sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O Natal é pagão?


Todo mês de dezembro oferece uma oportunidade a Igrejas Adventistas em todo o mundo de celebrar o Nascimento de Cristo.

Para muitos, porém, esse período é marcado por consumismo e secularismo.

Mas qual deveria ser a posição adventista frente à celebração do Natal? Seria esta uma data pagã?

Um dos argumentos contra a celebração do Natal é mais ou menos assim: a data 25 de dezembro coincide com um festival romano, possivelmente o Sol Invictus, e por isso a celebração do nascimento de Cristo neste dia tem associações com o paganismo e não deve ser celebrada por Cristãos.

Primeiramente, precisamos entender que há divergências entre historiadores cristãos quanto à real razão da escolha da data de 25 de dezembro. Alguns argumentam que a data foi escolhida por marcar 9 meses da concepção de Maria, segundo a Festa da Anunciação. Outros ainda acreditam que a data foi escolhida por marcar o solstício vernal no hemisfério Norte que torna o dia mais longo, sendo assim um símbolo desejável do Advento de Cristo que trouxe “luz ao mundo”.

Por outro lado, há indícios de que o nascimento do Sol transformou-se em um símbolo de Jesus para Cristãos na época em que o Natal foi instituído. Fatos históricos mostram que a simbologia de Cristo como SOL INVENCÍVEL (do festivas romano do Sol Invictus) surgiu no cristianismo já no ano de 250 A.D., como pode ser vista em uma pintura descoberta em um ruínas de um mausoléu sob a Catedral de São Pedro no Vaticano.

Essa prática parece ter-se baseado em Malaquias 4:2:

Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria.”

Esse simbolismo de Jesus Cristo como Sol Invictus contrapondo o festival romano de mesmo nome se deve possivelmente ao fato de que os cristãos fiéis na época do surgimento do Natal (3-4 Séculos) viviam em constante conflito com o estabelecimento romano e muitos desses símbolos, em vez de representar um sincretismo religioso, proviam na realidade uma contrafação cristã à simbologia idólatra romana.

Por isso, creio que a rejeição das celebrações de Natal devido a supostas “origens pagãs” carece de respaldo histórico.

Veja também como o argumento acima contra o Natal também está baseado na falácia lógica da culpa por associação, ou seja, se a data da celebração do Natal coincide com um festival pagão, então essa associação com o paganismo desqualifica o Natal. Ou seja, não importa QUAL significado demos ao Natal, suas origens são pagãs e pronto!

Outros argumentos contra o Natal dizem que, porque ele foi instituído pela Igreja Católica, aceitá-lo seria como aceitar a guarda do domingo. Há também outra falácia lógica aí, a “falácia genética” em que a origem de certa afirmação (ou evento) aprova ou desaprova sua validez: se o Natal originou-se no “catolicismo”, devemos repudiar essa festa como pagã e apóstata.

Mas lembre-se que o cânon sagrado, a Bíblia, também foi preservado pela Igreja Católica e finalizado ao redor do mesmo tempo do estabelecimento do Natal. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando a Bíblia por suas associações com o catolicismo?

Símbolos têm o significado que damos a eles.

A Bíblia tem vários exemplos de símbolos pagãos que foram usados para expressar verdades eternas, como a serpente no deserto que era símbolo de um Deus egípcio e símbolo do Dragão (Apo. 12) mas que Deus usou como símbolo de Cristo (João 3:14). A cruz era símbolo de tortura e opressão pelos romanos mas Deus a usou para realizar a expiação. O uso cristão desses símbolos modificou suas conotações.

Invertendo um pouco a analogia, o arco-íris foi usurpado pelo movimento homossexual e tem hoje fortes associações pagãs. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando o arco-íris como um símbolo da promessa divina por causa dessa associação?

É certo que a Bíblia não revela a data do nascimento de Cristo e muitos se apegam a isso também para rejeitar o Natal. Mas não temos na Bíblia tampouco uma condenação de celebrações da Natividade. Saber a data é irrelevante, pois comemoramos o evento e não uma data! Quem sabe Deus velou a data para nos concentrarmos justamente no evento, já pensou nisso?

Aliás, a grande celebração que houve no céu e na terra naquela ocasião nos autoriza cristãos em todo o mundo a repetir o “cântico de Belém”. Veja:

“Glória a Deus nas alturas,

Paz na Terra, boa vontade para com os homens.” Luc. 2:14.

Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: “Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina.” Apoc. 19:6.

A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as “profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus”. Rom. 11:33.” (O Desejado de Todas as Nações, p. 48)

Veja como E. G. White também usa a mesma analogia do nascimento do Sol para falar do nascimento de Cristo!

E também:A nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra.

A menos que eu e você cantemos esse hino, ele terá morrido 2.000 atrás! Nós somos as vozes desse anjos para as pessoas hoje!

Como celebrar na Igreja?

Estatísticas demonstram que o Natal é o período do ano em que as pessoas se acham mais abertas a assuntos espirituais. Temos aí uma oportunidade fantástica de testemunhar. O ideal então seria celebrar TODO o mês de dezembro como um período de festa espiritual, não necessariamente só o dia 25 de dezembro.

Não devemos desperdiçar essa oportunidade com discussões fúteis e falaciosas sobre o “paganismo” do Natal. Não vamos permitir que Cristo seja eclipsado pelo paganismo. Façamos do Natal um evento Cristão porque Cristo é o centro!

Muitos dos comentários de adventistas contra o Natal em blogs e fóruns exalam um azedume injustificável contra as celebrações Natalinas. Alguns até chamam o período de “maldito Natal”. No mesmo capítulo do Desejado, E.G. White também revela a atitude de Satanás para com o nascimento de Cristo:

“Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. (O Desejado de Todas as Nações, p. 49)

Será que não corremos o risco de cair no mesmo espírito do inimigo ao nos opormos ao Natal com um “engano satânico” apesar de toda a beleza de seu significado cristão? Também não é cristão impor nossos devaneios quanto ao “paganismo” do Natal sobre outros irmãos que estão querendo usar esse período para celebrar a Cristo.

Deveríamos nós adventistas rejeitar o Natal por origens pagãs?

Não, pois não há na celebração da Natividade “origens pagãs”. Apesar de o Natal possivelmente coincidir com outras datas seculares, em si, seu estabelecimento celebra um evento profundamente Cristão, a encarnação de Jesus Cristo. O EVENTO celebrado é que cristianiza a data.

Alguns acham que o Natal deve ser celebrado, mas de maneira diferente: não como uma celebração do nascimento de Cristo mas fazendo obras de caridade, cuidando de enfermos, mendigos, etc.

Sem dúvida, Jesus foi o “servo dos servos” e o Natal deveria levar-nos ao serviço. Portanto, vamos fazer o bem neste período pois as pessoas estão abertas a isso: mutirões de Natal, ministérios pessoais, beneficência cristã.

Mas creio que os Adventistas deveriam ser tornar líderes das grandes celebrações de Natal com musicais, cantatas, programas especiais na Igreja e para a comunidade. Que nossas Igrejas deixem de uma vez de lado as dúvidas sobre o Cristianismo desse período e se encham de hinos de louvor ao bebê de Belém! Que haja enfeites, luzes, árvores de Natal (afinal, a árvore é um símbolo de Jesus também! Veja esse artigo aqui no Advir: Seria Errado Ter Árvore de Natal na Igreja?), encenações de Natal e tudo o que exalte o nome daquele que nasceu em Belém.

Confesso que minhas lembranças do Natal no Brasil não das melhores. As “musiquinhas” de Papai Noel tinham a preeminência. Moro nos EUA há 13 anos e só aqui aprendi a apreciar o lado Cristão do Natal. Não só pela mudança de estação, (a maioria dos meus Natais aqui foi no inverno com neve!) mas porque há uma verdadeira explosão de celebração de Jesus Cristo no mundo Cristão aqui. Criou-se aqui uma tradição quase inesgotável de lindos hinos sobre o nascimento de Jesus, algo que deixa a desejar na cultura evangélica em outros lugares. Seria impensável NÃO celebrar a Cristo neste período.

Voltando à pergunta inicial: o Natal é pagão?

Tudo depende de COMO o celebramos:

Se nos ajoelhamos perante os deuses consumistas desse século, ele será pagão e secular.

Se nos ajoelhamos ao pé da manjedoura e contemplamos o mistério da encarnação, faremos de Cristo o centro!

Espero que seu Natal seja um período de luz, paz e ESPERANÇA!

FONTE: advir

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