sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A maior entre todas as aspirações


É natural sonhar e projetar-nos em um futuro sempre auspicioso. Pode-se imaginar a felicidade daqueles que trabalham arduamente e conseguiram chegar à realização de seus intentos. Vivemos neste mundo por tão pouco tempo que, num dado momento da vida, o nosso desejo é fazer algo tão significativo a ponto de conquistar o reconhecimento duradouro, seja pelo que realizamos na profissão, seja pelos feitos intelectuais ou pelo que fazemos no âmbito familiar. Os mais ambiciosos exprimem o desejo de poder percorrer o rol dos mais famosos ou ver exaltados os seus nomes no “Panteão da História.” Em todo caso, talvez não seja bem assim para alguns, mas o que está no mais recôndito dos pensamentos do ser humano é poder alcançar a notoriedade diante daqueles que os cercam. Assim reflete a síntese das aspirações dos homens.

Sob esses aspectos, porém, nesta vida tão complexa e cheia de direções, por vezes, é preciso fazer a escolha mais precisa que, nessa curta peregrinação de nossas almas, nos leve ao reconhecimento mais longânime, nobre e de projeções eternas.


A pergunta que se faz é se será isso um ato possível. Há alguém que já se notabilizou por tal plenitude? Se já, qual a escolha mais acertada?

Uma breve análise de dois grandes homens da História, Rui Barbosa e Paulo de Tarso, que no decorrer de suas vidas ficaram reconhecidos pelo prestígio, influência e notoriedade que exerceram em suas respectivas áreas, servirão de exemplos para definirmos a escolha mais determinante.

Rui Barbosa, que quisera expressar em seu epitáfio a seguinte frase: “Amou a justiça, viveu no trabalho e não perdeu o ideal,” exprimiu com simplicidade o que era digno de sua grandeza. Uma leitura de sua biografia permite notar o quanto o advogado, jurista, jornalista e exímiu diplomata amou a justiça e defendeu a paz. Sem dúvidas, em toda a sua vida, lutou como poucos pela libertação dos escravos, foi o apóstolo de todas as causas liberais e, indubitavelmente, o advogado dos menos favorecidos. A sua defesa era pautada pela linguagem da perfeição literária, que o caracterizou como o mestre incomparável do verbo.

Todavia, o renomado doutor da lei dos hebreus, o então o apóstolo Paulo de Tarso, se notabilizou não por pregar a justiça terrena, mas as causas espirituais. Paulo se recusou a ficar em Jerusalém pregando aos judeus, preferiu se fazer aos gentios, levando as boas novas a todos os povos. O apóstolo levava consigo a atmosfera do céu. Todos que com ele se associavam sentiam a sua comunhão com Cristo. A influência de uma vida santa foi o mais convincente discurso que ele fez em prol do cristianismo. Segundo o próprio apóstolo, o argumento, mesmo que seja irrespondível, pode até provocar oposição, mas o exemplo piedoso de sua conduta dava a seu discurso o poder do convencimento.

Neste primeiro de março passado, completou-se 86 anos que Rui Barbosa se imortalizou. Conheceu em vida as glórias merecidas, mas muito de suas palavras e atos tornaram-se fatos ultrapassados, findando junto com ele várias causas que tanto proclamava e defendia. Porém, vinte séculos se passaram após o apóstolo Paulo ter derramado seu sangue como mártir, ser decapitado em Roma, sem ver os frutos que foram produzidos por suas epístolas. Diferentemente de Rui, sua bandeira permanece erguida e sua voz tem repercutido através dos séculos, levando a milhões de pessoas o testemunho de Cristo.

Os exemplos destes dois homens podem revelar que as causas de âmbitos espirituais, além de repercutirem por mais tempo, são as atividades mais elevadas a serem idealizadas, cultivadas e esmeradas com tal ímpeto por todas as pessoas por serem as proporcionam os mais prometedores dos resultados, tanto em longanimidade de seus efeitos como pela notoriedade e nobreza diante do nosso próximo mais próximo.

Pode-se imaginar a alegria com que o apóstolo expressara em sua epístola em II Timóteo 4:7 e 8, cujo resultado de uma vida dedicada em favor dos homens o fez alcançar, com êxito, seu objetivo de vida, senão a maior entre todas as aspirações humanas. O verso 7 prevalece o que de melhor definiria seu epitáfio: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”.

Orlando Filho, palestrante motivacional e escritor; livro publicado: "Acreditar no Futuro é Ter Poder no Presente"

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