terça-feira, 24 de novembro de 2009

A Síntese Evolutiva Moderna (neodarwinismo) “já era”


No começo deste ano, Eugene Koonin publicou uma análise magistral do impacto da genômica sobre o pensamento evolucionário. Isso se mostrou por demais substancial para um blog conciso, e o meu rascunho inicial foi abandonado. Felizmente, um resumo mais abreviado foi publicado, e isso resume os pontos salientes do artigo da pesquisa. Koonin destaca que o centenário do A Origem das Espécies em 1959 foi “marcado pela consolidação da síntese moderna”, mas os anos subsequentes testemunharam grandes mudanças que solaparam sua credibilidade. “O edifício da síntese moderna desmoronou, aparentemente, sem condições de reparo.” Está na hora de uma mudança paradigmática – mas os neodarwinistas estão imobilizados porque eles têm muita bagagem filosófica que os puxa para baixo.

Koonin usa a metáfora da “paisagem da biologia evolucionária”. Há três revoluções distintas que ocorreram ao longo dos últimos 50 anos: a revolução molecular, a revolução microbiológica e a revolução genômica.

“Este ano [2009] é o tempo perfeito para se fazer algumas perguntas cruciais: como a biologia evolucionária mudou nos 50 anos desde o endurecimento da síntese moderna? Ela ainda é um quadro conceitual viável para o pensamento evolucionário e pesquisa?”

A revolução molecular culminou, disse Koonin, na teoria neutra, o que significa dizer que a seleção purificadora é mais comum do que a seleção positiva. A revolução microbiológica trouxe o mundo dos procariotas ao domínio da biologia evolucionária, mas depois se tornou aparente que os conceitos do darwinismo e da síntese moderna “aplicam-se somente aos organismos multicelulares”. A revolução genômica revelou que o mundo vivo era “completamente diferente do quadro simples e bem ordenado imaginado por Darwin e os criadores da síntese moderna”. Em particular, agora esse quadro é interpretado como “um mundo extremamente onde a transferência lateral de gene (TLG) não é uma raridade, mas o modo regular de existência, e os elementos genéticos móveis que são os veículos da TLG são ubíquos”.

“A descoberta da presença difundida de TLG e a dinâmica total do universo genético destroi, não somente a árvore da vida como nós a conhecemos, mas também outra doutrina central da síntese moderna herdada de Darwin, isto é, o gradualismo. Em um mundo dominado pela TLG, duplicação de gene, perda de gene e tais eventos momentâneos como a endosimbiose, a ideia da evolução ser dirigida principalmente pelas mudanças hereditárias infinitesimais na tradição darwiniana se tornou insustentável.”

Koonin fala sério que todos os conceitos da síntese moderna estão precisando de uma revisão fundamental. “Além disso, com a morte do pan-adaptacionismo, do mesmo modo é a noção de progresso evolucionário que é, indubitavelmente, central ao pensamento evolucionista tradicional, mesmo se isso nem sempre seja feito explícito.”

O sumário de como está a situação nos 150 anos de A Origem das Espécies é algo chocante. Na era pós-genômica, todas as principais características da síntese moderna foram, se não completamente derrubadas, substituídas por uma visão nova e incomparavelmente mais complexa de aspectos-chaves da evolução. Assim, sem rodeios, “a síntese moderna já era.”

Koonin tentativamente identifica duas candidatas para preencher o vazio deixado pela descartada síntese moderna. A primeira das duas parece enfatizar o papel do acaso; a segunda parece enfatizar a lei [natural].

“A primeira é a teoria da evolução de população genética da arquitetura genômica, segundo a qual a evolução da complexidade é um efeito colateral de processos evolucionários não adaptativos ocorrendo em pequenas populações em que as limitações da seleção purificadora são fracas. A segunda área com um potencial de grande unificação pode ser o estudo de padrões universais de evolução tais como a distribuição das taxas evolucionárias de gene ortólogos, que é quase que a mesma em organismos de bactérias a mamíferos, ou a anticorrelação uniformemente universal entre a taxa de evolução e o nível de expressão de um gene. A existência desses universais sugere que uma teoria simples do tipo usada em física estatística pode explicar alguns aspectos cruciais da evolução.”

Não é difícil predizer que a análise de Koonin não será recebida calmamente pelos líderes vocais da biologia evolucionária. Eles ainda estão entrincheirados no neodarwinismo e não mostram sinais de conceder qualquer chão para qualquer um. Da perspectiva do design inteligente, a análise de Koonin de mudança do cenário da biologia evolutiva acertou o alvo. Suas duas candidatas para avançar o referencial teórico são interessantes – mas não reconhecem o design intencional na natureza. O conceito do filtro explanatório de design de Dembski é relevante aqui: há características no mundo biológico que são melhor entendidas em termos de processos estocásticos; há outras características que são melhor entendidas em termos de lei natural; mas há também características que exigem a perspectiva do design intencional a fim de se entendê-las. É o ultimo elemento, proeminente no pensamento dos cientistas orientados pelo design, que precisa fazer parte de qualquer discussão na qual a biologia evolucionária estiver indo.

(David Tyler, The Origin at 150: is a new evolutionary synthesis in sight? Eugene V. Koonin, Trends in Genetics, 25[11], November 2009, 473-475. PDF grátis aqui)

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: “Em 2006, eu [Enézio de Almeida Filho] apresentei uma palestra sobre se a teoria do Design Inteligente era Paley redivivus ou uma teoria cientificamente plausível. Dos poucos que me interpelaram, apenas meu bom amigo Charbel Niño El-Hani me disse: ‘Enézio, você embarcou numa canoa furada, e seria melhor pular fora o quanto antes.’ Respondi: ‘Charbel, a teoria do Design Inteligente não é uma canoa furada, e estou apostando tudo no Design Inteligente.’ Muito antes de Koonin, Stephen Jay Gould disse em 1980 que a Síntese Moderna (neodarwinismo) era uma teoria morta que posava como ortodoxia científica somente nos livros didáticos. Uma pergunta impertinente: Se a Nomenklatura científica já sabia desde 1980 que Darwin não fechava as contas num contexto de justificação teórica, o que significa ter ensinado o fato, Fato, FATO da evolução através de uma teoria da qual já se reconhecia a fragilidade para explicar a origem e evolução das coisas bióticas? Eu chamo isso carinhosamente de ‘171 epistêmico’. E a Nomenklatura científica e a Grande Mídia tupiniquins ainda têm a cara de pau de dizer há muito tempo que não existe nenhuma crise na teoria da evolução, e nenhum sinal de iminente e eminente mudança paradigmática em biologia evolutiva. Vem aí a nova teoria da evolução – a Síntese Evolutiva Ampliada, que não pode ser selecionista pelas razões expostas brilhantemente por Koonin.”

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