enquanto o darwinismo concentra suas argumentações no acaso, o criacionismo argumenta a favor de planejamento nas coisas que foram criadas. Diante dessas e outras nítidas diferenças, entendo que o darwinismo e o criacionismo não são conciliáveis.”

Michelson Borges

domingo, 11 de abril de 2010

Maioria dos brasileiros acredita em Deus e em Darwin


Segundo pesquisa Datafolha publicada na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo, a maioria dos brasileiros de 16 anos ou mais (59%) acredita que “os seres humanos se desenvolveram ao longo de milhões de anos a partir de formas menos evoluídas de vida, mas com Deus guiando esse processo de evolução”. A pesquisa foi realizada nos dias 25 e 26 de março de 2010, com 4.158 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Uma parcela menor (25%) acredita, porém, que “Deus criou os seres humanos de uma só vez praticamente do jeito que são hoje, em algum momento nos últimos dez mil anos”, opinião diferente de outros 8%, que acreditam que “os seres humanos se desenvolveram ao longo de milhões de anos a partir de formas menos evoluídas de vida, mas sem a participação de Deus nesse processo”. Os espíritas são os que mais acreditam em um processo de evolução do homem a partir de outras formas de vida sob o comando de Deus (74% do segmento), parcela que é próxima aos 60% tanto entre os católicos quanto entre os evangélicos pentecostais e não-pentecostais. Destaca-se a parcela de umbandistas (33%) e de evangélicos pentecostais (30%) que acreditam que “Deus criou os seres humanos de uma só vez praticamente do jeito que são hoje, em algum momento nos últimos dez mil anos”. A pesquisa constatou também que, quanto maior a renda e a escolaridade, mais pessoas acreditam na interferência divina no desenvolvimento dos seres humanos.

NOTA: Acabo de abrir uma enquete para os nossos blogueiros perguntando 'qual modelo de criação você acredita!' Vote e participe! [FN]

sábado, 3 de abril de 2010

O Beijo da traição


“O traidor tinha lhes dado esta senha: Aquele a quem eu beijar, é esse; prendeio-o e levai-o com segurança... o chamado Judas aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus, porém lhe disse: Judas, com um beijo trais o filho de Deus?” Marcos 14:44 e Lucas 22:47 e 48

O ato de tocar os lábios na face de alguém é, sem dúvida, a melhor forma de demonstrar um profundo sentimento para com o próximo. O beijo tem o poder de transmitir paz, ternura, amor e companheirismo. Contudo, o ato de oscular nem sempre transmitiu esses significados. Há dois mil anos, pouco antes da páscoa, ocorreu um famoso caso de traição. Judas Escariotes, por trinta moedas de prata - o preço de um escravo - decide, com um beijo vender Jesus para os sacerdotes e escribas. Naquele instante, um dos mais belos e expressivos de todos os sentimentos veio a baixo.

Diante disso, é inevitável que se faça a pergunta: Qual seria, afinal de contas, o motivo que fez Judas trair o filho de Deus? Que coração poderia conceber tal ato?

Ao examinarmos detalhadamente a vida do discípulo traidor, percebemos que Judas aproximou-se de Jesus por interesses próprios, acreditando que o reinado que tanto Jesus pregava, seria na terra. Assim, foi ser o tesoureiro dos discípulos. Porém, subtraía, às escondidas, dinheiro para uso próprio. Julgava-se como financista, ser superior aos condiscípulos. Era avarento, invejoso, egoísta e tinha ambições sem limites. Um dos maiores perigos do cristão é a armadilha do pecado acariciado. Judas alimentava esses erros, até que se tornaram motivos dominantes na sua vida.

O último momento que Judas Escariotes esteve com Cristo foi na última ceia, onde observou uma cena que jamais queria imaginar: o futuro “rei de Jerusalém” lavando os pés de seus discípulos (costume usado na época, os servos lavarem os pés dos convidados e hóspedes), então percebeu que um rei jamais passaria por tal humilhação. Desse modo, sua esperança de futuras honras e glórias mundanas esvaiu-se. Foi aí que o autor do beijo da traição percebeu que nada tinha a ganhar seguindo o Príncipe da Vida.

Nos dias de hoje, um grande número dos atuais “seguidores de Jesus” também demonstram ilusórios sentimentos para com Ele. Julgam-se excelentes cristãos, mas não compreendem o que significa servir a Deus. Seus planos e cogitações têm por fim agradar a si mesmo, ocupando o tempo em benefício de si e trabalhando, não para os outros, mas unicamente para se satisfazerem.

Porém, o conselho de Deus é para vivermos e executarmos no mundo serviços altruístas, com o desígno de ajudar os semelhantes de todos os modos possíveis __ no grande dia do juízo, os que não trabalharam para Cristo, que andaram ao sabor dos ventos, só pensando em si, cuidando de si, serão postos pelo Juiz de Toda a Terra com os que fizeram o mal. Receberão a mesma condenação __ infelizmente o eu é tão grande que não podem ver nenhuma outra coisa. (Ellen G. White – O Desejado de Todas as Nações)

Pouco antes de ser traído, o Messias ensinou a todos a verdadeira demonstração de fidelidade, Jesus disse: “amarás pois ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo teu entendimento e de toda as tuas forças; este é o primeiro mandamento”.“O segundo é semelhante ao primeiro, disse Cristo; pois vem Dele: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. “Desses dois mandamentos depende toda a lei e os profetas”. Mateus 22:37-40

A ordem de Jesus Cristo é clara, os quatro primeiros mandamentos resumem-se num grande preceito: “amarás ao teu Deus de todo o teu coração”. Os últimos seis mandamentos estão incluídos no outro: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ambos os mandamentos de Deus são uma expressão do princípio do amor. Não se pode guardar o primeiro e violar o segundo, nem se pode observar o segundo enquanto se transgride o primeiro.

No entanto, quando Deus ocupa o lugar que lhe é devido no trono do coração, será dado ao próximo o lugar que lhe pertence. Amá-lo-emos como a nós mesmos e só quando amamos a Deus de maneira suprema, é possível amar o nosso semelhante com imparcialidade.

Por fim, ser diferente de Judas é olharmos as nossas vidas e observarmos as nossas formas de concepção de seguidores de Cristo, pois a celebração da páscoa é o momento de reflexão e mudança de vida. Judas, pouco antes da páscoa, traiu Jesus usando a sua senha: um beijo. E você? Qual a senha que utilizas para traí-lo?
Neste caso Jesus deixa sua advertência: “... mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido”. Marcos 14:21 Feliz Pascoa!

Por: Firmo Neto

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Fazer o que se gosta


A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e equivocado.

Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.

Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente que a sociedade acha importante ser feito. Mas, aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas ninguém quer fazer?

Muitos jovens sonham trabalhar no terceiro setor porque é o que gostariam de fazer. Toda semana recebo jovens que querem trabalhar em minha consultoria num projeto social. “Quero ajudar os outros, não quero participar deste capitalismo selvagem.” Nesses casos, peço que deixem comigo os sapatos e as meias e voltem para conversar em uma semana.

É uma ignorância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras e um insulto aos sapateiros e aos trabalhadores dizer que eles não ajudam os outros. A maioria das pessoas que ajudam os outros os faz de graça.

As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar tênis, velejar e organizar o Prêmio Bem Eficiente, eu faço de graça. O “ócio criativo”, o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia que podem ler o que gostam em tempo em integral.

O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam”? Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque isso tem que ser feito.

Empresas, hospitais, entidades beneficentes estão aí para fazer o que é preciso ser feito, aos sábados, domingos e feriados. Eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem de ser feito do que os egoístas que só querem “fazer o que gostam”.

Então teremos que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressiva? Existe um final feliz. A saída para esse dilema é aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que se pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da dedicação.

Aliás, isso não é um conselho simplesmente profissional, é um conselho de vida. Se algo vale a pena ser feito na vida, vale a pena ser bem feito. Viva com esse objetivo. Você poderá não ficar rico, mas será feliz. Provavelmente nada lhe faltará, porque se paga melhor àqueles que fazem o mínimo necessário.

Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão seu trabalho à frente dos demais. Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se prepararam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo que gostam, e aí odeiam o que fazem mal feito.

Sempre fui um perfeccionista. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de fazê-las bem feitas. Sou até criticado por isso, porque demoro demais, vivo brigando com quem é incompetente, reescrevo estes artigos umas quarenta vezes para o desespero de meus editores, sou superexigente comigo e com os outros.

Hoje, percebo que foi esse perfeccionismo que me permitiu sobreviver à chatice da vida, que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.

Se você não gosta de seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.

Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando a sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo.

Escrito por: Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)


NOTA: Depois de conversar com uma colega da faculdade de química sobre escolher o melhor curso para estudar ou trabalhar em algo que gostamos de fazer, achei interessante publicar e dividir este artigo com vocês. Esta matéria foi publicada na revista Veja já alguns anos. Espero que seja proveitosa para você! [FN]


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