sábado, 5 de setembro de 2009

A carne como alimento

A frase de uma campanha publicitária contra as matanças de animais para o consumo humano chamou muita atenção de amigos quando expus abertamente no meu Messenger a seguinte citação: “o que tem olhos, pessoas Inteligentes não comem.” Diante da repercussão que houve, resolvi esclarecer aqui algumas razões inteligentes de abstermos a proteína animal como nosso principal alimento e apresento também dois fatos curiosos sobre este assunto. Confira a seguir o resultado de minha pesquisa!

No princípio

O regime alimentar indicado ao homem não compreendia alimento de origem animal. A Bíblia nos diz que quando o homem saiu das mãos do Criador, Deus lhe indicou como alimento os cereais e as frutas, naturalmente incluídas as oleaginosas e após o pecado, acrescentou-lhe as hortaliças (Gêneses 3: 18). E, parece evidente aí, que se incluíam as ervas leguminosas, devido ao desgaste físico mencionado no versículo 18. Esta deve ser a mais importante das razões por que não devemos comer carne – foi regime prescrito para o homem por uma Inteligência que bem conhecia o organismo humano, e sabia o que lhe era melhor. Não foi senão depois do dilúvio, quando todo o verde na Terra havia sido destruído, que o homem recebeu permissão para comer carne (Gênesis. 9: 3 e 4).

Escolhendo a comida do homem, no Éden, mostrou o Senhor qual era o melhor regime; na escolha feita para Israel, ensinou Ele a mesma lição. Tirou os israelitas do Egito, e empreendeu educá-los, a fim de serem um povo para Sua possessão própria. Desejava, por intermédio deles, abençoar e ensinar o mundo inteiro. Proveu-lhes o alimento mais adaptado ao Seu desígnio; não carne, mas o maná, “o pão do céu”. João 6:32. Foi unicamente devido a seu descontentamento e murmuração em torno das panelas de carne no Egito que lhes foi concedido alimento cárneo, e isso apenas por pouco tempo. Seu uso trouxe doenças e mortes a milhares. Apesar disso, um regime sem carne não foi nunca aceito de coração. Continuou a ser causa de descontentamento e murmuração, franca ou secreta.

Quando se estabeleceram em Canaã, foi permitido aos israelitas o uso de alimento animal, mas com restrições cuidadosas, que tendiam a diminuir o mal. O uso da carne de porco era proibido, bem como de outros animais, aves e peixes cuja carne foi declarada imunda. Das carnes permitidas, era estritamente proibido comer a gordura e o sangue. Só se podia usar como alimento animais em boas condições. Nenhum animal despedaçado, que morrera naturalmente, ou do qual o sangue não havia sido cuidadosamente tirado, podia servir de alimento (Levítico: 11).

Afastando-se do plano divinamente indicado para seu regime, sofreram os israelitas grande prejuízo. Desejaram um regime cárneo, e colheram os resultados. Não atingiram o ideal divino quanto ao seu caráter, nem cumpriram os desígnios de Deus. O Senhor “satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar a sua alma”. Sal. 106:15. Estimaram o terreno acima do espiritual, e a sagrada preeminência que Deus tinha o propósito de lhes dar, não conseguiram eles obter.

Na idade Média

“Diga o que tu comes e eu te direi quem tu és.” Esta paráfrase é uma expressão utilizada por historiadores para se referir à alimentação da sociedade na Idade Média. A alimentação era uma questão social, marcada pelas diferenças entre as classes, especialmente no século nove. A hierarquia da sociedade naquela época era rígida, enquanto os nobres tinham a sua disposição uma grande variedade de carnes, os camponeses viviam à base de legumes e frutas.

De acordo com as regras da época, os produtos do solo eram reservados aos camponeses, que correspondia cerca de 90 por cento da população. Seus alimentos eram as leguminosas, os legumes e os cereais – com exceção do trigo - um luxo reservado para as mesas dos ricos. Já as carnes, associada à idéia de força e poder, eram praticamente exclusivas das classes dominantes. Além das carnes, a dieta da nobreza incluía ovos e queijos diversos. Já os legumes e frutas eram vistos com profundo desprezo.

Diante das orgias alimentares da nobreza, pode parecer que os servos tinham uma vida miserável. Em matéria de comida, pelo menos, não era bem assim. Um estudo da Universidade Estadual de Ohio, Estados Unidos, verificou que os habitantes do norte da Europa que viveram durante a alta idade média (entre os séculos 5 a 10) tinham em média, 1,73 metros de altura. Ou seja: eram quase tão altos quanto os seus descendentes de hoje – o que indica que sua dieta permitia bom desenvolvimento corporal. “Os pobres da idade Média tinham uma alimentação muito melhor do que supúnhamos, pois era bem balanceado à base de legumes, frutas e peixes”, explica o medievalista Ricardo da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo.

Doenças relacionadas à carne

Há mais de um século, Ellen White disse que chegaria o momento em que teríamos que abandonar a dieta cárnea. Será que esse tempo já chegou? O Dr. Fh. Allison citou um dia a seguinte frase: “Se não fosse o hábito de comer carne, nós médicos muito teríamos que fazer”. Pesquisas revelaram que 60% das doenças humanas surgidas nos últimos 20 anos têm origem no manejo inapropriado em animais.

Em 23 de maio de 2003 pesquisadores da Universidade de Hong Kong, divulgaram que o vírus da SARS (Síndrome Respiratório Aguda Grave) nasceu no chão imundo dos mercados chineses e que pode ter chegado ao seres humanos pelo consumo da carne de um mamífero – a Viveta (parece com o gato e pesa 20 Kg). Outra doença, da vaca louca (encefalopatia), surgiu no Reino Unido, em 1986 e disseminou parar outros países da comunidade européia, devido a reciclagem, sem controle, de carnes, ossos, sangue e vísceras usados na fabricação de ração animal. Em 1995, um inglês de 19 anos foi à primeira vítima da doença de Creutzfeldt-Jakob cuja origem foi atribuída à ingestão de carnes contaminadas. Nestes últimos meses, ouvimos diariamente nos noticiários de vírus mutantes (H1N1) saltarem do sangue de aves e de suínos para os seres humanos sem defesas naturais, causando mortes de muitas pessoas. Veja em seguida os cinco principais manejos inadequados que selecionei:

() Animais doentes são levados aos mercados e abatidos. () Em alguns dos processos de engorda para venda produzem enfermidades. () Excluídos da luz e do ar puro, respirando a atmosfera de imundos estábulos, engordando talvez com alimentos deteriorados. () Os animais são muitas vezes transportados (aglomerados em carros sujos) a longas distâncias por muitas horas e sujeitos a grandes sofrimentos com a falta de alimento e de água, causando um grande estresse. () Os peixes, em muitos lugares, ficam tão contaminados com a sujeira de que se nutre (principalmente os que ficam em contatos com esgotos).

Desde modo, o consumo de carnes e peixes é um fator de riscos para muitas doenças. Quem deseja ter uma vida conscientemente saudável, deveria deixar de consumir estes produtos. A decisão de comer carne é deixada a cada pessoa; porém deveríamos ter clareza em relação às conseqüências. Mostrarei as principais doenças causadas pelo consumo da carne:

() Carne favorece diabetes – Um alto consumo de ácido graxo saturado pode levar a uma resistência à insulina e favorece o surgimento de diabetes melitus. Geralmente produtos animais contem muitos ácidos graxos saturados. () Carne causa obesidade – Ácidos graxos saturados favorecem o desenvolvimento de obesidade. Obesidade é tida como fator de risco para doenças do coração, ataque cardíaco, derrames e distúrbios na circulação sanguínea. () Carne danifica os ossos - Produtos de carne contêm em média mais fósforo do que cálcio. Uma relação mais elevada de fósforo/cálcio resulta numa liberação de mais elevada de cálcio nos ossos. Como mostraram alguns estudos existe uma conexão próxima entre um alto consumo de fosfato na alimentação e um alto risco de osteoporose e quebra de ossos. () Carne e câncer – O instituto NH (National Institute of Health), o maior instituto de pesquisas medicinais do mundo determinou no ano de 2001 um alto risco de câncer quando se consome carne vermelha. Os países Argentina e Uruguai são uns dos maiores consumidores de carne bovina do mundo e ao mesmo tempo pertence aos países com maior número de câncer de peito e intestino. A partir de um estudo da Universidade de Minesota publicado em Setembro de 2002 mostra-se que o consumo de carne vermelha grelhada promove o desenvolvimento de câncer no pâncreas. () Carne promove inflamação e dor – produtos animais contem muito ácido araquídico a partir do qual formam-se substâncias inflamatórias. Estas substâncias podem acarretar o desenvolvimento de neurodermatite, inflamação do intestino delgado e grosso, asma, artrites e reumatismo. () Carne favorece enfarte e arteriosclerose – Ingerir demasiadamente ferro, o que acontece ao consumir muita carne vermelha, é uma fonte perigosa de radicais livres, que danificam os vasos sanguíneos. O risco de enfartes aumenta principalmente nos homens. () Carne promove depressão - carne tem um efeito negativo sobre a psique. Num estudo feito no ano de 1998 mostrou-se um surgimento mais elevado de medo e depressões nas pessoas que comem carne em comparação aos vegetarianos.

A ecologia contra a carne

Sabia-se que abusar da carne não era saudável. Agora, alem disso, não é verde. Uma campanha na Espanha propõe um dia vegetariano por semana para frear o emissor de CO2: o gado. Eles querem reduzir o consumo de carne nos países ricos. Menos consumo de carne implicaria em menos rebanhos e menos emissões.

O gado está na ponta mira dos ecologistas não apenas do CO2 que emite através de seu sistema digestivo metano através de arrotos e flatulências, mas também do estrume que produz óxido nitroso, com um potencial de 296 vezes maior de aquecimento global que o CO2. E, pelo outro motivo, é porque para a sua alimentação são desmatadas grandes extensões de florestas para convertê-las em pastos ou produzir forragens para alimentar o gado. “Extensões cada vez maiores de terra são destinadas ao cultivo da soja, com a finalidade de utilizá-la como proteína para as rações, sobretudo na Argentina e no Brasil”, explica Miguel Ángel Soto, especialista em desmatamento do Greenpeace Espanha. “90% da soja produzida na América Latina é destinada à alimentação animal nos países ricos. Um filé que se come na Espanha, por exemplo, muito provavelmente terá vindo de um boi europeu alimentado com produtos brasileiros, plantados em terras onde antes havia árvores e florestas”, explica Lasse Bruun, porta voz da ONG Compassion in World Farming.

Criação de Gado x Poluição do Meio Ambiente

(1) Esterco e estrume líquido – Na produção de 1 kg de carne suína surgem mais ou menos 15 kg de estrume líquido – na Alemanha, por exemplo, são 66 milhões de toneladas por ano. O nitrato aí contido polui os lençóis de água. As emissões de amoníaco do esterco e estrume líquido contribuem ao surgimento da chuva ácida e à morte das florestas. (2) Efeito estufa – A produção de carne libera grandes quantidades de CO2 principalmente através da queima da floresta tropical para McDonald’s e Co. Além disto, o gado produz mundialmente, a cada ano, 100 milhões de toneladas de metano – 20% da emissão total deste combustível altamente venenoso. (3) Floresta Tropical – A cada dois segundos destrói-se uma região da floresta do tamanho de um campo de futebol – na grande maioria para o plantio de pastos. 5 metros quadrados de floresta tropical são cortados para um hambúrguer. As conseqüências desta destruição para os ciclos de água e o ciclo climático da terra ainda não se pode calcular. (4) Erosão do solo – A porcentagem de erosão do solo causada pela produção de carne e leite é de 85% - são no total 24 bilhões de toneladas todos os anos. (5) Matéria prima – Um terço de toda matéria prima é consumida na criação de extensiva de animais: alimentos vegetais, combustíveis fósseis, madeira e minerais. (6) Água potável – 50% de todo o gasto de água potável vai à conta da criação extensiva de animais. Para a produção de 1 Kg de carne é utilizado em média 100 vezes mais água do que na produção de 1 Kg de cereal ou legume.

Fome mundial

“O gado dos ricos come o pão dos pobres.” Já foi constatado que comer carne causa um sofrimento global. Segundo pesquisadores, se reduzíssemos em pequenas porcentagens o consumo de carne nos países ricos daria para alimentar toda a população do planeta. Confira a pesquisa:

(1) 20 bilhões de animais para o “abate” vivem no nosso planeta. O que eles comem? 40% da colheita mundial de cereais vão para a criação extensiva de animais nos países industriais. (2) Para “produzir” 1 Kg de carne bovina necessita-se de 9 Kg de cereais. (3) Os países pobres em parte são obrigados a vender alimento vegetal de alta qualidade e necessário para a alimentação humana como ração para animais. 60% da ração em criações de confinamento (cereais, soja, amendoim...) são importados dos países em desenvolvimento. (4) Para a produção de 200g de bife são alimentados até 2 Kg de cereais. 2 Kg de cereais satisfariam a fome de mais ou menos oito crianças. 40.000 crianças morrem de fome diariamente! (5) 50 milhões de pessoas morrem de fome anualmente! Se os países industriais reduzissem seu consumo de carne somente 10% então 100 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas adicionalmente. Ninguém precisaria morrer de fome.

Substituição para uma proteína vegetal

Como sabemos agora, a alimentação onívora, que inclui a carne, foi uma adaptação que o ser humano fez e hoje traz sérios problemas para o planeta e a saúde humana. Muitas pessoas não acreditam viver sem a proteína animal. No entanto, esta ignorância acabava saindo cara. Fontes vegetais de proteínas não são conhecidas como tais e as pessoas perdem dinheiro e saúde consumindo carne.

O risco da falta de proteína tem sido utilizado pelos defensores da carne contra o vegetarianismo. Na verdade, as proteínas são constituídas por aminoácidos em proporções diferentes. Os vegetais também contêm os aminoácidos em quantidades diversas, que se completam. Basta que haja leguminosas e cereais para a necessidade protéica do ser humano seja satisfatoriamente atendida por alimentos vegetais. Além disso, a proteína vegetal vem acompanhada de outros nutrientes, como vitaminas e sais, além de enzimas, que facilitam o seu aproveitamento pelo organismo. A carne, além de ser pobre em vitaminas e em minerais, vem acompanhada de substâncias danosas, fruto do metabolismo do animal quando estava vivo, como a uréia e o ácido lático, e outras que foram liberadas no momento da morte, como a histamina e a, adrenalina, além de produtos da putrefação iniciada logo após a morte. Como diz o Dr. Elias de Oliveira, “É importantíssimo reconhecer, de uma vez por todas, que os alimentos, ao serem ingeridos, passam por um processo de decomposição até o nível de moléculas. É com estas que o organismo, basicamente o fígado, vai formar as células de que o corpo está necessitando. Não se pode, portanto, imaginar que os alimentos são incorporados tal ingeridos: carne vira carne, gordura vira gordura, leite vira leite, etc.”

Observe a tabela do médico nutrólogo Dr. Elias Oliveira Lima, que comparou a Proteína Vegetal x Proteína Animal (% em 100g). Carne de Boi Magra Crua = 21,0 / Carne Frango crua = 19,0 / Bacalhau = 18,0 / Carne de Carneiro Crua = 17,00 / Peixe (média) = 16,0 / Ovo de Galinha Inteiro Cru = 12,0 / Semente de Abóbora = 36,0 / Soja Crua = 36,1 / Amendoim = 28,1 / Feijão, Guandu, Andu = 25,8 / Feijão fradinho = 24,1 / Castanha de Caju = 17,8 / Castanha do Pará = 17,0 / Queijo de soja (Tofu) = 26,7

Observações importantes


A carne nunca foi e nunca será o melhor alimento. Mas ao recomendar que seja abandonada, temos alguns conselhos a dar, antes de concluir. Ninguém deve ser solicitado a fazer abruptamente à mudança, seja primeiro a consciência educada, estimulada a vontade e assim a mudança pode ser feita muito mais depressa e de boa vontade. É também importante dizer quando se abandona a carne, deve-se substituí-la por uma variedade de cereais, nozes, verduras (hortaliças) e frutas.

Por fim, creio que a esta altura, todo leitor já está devidamente capacitado a eliminar a carne de seu regime alimentar, sem prejuízo para a saúde. Caso contrário precise mais razões, é só olhar as revistas de maior circulação no país, acessar os sites na internet ou assistir aos congressos e Encontros de Medicina, principalmente nas áreas de cardiologia, pediatria, nefrologia, entre outras. Lembre-se: Ser inteligente é compreender e adaptar-se a novos aprendizados. Boa saúde e viva o planeta!

Fontes: A bíblia Sagrada – Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, A ciência Do Bom Viver – Ellen G. White, Conselhos Sobre Regime Alimentar – Ellen G. White, Sete Dias Para Começar a Viver – Dr. Elias Oliveira Lima, Nutrição Orientada e os seus Remédios da Natureza – Durval Stockler de Lima, Revista Adventista de setembro 2004 página, 38, universelles-leben - folheto informativo, http://www.envolverde.com.br/ e pt.wikipedia.org/wiki.

(Firmo Neto)

No dia 03 de outubro, será lançada no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a campanha Segunda sem Carne.

Iniciativa da Sociedade Vegetariana Brasileira em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, a campanha conta já com o apoio do Slow Food São Paulo, do Instituto Nina Rosa, da Revista dos Vegetarianos, do Greenpeace, entre outros. A prefeitura de São Lourenço da Serra aderiu à Campanha.

Fique de olho! Apoie essa ideia!

Participe da Campanha Segunda Sem Carne: uma vez por semana tire a carne do seu cardápio. Você pode conhecer os restaurantes vegetarianos ou simplesmente montar um cardápio sem nenhum tipo de carne. É uma ação simples e de grande impacto.

Pelas Pessoas. Pelos Animais. Pelo Planeta.
Acompanhe também: http://diasemcarne.wordpress.com/

Um comentário:

  1. A embaixadora do Vida Universal (universelles leben) da Alemanha, esta em Porto Alegre, e a convidamos para fazer um colóquio sobre o abuso de animais e a espiritualidade. Obrigada por estar divulgando essas matérias, a carne não só não é necessária como ainda é uma prova da falta de respeito que o ser humano tem com o seu semelhante.

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