quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Por que o mel é o único alimento da natureza que não estraga?


O mel possui uma porção de propriedades incríveis. Além do seu sabor delicioso, é praticamente o único alimento da natureza que não estraga. Mas você sabe por que, exatamente, isso acontece?
O alimento produzido pelas abelhas começou a ser usado por conta de suas propriedades medicinais há muito tempo, especialmente como tratamento para feridas abertas. O historiador grego Heródoto relatou que os babilônios enterravam seus mortos no mel e Alexandre, o Grande pode ter sido embalsamado em um caixão cheio de mel.

 O mel mais antigo já encontrado foi descoberto na Geórgia, país do Cáucaso, e remonta há mais de 5 mil anos. Então, se você se encontrasse na posse de um mel de cerca de 5 mil anos de idade, você poderia comê-lo?

O mel é um açúcar. Você já ouviu todos os tipos de coisas sobre os benefícios para a saúde da substituição de açúcar por mel, o que pode ou não ser verdade. Por mais que o mel não seja igual àquele açúcar branco refinado, ainda é um tipo de açúcar. E, como tanto, é higroscópico, ou seja, tem tendência para absorver a umidade do ar e, consequentemente, não contém muita água em seu estado natural. E pouquíssimas bactérias ou micro-organismos conseguem sobreviver em um ambiente de umidade tão baixa assim.

Amina Harris, diretora-executiva do Centro de Mel e Polinização, no Instituto Robert Mondavi da Universidade da Califórnia, EUA, explica que as bactérias ou os micro-organismos simplesmente morrem em um ambiente como esse. “Eles são sufocados pela falta de umidade, essencialmente. O fato de os organismos não poderem sobreviver por muito tempo no mel significa que eles não têm a chance de estragá-lo”, conta.

Outra coisa que diferencia o mel de outros açúcares é a sua acidez. O PH do mel está entre 3 e 4,5 (ou, mais precisamente, entre 3,26 e 4,48), condição que também mata qualquer tipo de organismo que por acaso tem a pretensão de fazer do mel sua casa.
Porém, existem alguns fatores extras além do baixo teor de umidade que faz do mel uma substância que reina absoluta ante os elementos que poderiam, em tese, estragá-lo. Entre esses fatores estão as abelhas.

Primeiro , as abelhas contribuem para o ambiente de baixa umidade do mel ao bater as asas para secar o néctar. Em segundo lugar, a maneira como as abelhas introduzem o néctar nos favos de mel é vomitando lá. Isso parece nojento, mas a composição química dos estômagos das abelhas também contribui para a longa vida do mel.

O estômago das abelhas contém a enzima glicose oxidase, que é adicionado ao mel quando o néctar é regurgitado . A enzima e o néctar se misturam para criar o ácido glucônico e o peróxido de hidrogênio. O peróxido de hidrogênio também é uma força hostil contra qualquer ser tentando crescer no mel.

O armazenamento também é importante. Vimos que o mel possui pouca água em seu estado natural, mas pode facilmente absorver água, caso seja exposto a ela. Se isso acontecer, o mel pode realmente estragar. Portanto, o ponto chave para o mel permanecer bom para o consumo humano é ter certeza de que ele está bem vedado e armazenado em local seco.

O que pode acontecer com um mel mal armazenado é a cristalização. O mel cristalizado não significa, necessariamente, que ele está estragado. O alimento que chega ao mercado muitas vezes passam antes por filtros para remover partículas que podem levar à cristalização. O mel cru e o mel orgânico não são submetidos a esse processo, mas isso não significa que eles vão estragar. Além disso, o diferentes tipos de mel possuem taxas de cristalização distintas. Por isso, pode ser apenas que o mel que você tem na sua casa é mais propenso à cristalização.

E, se você não gostar do seu mel cristalizado, a grande dica é não colocá-lo na geladeira. Abaixo de 10°C, a cristalização diminui, então sinta-se livre para congelar o seu mel. Por outro lado, com temperaturas acima de 25°C, o mel resiste melhor à cristalização.

De uma forma geral, o mel cristaliza mais rapidamente se estiver sob uma temperaturas entre 10 e 15° C. Por isso, se você quiser evitar ter de aquecer o seu mel para remover os cristais (a propósito, o calor lento e indireto é o melhor para isso), evite a geladeira.

No final das contas, sim , o mel em sua maioria não estraga. No entanto, o alimento pode conter esporos da bactéria Clostridium botulinum. Embora patogênica, o micro-organismo não é prejudicial para adultos ou crianças com mais de um ano de idade, cujo trato gastrointestinal já está desenvolvido o suficiente para lidar com os esporos. Mas crianças menores de um ano possuem riscos de desenvolver a doença botulismo infantil. Ou seja, o mel não é bom para o seu bebê.

Voltando à grande pergunta do texto, você poderia comer um mel de cinco mil anos de idade? Bem, se ele passou esse tempo todo selado e armazenado longe da umidade, vá em frente. Se está cristalizado, não se incomode: é só aquecê-lo e colocá-lo em seu alimento de escolha. A menos que você seja um bebê com menos de um ano de idade. Nesse caso, é melhor esperar sua primeira festinha de aniversário.

Fonte: io9 via hypescience

Filme sobre Gênesis chega aos cinemas em fevereiro



Um filme cristão que abordará a historicidade do livro de Gênesis está chegando aos cinemas em fevereiro. Embora documentários nunca consigam ser sucesso de bilheteria, a intenção é divulgar “O Projeto Verdade”. A iniciativa é do Dr. Del Tackett, que passou anos pesquisando as reivindicações históricas do Gênesis em vários campos científicos, incluindo arqueologia, biologia, geologia e astronomia. O filme se chama “O Gênesis é história?” e será exibido nos cinemas dos Estados Unidos no dia 23 de fevereiro. A produção da Compass Cinema e da Fathom Events tem um objetivo, explica Tackett: “Milhões de pessoas têm dúvidas sobre as origens da Terra e da humanidade.”

“Há pontos de vista contrastantes de nossa história, uma das quais está no livro de Gênesis. A pergunta é: Qual ponto de vista está certo? ‘Gênesis é história?’ apresenta uma defesa de que a Bíblia é historicamente confiável”, afirmam seus produtores ao Christian Examiner.

Thomas Purifoy Jr., que trabalhou na concepção do documentário, afirma que ele pode ser assistido por adolescentes e pessoas que se consideram “leigas” no assunto, uma vez que a apresentação é bem didática e a linguagem, simples.

O filme irá abordar não apenas a precisão histórica de Gênesis, mas também o debate se o mundo foi criado em seis dias literais ou não. Além disso, serão analisadas as dúvidas mais comuns sobre os dinossauros e o tempo de formação do planeta.

Após a estreia do filme, o Dr. Tackett vai conduzir um painel de discussão com vários dos cientistas que aparecem na produção.

Não há previsão do longa chegar ao Brasil.

Fonte: Gospel Prime

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Menor lente do mundo mostra ligações químicas entre átomos



Durante séculos, os cientistas acreditaram que a luz, como todas as ondas, não poderia ser focada em um ponto menor do que seu comprimento de onda - pouco menos de um milionésimo de metro, ou algumas centenas de nanômetros.

Essa crença vem sendo desmistificada ao longo dos anos com o auxílio de diversas técnicas, incluindo metalentes e diversos tipos de lentes planas.

Agora, uma equipe do Reino Unido e da Espanha criou a menor lente de aumento do mundo, capaz de concentrar a luz em um ponto um bilhão de vezes menor, até a escala de átomos individuais.

Felix Benz e seus colegas usaram nanopartículas para construir a menor cavidade óptica já feita, tão pequena que apenas uma única molécula pode caber dentro dela. A cavidade - que a equipe chamou de "picocavidade" - foi esculpida em uma nanoestrutura de ouro, sendo ela a responsável por confinar a luz a menos de um bilionésimo de metro.

"Nossos modelos sugerem que átomos individuais que se projetam [da superfície da nanopartícula] podem atuar como pequenos pára-raios, mas focando a luz em vez da eletricidade," disse o professor Javier Aizpurua, da Universidade Politécnica de Valência.

Novos campos de pesquisas e aplicações

Com um foco tão minúsculo, com dimensões similares às de um único átomo, torna-se possível observar ligações químicas individuais dentro de moléculas, abrindo novas formas de estudar a luz e a matéria.

Por exemplo, é possível fazer com que as moléculas na cavidade passem por reações químicas e observar tudo o que acontece, o que pode permitir o desenvolvimento de tipos inteiramente novos de sensores.

Em sentido mais amplo, o avanço tem o potencial para abrir um novo campo de estudo e exploração de reações químicas catalisadas por luz, permitindo que moléculas complexas sejam construídas a partir de componentes menores.

Além disso, a equipe afirma ser possível explorar novos dispositivos de armazenamento de dados optomecânicos, nos quais a informação seja escrita e lida por luz e armazenada na forma de vibrações moleculares.

Fonte: Inovação Tecnológica

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A ciência está a evoluir para algo pouco confiável

Ciência corrompida
Não há escassez de avisos por parte da comunidade científica de que a ciência, tal como a conhecemos, está a ser drasticamente afetada pelas pressões comerciais e pelas pressões institucionais que são exercidas sobre os pesquisadores nas revistas científicas mais importantes. Agora uma nova simulação revelou que a deterioração está de fato a acontecer.

Para chamar atenção para a forma como bons cientistas são pressionados para publicar má ciência (leia-se “resultados surpreendentes e sensacionais”), pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram um modelo informático para simular o que acontece quando os cientistas competem por prestígio e por empregos.

Neste modelo, desenvolvido por pesquisadores da “University of California, Merced”, todos os grupos de laboratório que eles colocaram neste cenário eram honestos – eles não mentiram e nem falsificaram intencionalmente os resultados. Mas eles receberiam mais recompensas se publicassem dados “novos” – tal como acontece no mundo real. Eles tinham também que levar a cabo mais esforços como forma de serem rigorosos nos seus métodos – algo que iria aumentar a qualidade das suas pesquisas mas diminuir a sua produção acadêmica.

O pesquisador principal Paul Smaldino explicou ao The Conversation: Resultado: "Com o passar do tempo, os esforços diminuíram até ao seu valor mínimo, e a taxa de falsas descobertas aumentou."

Mais ainda, o modelo sugere que os “maus” cientistas (se se pode usar este termo) que tomam a via mais fácil em relação aos incentivos que estão à disposição acabam por transmitir os seus métodos à geração seguinte de cientistas que também trabalham nos seus laboratórios, gerando, para todos os efeitos, um enigma evolutivo que recebeu, por parte dos pesquisadores, o nome de “a seleção natural de má ciência”.

Smaldino disse o seguinte a Hannah Devlin do “The Guardian”: Enquanto existirem incentivos para resultados inovadores e surpreendentes, algo que se passa mais em algumas revistas de alto relevo do que noutras, aspectos mais  nuancizados da ciência, e práticas de má-qualidade que maximizam a habilidade individual de gerar tais resultados, irão existir de forma desenfreada.

Não é a primeira vez que ouvimos alegações desta natureza – embora seja bem provável que nenhum pesquisador tenha de fato calculado as coisas através duma simulação computacional. A ciência encontra-se numa espécie de cruzamento, e os pesquisadores estão a salientar o que eles chamam de “crise de reprodutibilidade”.

Isto ocorre, de modo efetivo, devido à publicação de “falsas descobertas” – resultados científicos difíceis de reproduzir e que são algo como ruído dentro dos dados científicos, mas que são escolhidos para publicação por parte dos cientistas das revistas científicas porque são novos, sensacionais e de alguma forma surpreendentes.

Este tipo de resultados cativa o nosso interesse humano devido à sua componente inovadora e chocante – mas eles arriscam-se a prejudicar a credibilidade da ciência, especialmente se os cientistas se sentem pressionados para embelezar os seus artigos de modo a que possam gerar este tipo de impressões.

Mas isto é um círculo vicioso visto que tais pesquisas espantosas geram imensa atenção e ajudam os pesquisadores a verem os seus artigos publicados, o que, por sua vez, os ajuda a obter financiamento da instituições para poderem continuar com as suas pesquisas. Smaldino escreve:

A evolução cultural da ciência de má qualidade em resposta aos incentivos para a publicação não requer uma estratégia, uma mentira ou esquemas conscientes por parte dos pesquisadores individuais. Sempre irão existir pesquisadores dedicados que usam métodos rigorosos e que se encontram vinculados à integridade científica. Mas enquanto os incentivos institucionais recompensarem os resultados novos e positivos, em detrimento do rigor, a taxa de má ciência irá, em média, aumentar.
E o problema é aumentado ainda mais com as medidas quantitativas criadas para avaliar a importância dos pesquisadores e dos seus artigos visto que este tipo de aferições, tal como o controverso valor-p, podem ser enganadores, gerando um rol de falsas impressões que, de forma geral, prejudicam a ciência.

Vince Walsh, da “University College London” no Reino Unido, e que não fez parte do estudo, afirma: Concordo que a pressão para publicar seja corrosiva e anti-intelectual. Os cientistas são humanos, e se as organizações são suficientemente burras para os avaliar com base nas dados de venda, eles irão fazer descontos como forma de atingir os objetivos, tal como acontece com qualquer outra pessoa envolvida nas vendas.

Dito isto, qual é a solução? Bem, não será fácil, mas Smaldino afirma que, ao nível institucional, temos que nos afastar da mentalidade de aferir os cientistas quantitativamente.

No seu artigo, os pesquisadores escrevem: Infelizmente, os custos a longo-prazo do uso métrica quantitativa simples para aferir o mérito do pesquisador são enormes. Se formos sérios nos esforços de garantir que a nossa ciência é, ao mesmo tempo, significativa e duplicável, temos que garantir que as nossas instituições incentivem este tipo de ciência.

Enquanto isso, estudos tais como este, que incidem uma luz crítica à ciência – estudos esses que são francamente “novos” e geradores de atenção em si mesmos – podem ajudar a manter as pessoas cientes do quão sério este assunto realmente é. Smaldino afirma:

Quanto mais pessoas cientes dos problemas que existem dentro da ciência, e pessoas dispostas a melhorar as instituições, existirem, mais cedo e mais facilmente ocorrerá a mudança institucional.

 Fonte: science alert via Darwnismo

Nota do blog Darwnismo: Enquanto que os cientificamente ignorantes atribuem à ciência uma aura de infalibilidade inexistente, as pessoas que se encontra dentro do mundo da ciência afirmam que este mundo, tal como toda a área sob influência humana, está corrompida. Lembrem-se disto sempre que alguém disser que a publicação de um artigo é sinal de rigor científico ou que a não publicação é sinal de falta do mesmo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Como funciona a universidade sem professores inaugurada nos EUA

Uma universidade revolucionária, sem professores, onde não há livros e nada é pago, acaba de ser aberta no Vale do Silício, na Califórnia. A ideia é receber por ano 1 mil estudantes interessados em programação de computadores e desenvolvimento de software. Durante o curso, os alunos trabalham sempre em grupo e avaliam os trabalhos uns dos outros.

O nome da nova universidade, 42, é uma referência à resposta sobre qual seria o sentido da vida segundo o clássico de ficção científica O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, no original em inglês) de Douglas Adams - criado nos anos 1970 como série de rádio da BBC e transformado em livro, peça de teatro, minissérie de TV, filme longa-metragem, revista em quadrinhos, livro ilustrado e jogo de computador.

O Guia do Mochileiro das Galáxias é o nome de um dicionário fictício, que tem definições e opiniões sobre todo o universo.

O primeiro campus da 42 foi criado em Paris, em 2013, por Xavier Niel, um empresário e milionário do setor de tecnologia.

Muitos do que se formaram lá trabalham hoje em grandes empresas como IBM, Amazon e Tesla. Alguns criaram suas próprias companhias.

Facebook e Airbnb como modelos

Xavier Niel e seus sócios - vindos de start-ups do setor de tecnologia - querem revolucionar a educação como o Facebook fez com a comunicação na internet e o Airbnb com a hotelaria convencional.

Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia, diz que jovens acostumados a ensinar aos colegas têm mais iniciativa no ambiente de trabalho

Para atingir essa meta, a universidade combina uma forma radical de ensino colaborativo e aprendizagem por projetos. Os dois métodos são bastante populares entre educadores, mas normalmente envolvem a supervisão de professores. Assim, os alunos da 42 podem escolher projetos - como criar um website ou um jogo de computador - que seriam executados se eles estivessem trabalhando em uma empresa como desenvolvedores de software.

Para colocar seu projeto de pé, eles usam as fontes gratuitas disponíveis na internet e recebem ajuda dos colegas. Todos trabalham lado a lado, em uma ampla sala, com várias fileiras de computadores. Depois, a avaliação será feita por um outro colega, escolhido aleatoriamente.

Como nos jogos de computador, os estudantes vão avançando no curso em níveis ou fases e competem com um mesmo projeto. Eles se formam ao atingir o nível 21 e isso geralmente leva de três a cinco anos. Ao concluir o curso, recebem um certificado, nada de diploma tradicional.

Fim do aprendizado passivo

Os criadores da 42 afirmam que esse método de aprendizagem é melhor que o sistema tradicional que, segundo eles, incentiva os estudantes a serem receptores passivos de conhecimento.

O empresário francês Xavier Niel (dir.) com os prefeitos de Londres e Paris. É ele quem financia o projeto da universidade sem professores
"O retorno que temos recebido dos empregadores é que os jovens que formamos são mais preparados para buscar informações por si mesmos, por exemplo, sem precisar perguntar ao supervisor o que devem fazer," diz Brittany Bir, chefe de operações da 42 na Califórnia e ex-aluna no campus de Paris.

Aprendendo com quem aprende

"O aprendizado colaborativo faz os estudantes desenvolverem a confiança necessária para buscar soluções de forma autônoma, com métodos criativos e engenhosos"", explica. Ela afirma ainda que quem passou pela 42 é mais capaz de trabalhar em grupo, discutir e defender ideias - qualidades procuradas no mundo real do mercado de trabalho em tecnologia. "Isso é especialmente importante na área de programação, onde há uma falta de determinadas habilidades humanas," acrescenta.

O aprendizado colaborativo não é novidade e já é adotado em várias escolas e universidades, especialmente em áreas como engenharia. Aliás, historiadores concluíram que, na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles tinha na sua escola alunos que eram monitores e ajudavam os colegas.

Pesquisas recentes mostram que o aprendizado colaborativo pode fazer o aluno desenvolver um conhecimento mais profundo sobre determinado assunto.
A grande procura por programadores levou ao surgimento de cursinhos rápidos e intensivos no Vale do Silício, nos EUA

Especialista em educação, o professor Phil Race explica que assuntos difíceis são mais fáceis de entender quando explicados por alguém que os aprendeu sozinho, sem nenhuma ajuda.

Dan Butin, reitor da escola de educação e política social do Merrimack College de Massachusetts, nos EUA, defende que o aprendizado colaborativo e por projetos seja popularizado em colégios e universidades.

O professor Butin diz que esses métodos são "ferramentas de ensino" muito melhores do que palestras, por exemplo, que normalmente não propõem desafios ao raciocínio dos ouvintes.

'O momento do arrá!'

No entanto, Butin considera que a universidade 42 foi longe demais ao abolir os professores. Pesquisas feitas por ele indicam que a maneira mais eficaz de ensino colaborativo inclui a supervisão de um professor especializado. "A razão decisiva para a existência de um professor é orientar os estudantes no enfrentamento de assuntos complexos, ambíguos e que geralmente escapam à sua capacidade de entendimento", acredita.

O pesquisador americano Dan Butin diz que os alunos precisam de professores que os desafiem
"Bons professores são capazes de levar os estudantes ao que chamo de 'momento do arrá!'"
O pesquisador diz que "a função da universidade" é desafiar conhecimentos e opiniões preconcebidas. Uma universidade sem professores, continua Butin, pode permitir que os estudantes simplesmente "reforcem e regurgitem" ideias que já têm sobre o mundo.

O modelo da 42 poderia ser uma alternativa aos Massive Open Online Courses, os Moocs (cursos online abertos e massivos, em tradução livre), que permitem que um grande número de pessoas estude online gratuitamente ou pagando pouco.

Como os Moocs, a 42 oferece uma educação mais acessível que a universidade tradicional. Mas também oferece os chamados benefícios sociais como acesso a um prédio e interação diária com outras pessoas.

A abertura da 42 coincide com a popularização nos EUA de cursinhos rápidos e intensivos que atraem milhares por causa da grande procura por programadores e desenvolvedores de software.

Método exige aluno disciplinado

Mas será que o modelo sem professores da 42 daria certo em grandes universidades?

Britanny Bir admite que os novos métodos não servem para todos os alunos. Durante o mês de seleção, por exemplo, alguns candidatos ficam irritados pelo estresse de trabalhar tão próximos. E não é difícil imaginar uma reação assim se você recebeu nota baixa de alguém que está no computador ao seu lado. "O método é indicado para pessoas muito disciplinadas e confiantes, que não se intimidam com a liberdade de trabalhar no seu próprio ritmo", diz Britanny.

Nicolas Sadirac, diretor da 42 de Paris, destaca que esse modelo funciona particularmente bem para estudantes que sofreram fracassos ou foram deixados de lado pelo sistema tradicional de educação.
"Na França, o sistema de educação decepciona muitos jovens apaixonados, que se sentem frustrados com o que são obrigados a fazer e com a maneira como isso é exigido", acrescenta.

O processo de seleção da universidade 42 ignora qualificações acadêmicas anteriores. No campus de Paris, 40% dos estudantes não completaram o equivalente ao segundo grau.

"A 42 lembrou a eles que aprender pode ser divertido se você seguir o seu interesse, em vez de ser ensinado por professores a focar em uma coisa só," conclui Sadirac.

Fonte: BBC

Nota: O mundo está em constante mudanças, inclusive na área da educação. Temos observado um aumento de cursos on line e faculdades à distância onde não existe a presença direta dos professores. "Com o avanço da tecnologia o papel do professor será bastante 'limitada'.", acredita o geógrafo, Tarcísio Meira, que vem defendendo há anos essa nova era educacional. Segundo ele, esse novo processo de ensino aprendizagem se adaptará também no ensino médio e técnico. Para os futuros professores, a 'reciclagem' será necessária para o sucesso profissional e permanência no mercado de trabalho. [FN]

domingo, 13 de novembro de 2016

Descoberta de fósseis mudam perspectiva de origem de dinossauros

A descoberta de que dinossauros e lagerpetídeos chegaram a conviver indica que os grandes lagartos pré-históricos podem ter evoluído de forma mais gradual do que se imaginava
Um grupo de cientistas brasileiros descobriu, no Rio Grande do Sul, três fósseis que poderão mudar as teorias atuais sobre a origem e evolução dos dinossauros. Os pesquisadores descobriram pela primeira vez, lado a lado, dois esqueletos de dinossauros e um esqueleto de lagerpetídeo - um animal considerado um precursor dos dinossauros.

De acordo com os autores do estudo, publicado neste sábado (12/11) na revista científica Current Biology, a descoberta de que dinossauros e lagerpetídeos chegaram a conviver indica que os grandes lagartos pré-históricos podem ter evoluído de forma mais gradual do que se imaginava.

"Nós sabemos agora, com certeza, que os dinossauros e seus precursores viveram lado a lado e que a ascensão dos dinossauros foi mais gradual do que imaginávamos - e não uma rápida substituição de outros animais que viveram na época", disse um dos autores do estudo, Max Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP).

O novo lagerpetídeo, Ixalerpeton polesinensis, e os dois dinossauros da espécie Buriolestes schultzi foram encontrados em Santa Maria, uma formação geológica localizada na região de Agudo, no centro do território gaúcho. A formação, com rochas de 230 milhões de anos, é considerada uma das mais antigas do mundo com a presença de fósseis de dinossauros.

Os pequenos dinossauros pesavam aproximadamente sete quilos, tinham cerca de 1,5 metro de comprimento, 50 centímetros de altura e um crânio de apenas 13 centímetros. De acordo com Langer, trata-se do único representante estritamente carnívoro do grupo dos sauropodomorfos, que inclui dinossauros gigantes do Jurássico, como o Diplodocus e o Apatosaurus. O lagerpetídeo, um bípede, é ainda menor, com cerca de 25 centímetros de altura.

Detalhes

Segundo Langer, a descoberta mostra que o Ixalerpeton e os Buriolestes foram contemporâneos durante os primeiros estágios da evolução dos dinossauros. Segundo ele, o novo espécime de lagerpetídeo tinha preservados elementos do crânio, da escápula - um osso do quadril - e de membros anteriores, além de algumas vértebras.

"Evidências de dentes também mostram que os primeiros dinossauros provavelmente se alimentavam de todo tipo de pequenos animais, mas provavelmente não comiam plantas", disse Langer.

Segundo ele, os detalhes revelados pelo estudo dos dois novos exemplares de Buriolestes já ajudaram a preencher lacunas importantes na evolução de algumas das características anatômicas dos dinossauros. Mas Langer e seus colegas ainda continuarão as pesquisas, utilizando tomografia computadorizada para caracterizar e descrever a anatomia dos animais com ainda mais precisão.

Além de Langer, participaram do estudo os paleontólogos Sergio Furtado Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e Alexander Kellner, do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os fósseis foram encontrados pelos paleontólogos da Ulbra Sergio Furtado Cabreira e Lúcio Roberto da Silva.

Fonte: Em

Nota deste blog: A descoberta de que dinossauros e lagerpetídeos chegaram a conviver na mesma época não é evidência de processos graduais evolutivos. Todo bom evolucionista sabe que os elos perdidos encontram ainda perdidos, ou seja, não foram encontrados nenhum fósseis em transição. Enfim, enquanto os cientistas continuarem acreditando na teoria naturalista, conclusões ridículas como esta continuarão a serem divulgadas para os leitores leigos como a única perspectiva das origem dos seres vivos. [FN].


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Para descontrair e refletirmos, publiquei duas imagens de animais de espécies totalmente diferentes mas com leve aparência física.
Um pônei e um cão - quem é quem?

Quem é o gato e quem é o cachorro?
Já imaginou se estes animais fossem extintos e nós não conhecêssemos e ainda fossem encontrados fósseis deles juntos? Será que os cientistas iriam também afirmar que são frutos de um processo gradual evolutivo da mesma espécie? Acho que sim!  [FN]

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Ícone do “fato” da evolução está errado há 60 anos

Mentira perpetuada
A representação artística da suposta macroevolução humana a partir de um hominídeo que mais se parece com um chimpanzé (calma, calma! Eu sei que os evolucionistas afirmam que humanos e macacos teriam evoluído de um suposto ancestral comum, e não o homem evoluído do macaco, como se diz costumeiramente) vem sendo perpetuada à semelhança dos ícones do Che Guevara com boina e do Einstein de língua de fora. O desenho da escadinha evolutiva virou símbolo de um monte de coisas, e está tão disseminado que quase ninguém se pergunta se é real (como também não se pergunta se Che foi mesmo o herói que muitos creem ter sido). Por isso, são muito bem-vindas admissões como a do paleoantropólogo Tim White, que ajudam alguns a sair do estado de dormência e/ou ignorância (e quem sabe ajudem também a fazer com que autores e editores de livros didáticos retirem essa enganação dos livros de Ciências e de História): “A representação unilinear da evolução humana popularizada pela iconografia familiar de uma ‘marcha evolutiva para o homem moderno’ foi provada errada há mais de 60 anos. No entanto, o desenho continua a fornecer um espantalho popular igualmente para cientistas, escritores e editores”

Fonte: Tim White, “Paleoanthropology: Five’s a Crowd in Our Family Tree”, in Current Biology, feb. 2013; citado em Desafiando a Nomenklatura Científica.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A “Era do Gelo”: uma perspectiva bíblico-científica

Aconteceu mesmo? Como foi?
Antes de adentrarmos diretamente no assunto, é necessário entender que o conceito de “era do gelo” é utilizado por geólogos ou glaciologistas uniformitaristas para designar um período geológico de longa duração, isto é, de centenas de milhares a milhões de anos. Por sua vez, o modelo criacionista tem dado preferência ao uso dos termos “época do gelo ou “idade do gelo”, porque esses termos caracterizarem melhor sua proposta. Mas a pergunta que permanece é a seguinte: Houve realmente uma “era do gelo”? De fato, há evidências convincentes de que, em certa época, o gelo cobriu grande parte do Canadá, as regiões norte e central dos Estados Unidos, Norte da Europa, Noroeste da Ásia, muitas cadeias montanhosas da Eurásia e do hemisfério sul e dos trópicos.[1: p.65, 2] O modelo uniformitarista afirma que houve pelo menos cinco grandes “eras do gelo” em nosso planeta. Já o modelo criacionista entende que houve apenas uma época do gelo.[3] Realmente são encontradas características da Idade do Gelo em mais de 30% da massa terrestre, indicando cobertura passada por camadas de gelo ou glaciares, ao passo que, hoje, apenas 10% são glaciadas (principalmente Groenlândia e Antártida).[4]

Principais categorias de evidências de uma época glacial

Geológicas. Caracterizada pela presença atual de glaciares nas regiões Ártica e Antártica. Contagem de camadas anuais no núcleo de gelo (por exemplo, na Groenlândia).[5] Evidências nas rochas de marcas de abrasão, sinais de desgaste e arrasto.[1: p. 65] Morenas de glaciares, que são depósitos de fragmentos de pedras empurrados pelo gelo.[1: p. 64] Fiordes, que são grandes entradas de mar entre altas montanhas rochosas que sofreram erosão devido ao gelo e que podem ser vistas, principalmente, na Groenlândia, Islândia e Noruega. Blocos erráticos.[1: p. 65] Entre outros.

Químicas. Caracterizada principalmente pelas variações nas proporções de isótopos em fósseis, sedimentos (inclusive marinhos) e rochas. Assim, pode-se chegar a uma temperatura aproximada do ambiente naquela época.

Paleontológicas. Caracterizada pelas evidências de associações desarmônicas, isto é, alterações na distribuição geográfica dos fósseis que são a regra e não a exceção. As associações desarmônicas podem ser entendidas, por exemplo, através de animais de ambientes quentes quando encontrados em outras regiões geográficas mais frias.[6]

Causas da época do gelo (cenário uniformitarista)

Atualmente, existem mais de 60 teorias sobre as causas dessa época do gelo. Diante de um número tão grande de teorias, percebemos que os uniformitaristas não sabem exatamente como aconteceu e não há uma explicação amplamente aceita sobre o que teria causado essa “era do gelo”. Isso porque não há eventos dessa proporção acontecendo hoje para que possamos utilizá-los a fim de explicar o passado. Os mantos de gelo, por exemplo, não estão atualmente se desenvolvendo e derretendo em grandes proporções.

Assim, não temos uma maneira eficiente de realmente observar como eles se formaram no passado.[2] Portanto, nesse contexto fica evidente que o “presente não é a chave para o passado”.

O cenário uniformitarista apresenta algumas dificuldades em interpretar as evidências disponíveis sobre a época do gelo. Esse cenário em que a geleira se expandisse cada vez mais por cem mil anos ou mais se torna impossível, pois ficaria cada vez mais frio, e quanto mais frio, menos evaporação de água e, portanto, um clima muito seco. Logo, faltariam dois requisitos necessários para que se estabelecesse uma “era do gelo”: umidade e neve, simultaneamente.

Além disso, o uniformitarismo tem dificuldades em explicar as evidências de grandes lagos e rios em regiões atualmente áridas e semiáridas de todo o planeta. Foram encontradas redes de drenagem extintas no deserto do Saara e restos de animais como elefante, hipopótamo, crocodilo, girafa, antílope e rinoceronte ao longo desses rios agora secos.[7] Outro grande problema que permanece é o fato da extinção em massa de milhares ou milhões de mamutes na Sibéria e no Alasca. As hipóteses correntes são as de que as extinções devem ter ocorrido devido à matança humana ou à mudança climática; todavia, ainda não há um consenso.

E como explicar as evidências de planícies não glaciadas, do Alasca, da Sibéria e do leste da Ásia? Isso tem sido outra dificuldade para a modelagem com base em uma escala de longo tempo em que supostamente deveria haver tempo suficiente para que até mesmo essas regiões ficassem totalmente cobertas por gelo. Outra pedra no sapato do modelo uniformitarista têm sido as associações desarmônicas, ou seja, presença de fósseis de animais aparentemente incompatíveis com a região geográfica em que foram encontrados.

E o que dizer das evidências massivas de vulcanismos intensos na maioria das regiões do planeta? Os uniformitaristas até reconhecem o vulcanismo intenso que ocorreu no Pleistoceno (suposto período na escala evolutiva compreendida entre 2,6 milhões de anos e 11.700 anos atrás, em que teria ocorrido uma “era do gelo”), porém, o vulcanismo não é tido como mecanismo principal para o estabelecimento dessa mesma “era do gelo”, devido à escala de tempo de longa duração de cem mil anos ou mais. Dado o tempo longo, é simples de entender que o vulcanismo se tornaria insignificante.

Causas da época do gelo no cenário criacionista

O modelo criacionista ou catastrofista apresenta o cenário ideal para explicar como e por que teria acontecido a época do gelo, pois descreve a ação simultânea de alguns requisitos essenciais: vulcanismo intenso e muita umidade e neve, simultaneamente. Apresentarei a seguir as etapas que, de acordo com o modelo, teriam dado início e mantido a época do gelo:

1. Vulcanismo intenso. Atualmente, existem 1.500 vulcões conhecidos e as estimativas é a de que existam mais de 50.000 vulcões em terra e no fundo dos oceanos. Logo, atividade vulcânica intensa é o primeiro requisito que teria ocorrido no período do dilúvio. Ao fim do dilúvio, o mundo estaria coberto por vasta quantidade de gases e cinzas vulcânicas aprisionados na estratosfera, que causariam a reflexão dos raios solares de volta para o espaço.

2. Menor incidência de radiação solar. Como menos radiação solar penetrando esse escudo, resultaria no resfriamento da Terra, e manteria os verões frios. Mas será que existem evidências de que isso teria acontecido? As grandes erupções modernas podem servir de evidência para entendermos que elas normalmente resfriam uma região em cerca de 1 ºC, e esse resfriamento dura cerca de três anos até que as cinzas e os gases precipitem, considerado tempo suficiente para iniciar uma “era do gelo”.[1: p. 66, 2] Nos anos 536 e 540, ocorreram duas erupções de grande magnitude e o efeito combinado baixou em 2 ºC a temperatura, o que produziu a década mais fria em dois mil anos, e afetou todo o mundo.[8] A erupção do Monte Tambora, em 1815, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 1 ºC e foi a maior já registrada, sendo responsável por provocar no ano seguinte aquilo que foi chamado de um “ano sem verão”.[9] Em 1883, por sua vez, a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, baixou a temperatura em cerca de 0,5 °C por 5 anos consecutivos.[10]

3. Vulcanismo contínuo. Para que se prolongasse o resfriamento e mantivesse a “era do gelo”, seria necessário que o vulcanismo intenso também fosse contínuo, não podendo ficar mais do que alguns anos sem erupções constantes, a fim de que os aerossóis fossem reabastecidos na atmosfera por centenas de anos após o dilúvio.[2] E, de fato, existem evidências científicas de que houve vulcanismo intenso por toda a Terra no Pleistoceno.[11] Foram encontradas numerosas camadas de cinzas, às vezes cobrindo grandes áreas. Somente no oeste dos Estados Unidos houve pelo menos 68 grandes quedas de cinzas durante a época glacial.[12]

4. Neve e a reflexão dos raios solares. Quando o chão ficou coberto de neve, passou a refletir (como espelho) a radiação solar (90% de reflexão). Isso teria esfriado ainda mais o ar, acelerando o processo.

5. Oceanos quentes. Para que muita neve (segundo requisito necessário) caísse, seria preciso muita umidade para que ela se condensasse e cobrisse todas as áreas afetadas naquela época. Gênesis 7:11 nos diz que as fontes do grande abismo se romperam. Logo, muita água quente subiu e se derramou sobre os oceanos pré-diluvianos, os quais provavelmente eram mais quentes do que os atuais. Sabe-se que a crosta terrestre aquece 30 °C a cada km de profundidade. Assim, o oceano estaria aquecido após o dilúvio, com uma temperatura máxima de 30 ºC para não ameaçar a vida marinha.[3]

6. Umidade em grande quantidade. O vapor de água se formaria nos oceanos mornos, e migraria para os continentes por meio de correntes de convecção, e aí precipitaria na forma de neve, principalmente nas regiões altas e nos polos. Outra parte dessa umidade viria de grandes lagos formados nos continentes, quando a terra emergiu vagarosamente das águas do dilúvio, sendo represados atrás de barreiras de material empilhado.[1: p. 67]

7. Máxima glacial. O ápice do resfriamento (máxima glacial) deve ter ocorrido 500 anos após o início da expansão do gelo. Depois disso, o oceano se esfriaria e diminuiria a precipitação de mais neve.[7]

8. Oscilação da atividade vulcânica. A atividade vulcânica também oscilaria, apresentando picos e vales, seguindo uma tendência geral ao declínio e derretimento do gelo.[1: p. 68, 69] Esses picos e vales formariam camadas que corresponderiam ao que os pesquisadores identificam hoje como as várias “eras do gelo”; mas que corresponderiam apenas às fases de avanço e recuo de geleiras durante essa época, dando a aparência de mais de uma.[13] De acordo com Flori e Rasolofomasoandro, uma evidência direta está relacionada à “pequena glaciação do século 18, nas regiões árticas e no norte da Europa, que fez oscilar o limite do gelo em torno de alguns milhares de quilômetros, de norte a sul. Essa oscilação ocorreu em um intervalo de tão-somente 150 anos”.[13: p. 275] Além disso, estudo publicado em 1994 por cientistas uniformitaristas mostrou que a ideia de várias “eras glaciais” é apenas suposição.[14] Acreditava-se que três ou quatro “eras do gelo” teriam ocorrido no Canadá. Porém, os cientistas concluíram que houve apenas uma. Ademais, fósseis do Pleistoceno são raros em áreas glaciais, o que é curioso, pois se houvesse muitos interglaciais, deveria haver mais fósseis. Praticamente todas as extinções da megafauna foram após a última.

O que teria acontecido antes da época do gelo?

A temperatura era parcialmente uniforme. De acordo com o modelo criacionista, o clima era quente antes da chegada dessa época do gelo. Antártida, Ártico e os oceanos do Pacífico Norte (EUA), por exemplo, ainda não eram cobertos por gelo.[15] Mas será que existem realmente evidências para essa afirmação? Têm sido encontradas florestas subtropicais no Ártico e na Antártica antes que o gelo tivesse se formado nessas regiões. Cientistas descobriram embaixo do gelo uma floresta subtropical, com palmeiras e árvores de macadâmia.[16, 17] Outra evidência se concentra nos mamutes da Sibéria fossilizados com capim florido na boca e no estômago.[18, 19]

Rápido repovoamento após o dilúvio. Outro ponto interessante teria sido o rápido repovoamento da terra após o dilúvio. Existem evidências de que tanto a flora quanto a fauna podem se restabelecer rapidamente em uma região atingida por catástrofes. A ilha vulcânica de Surtsey, no sul da Islândia, por exemplo, surgiu no meio do oceano em 1963, com mais de 2 km, e em 50 anos já havia fauna e flora exuberantes.[20, 21] Em 1973, a ilha vulcânica de Nishinoshima foi vista pela primeira vez em erupção no meio do oceano pacífico, a cerca de 1.000 km ao sul de Tóquio.[22] Dentro de um mês, a ilha subiu 25 metros acima do nível do mar e, em apenas 40 anos de existência, já existia ali vegetação. Em 1980, o vulcão do Monte Santa Helena entrou em erupção e destruiu grande parte da vida vegetal e animal daquela região. Em apenas 25 anos, a fauna e a flora voltaram a tomar conta do lugar.[23]

Ademais, sabe-se que os elefantes, em apenas 300 anos, poderiam chegar a seis milhões de outros exemplares.[19] Os seres humanos, por sua vez, em apenas 1.200 anos, usando a taxa de crescimento atual (1,7-1,8), poderiam chegar a bilhões de outros indivíduos. De igual modo, os coelhos, em apenas 76 anos, poderiam chegar a dez bilhões.

Megafauna extinta. Após o dilúvio, houve o estabelecimento de uma megafauna. Os animais cresceram em tamanho (gigantismo), pois havia muita oferta de alimento e pouca competição (predadorismo). Dessa forma, haveria maior chance de esses animais gigantes sobreviverem ao frio durante a migração que viria a seguir. E hoje temos evidências dessa megafauna extinta por meio da paleontologia (fósseis) e dos achados arqueológicos (artes rupestres).

Migração humana e animal após o desembarque no Ararat. A migração de animais e humanos que ocorreu logo após a saída deles da arca na região do Ararat, hoje conhecida como Turquia, se deu por caminhos de terra entre os continentes. Mas alguns podem perguntar: Como isso pode ter acontecido, visto que hoje vemos extensões de água entre alguns continentes? O modelo criacionista pode explicar facilmente esse cenário ao entendermos que boa parte da água foi atraída pelo gelo da glaciação; logo, o nível dos mares certamente baixaria em vários metros, criando corredores muito extensos de terra seca em algumas regiões. Assim, rebanhos de animais atravessariam uma planície gramínea com 1.609 km de largura que se estenderia da Ásia pelo Estreito de Bering para a América do Norte.[24] E, de fato, existem evidências dessas migrações, ao levarmos em consideração as associações desarmônicas entre os fósseis encontrados nessas regiões. Ao norte da Sibéria, por exemplo, foram descobertos mamutes e mastodontes fósseis em gelo. O que estavam fazendo lá? Provavelmente, eram regiões de climas temperados, mesmo na época do gelo, devido ao fato de essa região ficar próxima à costa do oceano, que estava quente logo após o dilúvio.

Na região da Beringia, por sua vez, foram encontrados lobo, raposa, leão, camelo, cervos, preguiça, alces, castor gigante, lemming, porco, coiote, antílope, ovelhas, ratazanas, lebre e coelho, além de muitas espécies de aves, roedores, cavalos e bisões.[19] No sul da Inglaterra, também foram descobertos fósseis de hipopótamo, rinoceronte lanudo, boi-almiscarado, veados e crocodilos.[7]

Início e duração da época do gelo

De acordo com o naturalista Harry Baerg, “a formação e o desaparecimento dos lençóis de gelo devem ter ocorrido entre o tempo do dilúvio e o começo da história registrada”.[1: p. 70] É, portanto, razoável admitirmos que o início da idade do gelo coincida com a história da Torre de Babel, construída no vale do Sinar (atual Iraque) entre 100 e 130 anos após o dilúvio. E o que dizer da Bíblia? Existem relatos bíblicos sobre essa época do gelo? Podemos perceber na narrativa do livro de Jó, nos capítulos 6:16; 38:22, 29-30, um clima mais frio no princípio da história bíblica, datado entre 300-500 anos após o dilúvio.

De acordo com os cálculos feitos pelo mestre em Ciências Atmosféricas Michael Oard, a época do gelo pode ter durado menos de mil anos, mais especificamente 500 anos de acúmulo de gelo e 70 anos para derreter as camadas de gelo ao longo da borda, e cerca de 200 anos no interior do Canadá e da Escandinávia.[4, 25, 26] Existem evidências históricas relativas ao ano 1.454 a.C. (cerca de 300 anos após o dilúvio) em que Partholan, líder do segundo grupo a conquistar a Irlanda, teria desembarcado nessa região e registrado o número de lagos e rios existentes. Pouco tempo depois, na segunda colonização, havia um número bem maior de lagos e rios. Provavelmente, os registros irlandeses antigos evidenciaram o derretimento das camadas de gelo do norte europeu.[27] Segundo Ussher, o dilúvio ocorreu em 2.348 a.C. Portanto, a era glacial teria terminado mil anos após a grande inundação.

Fim da época do gelo

Extinção da megafauna. Existem evidências de que a megafauna que prosperou durante a época do gelo pós-dilúvio, equivalente ao período Pleistoceno na escala evolutiva de tempo, composta por exemplares do mamute lanoso (que viveu na Sibéria e no Alasca), do tigre dente-de-sabre (América do Norte) e da preguiça gigante (América do Norte), existiu nessas camadas e desapareceu no fim desse período de tempo;[24] ademais, os mamutes lanosos realmente eram adaptados ao frio.[28] A hipótese mais aceita é a de que eles prosperaram durante a época do gelo, especialmente nas planícies não glaciadas da Beringia, pois as temperaturas eram mais equânimes.[19]

Extinção dos mamutes. A extinção dos mamutes tem sido motivo de controvérsia até mesmo entre a comunidade criacionista. De acordo com a teoria das hidroplacas, do engenheiro mecânico Walter Brown, ás águas subterrâneas ejetaram da ruptura criada na crosta terrestre no início do dilúvio, e essas águas, ao chegarem à estratosfera, teriam congelado rapidamente, produzindo cristais de gelo que, ao caírem, teriam originado uma forte chuva torrencial, ao mesmo tempo em que teriam promovido o congelamento instantâneo (ultrarrápido) de animais como o mamute, encontrado na Sibéria e no Alasca.[29: p. 118] Por outro lado, amostras de tecidos de mamutes revelaram que eles morreram (deterioração) antes de serem enterrados e congelados no Permafrost das tundras.[19] As possíveis causas da morte desses mamutes têm sido atribuídas a: (1) terem ficado atolados no pântano (por serem regiões de permafrost); (2) levados pelas enchentes produzidas pelo degelo; ou (3) congelamento durante tempestades de neve com ventos soprando pó, que iriam enterrá-los ao fim da época do gelo.[19, 28]

Fase do degelo. A partir do momento em que o gelo começasse a derreter, o clima tornar-se-ia mais continental, com invernos mais frios e verões mais quentes. O oceano possivelmente se tornou mais frio do que hoje, e o clima mais seco. Os grandes mamíferos teriam sido especialmente suscetíveis à seca.[19]

Fim do degelo. As águas doces do degelo seriam menos densas que a água do mar, e formariam uma camada superficial sobre o oceano, congelando essa camada durante a noite. É nesse momento que os grandes blocos de gelo sobre o mar do norte (com vidas preservadas neles) se formariam com as evidências de fossilização desarmônicas que vemos hoje. Muitos animais eram pesados e afundavam no gelo.[30] Inclusive, há evidências de animais da megafauna apresentando características de sufocamento e membros quebrados.[19]

Animais ilhados. Para Harry Baerg, “a água resultante do degelo fez com que o nível do mar subisse e algumas pontes de terra (estreito de Beringher e Australásia), que existiam durante o período glacial, submergiram”.[1: p. 70] Isso explicaria por que alguns grupos de animais como, por exemplo, os cangurus teriam ficado ilhados na ilha continental australiana.

Formação dos desertos. Uma das consequências de uma época do gelo é o ressecamento, pois a umidade congela e resseca o ambiente (exemplo do ar condicionado). Esse ressecamento provavelmente deu origem ao processo de desertificação em algumas regiões do planeta.[7]

Fonte: Everton F. Alves é enfermeiro, mestre em Ciências da Saúde pela UEM e diretor de ensino do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; seu e-book pode ser lido aqui. via criacionismo

Referências:

[1] Baerg HJ. O mundo já foi melhor. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1992.
[2] Oard M. The Genesis Flood Caused the Ice Age. Capítulo 7. In: Oard M. Frozen in time: The Woolly Mammoth, the Ice Age, and the Bible. Green Forest, AR: Master Books, 2004. 217p.
[3] Oard M. The Ice Age and the Genesis Flood. Acts & Facts. 1987; 16(6).
[4] Oard M. What caused the Ice Age? Journal of Creation 2014a; 36(3):52–55.
[5] Woodmorappe J. Greenland ice cores: implicit evidence for catastrophic deposition. Journal of Creation 2002; 16(3):14–16.
[6] Oard M. The puzzle of disharmonious associations during the Ice Age. Journal of Creation 2012; 26(3):15–17.
[7] Oard MJ. A post-flood ice-age model can account for Quaternary features. Origins 1990a; 17(1):8-26.
[8] Toohey M, et al. Climatic and societal impacts of a volcanic double event at the dawn of the Middle Ages. Climatic Change 2016; 136(3):401–412.
[9] Stothers RB. The Great Tambora Eruption in 1815 and Its Aftermath. Science. 1984 15;224(4654):1191-8.
[10] Bradley RS. The Explosive Volcanic Eruption Signal in Northern Hemisphere Temperature Records. Climatic Change 1988; 12(3): 221–243.
[11] Charlesworth JK. The Quaternary Era, Vol. 2, London, Edward Arnold, 1957, p.601.
[12] Izett GA. Volcanic ash beds: recorders of upper Cenozoic silicic pyroclastic volcanism in the western United States. Journal of Geophysical Research 1981; 86(B11):10200-10222.
[13] Flori J, Rasolofomasoandro H. Em Busca das Origens: evolução ou criação? Brasília: SCB, 2002, p. 274.
[14] Young RR, Burns JA, Smith DG, Arnold LD, Rains RB. A single, late Wisconsin, Laurentide glaciation, Edmonton area and southwestern Alberta. Geology. 1994; 22:683–686.
[15] Oard MJ. An Ice Age Caused by the Genesis Flood, Institute for Creation Research, El Cajon, CA, pp. 124–128, 1990b.
[16] Francis J, et al. 100 Million Years of Antarctic Climate Evolution: Evidence from Fossil Plants. In: Cooper AK, et al. Antarctica: A Keystone in a Changing World. Proceedings of the 10th International Symposium on Antarctic Earth Sciences. 2008. Washington, DC: The National Academies Press.
[17] Berry CM, Marshall JEA. Lycopsid forests in the early Late Devonian paleoequatorial zone of Svalbard. Geology. 2015; 43(12):1043-6.
[18] Lisboa LC, Andrade RP. Grandes Enigmas da Humanidade. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1971.
[19] Oard M. The extinction of the woolly mammoth: was it a quick freeze? Journal of Creation 2000; 14(3):24–34.
[20] Magnusson B, Magnusson SH. Vegetation succession on Surtsey, Iceland during 1990–1998 under the influence of breeding gulls. Surtsey Research 2000; 11:9–20.
[21] Roth A. Origens. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001.
[22] Maeno F, Nakada S, Kaneko T. Morphological evolution of a new volcanic islet sustained by compound lava flows. Geology 2016;44(4):259.
[23] La Corte R. 25 years afterblast, St. Helens comes back to life. NBC News.com (5/18/2005). Disponível em: http://www.nbcnews.com/id/7830509/#.WAVPRlQrI_5
[24] Snelling AA, Matthews M. When Was the Ice Age in Biblical History? Answers magazine, 2013.
[25] Oard M. An Ice Age Within the Biblical Time Frame. Proceedings of the First International Conference on Creationism, Vol.II, Technical Symposium Sessions and Additional Topics, Pittsburgh, Pennsylvania, 1986, pp. 157–166.
[26] Oard M. Setting the Stage for an Ice Age. Answers magazine, 2007.
[27] Cooper B. Depois do dilúvio. 1. Ed. Brasília: SCB, 2008, p.202.
[28] Oard M. Woolly mammoths were cold adapted. Journal of Creation 2014b; 28(3):15–17.
[29] Brown W. In the Beginning: Compelling Evidence for Creation and the Flood. 6. Ed. Phoenix, AZ: Center for Scientific Creation, 1995.
[30] Veith WJ. The Genesis conflict. 2. Ed. Canadá: Amazing Discoveries, 2002, pp. 143-147.

sábado, 22 de outubro de 2016

Tassos Lycurgo - Ciência e Fé numa Perspectiva Dialógica



Nota: Apresentação de Tassos Lycurgo na Mesa redonda "Ciência e Fé numa Perspectiva Dialógica" de que participaram com os professores os professores Dr. Marcos Eberlin (UNICAMP), Dr. Tassos Lycurgo (Faith.College | UFRN), Me. Danilo Cortez (IFRN) e Esp. Sandro Dutra (IFRN).

Promoção do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) - Campus Currais Novos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O computador darwinista

Para refletir: Poderia um software funcional de computador evoluir por um meio darwiniano? Não! Então, por que pensar que isso aconteceu no software da vida?

Ferramentas “pré-históricas” feitas por macacos?

Pedras que podem 'lascar' com a evolução
[Meus comentários seguem entre colchetes e no fim da notícia. – MB] Um estudo realizado na Serra da Capivara, no Piauí, pode mudar o modo como arqueólogos e cientistas interpretam as origens da humanidade. Realizada em parceria entre pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da britânica Universidade de Oxford, a pesquisa publicada na Nature nesta quarta-feira (19) mostra que macacos-prego do parque nacional são capazes de criar ferramentas, o que antes imaginava-se que só humanos fariam. Com a descoberta, artefatos encontrados em sítios arqueológicos e considerados como prova de ocupação humana podem ter sido feitos, na verdade, por macacos. Logo no início do estudo, os cientistas citam: “O entendimento do surgimento da tecnologia molda nossa visão das origens da humanidade.” O estudo realizado no Piauí mostrou que macacos-prego da região deliberadamente usam pedras para conseguir frutos, cavar em busca de aranhas ou retirar líquidos com minerais de outras pedras. Quando batem as pedras em busca de líquido, surgem por acaso lâminas de pedra semelhantes aos antigos objetos afiados utilizados como ferramentas pelos primeiros humanos.

“Fiquei bastante atônito. Fiz meu PhD pesquisando sobre ferramentas de pedra feitas por humanos. Aprendi como fazer essas coisas. Estava olhando para o material e parecia que havia sido feito por humanos”, disse Tomos Proffitt, arqueólogo de Oxford e um dos autores do estudo.

Cientistas normalmente utilizam as características de pedras lascadas com arestas afiadas para distinguir ferramentas de humanos de pedras que poderiam ter sido naturalmente quebradas em sítios arqueológicos [olha aí o princípio do design inteligente! Dá para aplicar a um pedaço de pedra, mas não a uma célula...]. A novidade pode provocar uma revisão de muitos achados arqueológicos feitos até então.

Os achados mais velhos do tipo, com datações de 3,3 milhões de anos e encontrados no Quênia, podem ser revistos, segundo pesquisadores envolvidos. O estudo, no entanto, não deve desafiar completamente a história da evolução humana na África, já que muitos dos achados no continente apresentam contexto humano maior nos sítios do que apenas pedras lascadas [na verdade, não pode desafiar muito, ou faria ruir toda uma teoria a respeito da suposta evolução humana].

O pesquisador brasileiro Tiago Falótico, do Instituto de Psicologia da USP, e o colega Eduardo Ottoni, seu supervisor, estudaram por anos o comportamento dos macacos-prego na Serra da Capivara - em julho, identificaram que os macacos usam ferramentas há pelo menos 700 anos. Nos últimos três anos, aprofundaram a pesquisa com a ajuda dos arqueólogos Michael Haslam e Tomos Proffitt, da Universidade de Oxford, além de outros pesquisadores.

As observações dos macacos-prego culminaram em coletas de pedras fragmentadas após o uso delas pelos animais e também em sítios arqueológicos da região – vale lembrar que a Serra da Capivara é um dos locais com maior concentração de sítios pré-históricos do mundo. [Seria coincidência haver macacos ali e haver também ali essa concentração de sítios “pré-históricos”?] Os objetos foram identificados com as mesmas características e formas das ferramentas humanas.

A conclusão dos autores do estudo pode mudar para sempre a arqueologia e a forma como vemos as primeiras civilizações humanas. Os pesquisadores apontam que, sem outras evidências, a produção de pedras lascadas não pode mais ser associada sozinha como sinal de presença de nossos ancestrais em uma determinada área – apesar de muitas das pedras lascadas achadas serem bem mais elaboradas do que as feitas sem intenção por macacos. [Será que foi sem intenção mesmo?]

No entanto, ao menos uma característica segue restrita aos humanos. Embora produzam estas pedras lascadas, os macacos-prego não foram vistos utilizando elas como um elemento cortante. Estes animais da região, no entanto, utilizam outras ferramentas, como varetas e as próprias pedras.

Fonte: UOL Notícias via criacionismo

Nota do blog criacionismo: Quer dizer que ferramentas de pedra lascada podem “lascar” com a evolução humana? Isso é para ver o nível de certeza que há nesse tipo de pesquisa e “descobertas” que dependem de evidências limitadas, mas que, no entanto, são divulgadas na mídia popular como fato. São pedaços de pedra, fragmentos de ossos e muita, mas muita imaginação. Inventam toda uma história (como aquela de que Lucy teria morrido em uma queda de 15 metros, não 16 nem 14). Depois têm que passar a vergonha de ser desmentidos por macacos. Por que não olham para as pirâmides e para a qualidade de certas pinturas rupestres (com representações detalhadas de caçadas e tintas super-resistentes) para imaginar como eram os seres humanos do passado? Isso é que dá interpretar as evidências com lentes evolucionistas/naturalistas. Continuarão “pagando mico”. [MB]

domingo, 16 de outubro de 2016

Cientistas dizem que Deus criou a mão humana em artigo científico

Uma coisa que você não vê muito em trabalhos científicos é Deus. Afinal de contas, se você vai explicar alguma coisa no seu trabalho, espera-se que você apresente uma explicação de verdade, em vez de trapacear e dizer “foi Deus”.

Mas foi basicamente isto que aconteceu no PLoS ONE, um periódico científico “open source”. Um artigo creditando a Deus a biomecânica da mão humana foi publicado.

O PLoS ONE é um periódico de acesso aberto. Dá para ler o artigo inteiro na internet sem pagar um centavo, ou fazer uma assinatura, mesmo uma gratuita. Outras publicações de renome, como a Nature, só apresentam o resumo na internet – o resto tem que ser pago.

Para um artigo ser publicado no PLoS ONE, a exigência é que a ciência dentro dele não esteja errada. Não é verificada a importância ou o mérito da pesquisa. A parte da revisão por pares é feita por voluntários.

No resumo do artigo, pode-se ler (nossa tradução):

“A ligação funcional explícita indica que a característica biomecânica da arquitetura conectiva tendinosa entre músculos e articulas é o projeto do Criador para executar uma multitude de tarefas diárias de uma forma confortável.”

Os autores juram que não queriam dizer “Deus” quando escreveram “Criador”, mas “natureza”:

“Lamentamos ter despertado os debates sobre criacionismo. Nosso estudo não tem relação com o criacionismo. O inglês não é nossa língua nativa. Nossa compreensão da palavra Criador não é a mesma que um falante nativo de inglês espera. Percebemos agora que nós compreendemos errado a palavra Criador. O que queríamos expressar é que a característica biomecânica da arquitetura conectiva tendinosa entre os músculos e articulações é um design próprio da NATUREZA (resultado da evolução) para executar uma variedade de tarefas diárias. Nós vamos mudar a palavra Criador para natureza no manuscrito revisado. Pedimos desculpas por qualquer problema causado por este erro.”


Só que esta mudança não altera o sentido criacionista do texto, que fala em “projeto”. A evolução não é resultado de projeto. Além disso, a explicação deles é de que a mão foi feita para as atividades atuais, uma filosofia chamada finalismo, outra coisa não científica. E já existe um trabalho explicando cientificamente a origem da mão humana.

Ainda não é o último capítulo desta história, mas os editores da PLoS ONE decidiram retratar o artigo, apontando falhas no processo de revisão. A polêmica está criada: o artigo é criacionista ou não? Três ocorrências da palavra “Criador” (assim, com “C” maiúsculo) fazem com que o artigo deixe de ser científico? Alguns cientistas acham que sim, que este palavreado não tem lugar em um artigo científico.

Mas o debate não para no uso da palavra “Criador”. Há o próprio assunto do trabalho, que não é sobre a origem da mão, e acabou passando desapercebido no meio da polêmica. O trabalho visa associar de forma objetiva a forma e o funcionamento da mão, que talvez poderia levar ao desenvolvimento de luvas inteligentes melhoradas e mãos robóticas.

Poderia isso tudo ser o resultado de uma publicação de baixa qualidade? Alguns comentaristas apontam que crucificar a PLoS ONE não é a resposta, uma vez que os grandes periódicos pagos também têm problemas de plágio, fraude e erros que acabam passando pelo processo de revisão por pares e de edição.

O próprio processo de revisão por pares também pode entrar na discussão. A ideia de cientistas não envolvidos com o trabalho original e sem nenhum interesse nos resultados parece boa no papel, mas a realidade é que os revisores têm muitas tarefas para fazer e metas de tempo e trabalho a cumprir. 


Nota deste blog: Por que um cientista não pode concluir que um órgão tão complexo e funcional como a mão é fruto de resultados de um Projetista Inteligente? Porque serão difamados e cairão no descrédito entre colegas naturalistas - que são a maioria na academia. Enfim, quando a evidência de um fato é muito obvia, muitas vezes fica difícil de esconde-las, não é verdade? 
Exemplo clássico de acaso e criação

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Tom Wolfe puxa o gatilho contra a teoria da evolução

No livro The Kingdom of Speech (O Reino da Expressão), o autor Tom Wolfe conta a história da queda épica da evolução.

A evolução darwiniana explica a trivialidade biológica - variedade de bicos de tentilhão e afins -, mas tropeça quando o assunto é inovação ao longo da história da vida. Nenhuma inovação poderia ser mais revolucionária do que a do Homo sapiens que, como diz o biólogo Michael Denton, do Discovery Institute, “apareceu repentinamente nas ricas e frutíferas pastagens da África, no final do pleistoceno”. A característica mais marcante do homem é, por natureza, seu dom de linguagem. Tom Wolfe explica magistralmente nesse seu novo livro que, hoje, o darwinismo leva um tombo épico. A evolução não pode nos explicar muito a respeito da proeminência que nos torna humanos. “Dizer que os animais evoluíram para o homem”, escreveu Wolfe na última página do livro, “seria como dizer que o mármore Carrara evoluiu para David, de Michelangelo.”

A analogia é pesada, mas faz sentido, pois um artista molda seu meio em um ato de “desenho deliberativo”. Wolfe, um dos escritores mais valiosos ainda vivos atualmente, não saiu ao encontro ao Design Inteligente (DI) somente agora. Em declarações anteriores, ele tem mostrado simpatia pelo DI, e tem comparado a perseguição aos cientistas adeptos do DI com a “Inquisição Espanhola” – aqui, referindo-se também à “Inquisição Neo-Darwinista”.
Tom Wolfe, jornalista norte-americano
Mas seu foco é sobre a história de como a evolução, de Darwin a Chomsky, é muito breve na explicação da linguagem. Ele deixa que as implicações desta falem por si mesmas. O significado de expressão vai além de simplesmente podermos nos expressar excepcionalmente como seres humanos - a “distinção principal entre homem e animal” – mas, como aponta Wolfe, é o que nos dá domínio sobre a terra e suas criaturas, e até mesmo mais do que isso: “Em suma, a linguagem, e só ela, tornou-nos ‘bestas humanas’ aptas para conquistar cada centímetro de terra no mundo, subjugar qualquer criatura grande o suficiente para olhar-nos de cima, e comer até a metade da população do mar. E isso, esse poder de conquistar todo o planeta para a nossa própria espécie, é uma pequena conquista do grande poder da linguagem. A grande conquista foi a criação de um eu interno, o ego.”

A partir desse “eu interno”, dotado de curiosidade e desejo, flui a riqueza da civilização - arte, religião, filosofia, literatura, ciência, e muito mais. Quão realmente impressionante poderia ser uma teoria das origens que não lança ao menos uma luz qualquer sobre a origem de tudo isso?

Wolfe molda sua história nos termos de dois pares de rivais ou “dobradinhas” – de um lado, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace e, de outro, os linguistas Noam Chomsky e Daniel Everett. Como em todos os seus livros que eu li, Wolfe mostra-se finamente sintonizado com questões de status, posição e/ou classe social - que em si já explicam muito - não só em moda ou política, mas também na história das ideias. Em ambos os pares de cientistas, um é o valor estabelecido, o homem de posição e prestígio (Darwin, Chomsky), que foi ultrapassado e quase caiu de seu pedestal pelos argumentos do pesquisador de campo de menor prestígio (Wallace, Everett), considerado “papa-moscas”, na frase de Wolfe.

Em 1858, Wallace deixou Darwin em pânico ao ir a público com uma teoria, que Wallace tinha pensado de forma independente, enquanto estava em um desmaio por malária, no outro lado do mundo. O “codescobridor” da evolução por seleção natural veio depois rejeitar o poder, explicativo e abrangente, da sua teoria e a de Darwin.

Wallace mostrou, escreve Wolfe, que “a seleção natural somente pode expandir os poderes de uma criatura até o ponto em que ela obtenha uma vantagem sobre a concorrência, na luta pela existência”. Além do mais, “a seleção natural não pode produzir qualquer órgão” especialmente desenvolvido “que seria inútil a uma criatura [...] ou de tão pouco uso que não remetesse até milhares e milhares de anos abaixo da linha em que a criatura pode tirar vantagem do potencial total do órgão”.

A fala é o exemplo mais óbvio de um poder inexplicável em termos de seleção natural. Apenas um projetista (ou designer) pode enxergar dessa maneira, usando previsão e elaboração de um plano, o que levou Wallace à sua visão de design “protointeligente”, defendendo “o agir de algum outro poder”, ou uma “inteligência superior” - a “inteligência controladora” - na direção, para orientar a evolução. Darwin, por sua vez, foi reduzido a especular de forma absurda sobre a linguagem ser uma extensão do canto dos pássaros...

E a questão foi abandonada até Chomsky, quando este entrou em cena na década de 1950 com sua própria noção de um “órgão de linguagem evoluído” escondido em algum lugar no cérebro, porém ainda não detectado. Conhecido tanto por essa teoria como por sua política “Radical Chique” (famosa frase de Wolfe), Chomsky sentiu seu campo intimidado quando olhou para trás e viu os "papa-moscas" deixarem o ar-condicionado de seus escritórios para investigar línguas ocultas em outras partes do mundo - lugares estes obscuros, inconvenientes, e anti-higiênicos.

A teoria de Chomsky reinou suprema até 2008, quando um “papa-moscas” chamado Daniel Everett, revelou uma linguagem primitiva, a do Pirarrã, um povo da Amazônia que não dispunha de nenhum recurso linguístico desenvolvido, que Chomsky considerava universal. Deveria ser universal se um “órgão evoluído” fosse compartilhado, sendo responsável por toda a fala humana. A conclusão da pesquisa de Everett era que a expressão não é um produto da evolução; era, na verdade, um “artefato” de origem humana.

O estudo da linguística foi jogado no caos. O próprio Chomsky, mesmo que tivesse negado a existência de seu rival, foi obrigado a admitir, após dedicar décadas ao seu trabalho, que “a evolução da faculdade da linguagem permanece em grande parte um enigma”: “Em trinta anos, Chomsky tinha avançado, partindo de ‘estruturas neurais específicas, não tão bem compreendidas em sua natureza’ para ‘algum sistema bastante obscuro de pensamento que nós sabemos que está lá, mas que não sabemos muito sobre ele.”
           
Dificilmente entenderemos a linguagem de hoje, o que ela é, e ainda não há nada melhor que a explicação de Aristóteles, que explicou-a como um sistema de “mnemônicos” - uma ajuda para a memória.
           
O livro The Kingdom of Speech é breve, porém maravilhosamente escrito e muitas vezes hilariante. As partes sobre “o cão de Darwin” e a “visita aos Marcianos” de Chomsky (uma fixação de suas palestras), por exemplo, são deliciosos. O papel do prestígio social, não ciência, no registro da persistência de uma ideia é um tema em que ninguém é mais adequado para explorar do que Tom Wolfe. Ele conta como, no próprio Dia de Darwin, “as pessoas começaram a julgar uns aos outros socialmente de acordo com sua crença e não com base na grande descoberta de Darwin”. Como pouca coisa mudou!
           
Wolfe, é verdade, não puxa o gatilho óbvio. Ele suplica modestamente para ser apresentado a Michael Denton. “Se a expressão é um artefato, como é que o homem adquiriu a capacidade de concebê-la e usá-la?” Como o Dr. Denton escreve em seu livro recente, Evolution: Still a Theory in Crisis (Evolução: Uma teoria ainda em crise), “as capacidades intelectuais exaltadas e compartilhadas por homens e mulheres de todas as raças e acessadas somente através da linguagem, provavelmente não eram muito úteis na caça aos mamutes”. Ele escreve:
           
“Um dos aspectos mais curiosos da evolução humana, que dá início a um desafio intrigante e ainda sem resposta à narrativa darwiniana e funcionalista, é o fato de que todos os seres humanos modernos compartilham de todas as mesmas capacidades intelectuais mais elevadas. Isso significa, por incrível que possa parecer, que um cérebro capaz das proezas intelectuais de um Einstein, um Newton ou um Mozart já teria surgido nos nossos últimos ancestrais comuns, há mais de 200.000 anos atrás [sic]. Tais habilidades intelectuais parecem absurdamente poderosas, muito além de ter qualquer utilidade concebível para caçadores ou coletores na savana ancestral e, portanto, também além de qualquer explicação funcionalista.”
           
A linguagem, escreve Denton, o “homólogo de definição de tipo”, é “consistente com uma origem saltacional”. Em outras palavras, parece ter “saltado à existência”, ou “veio a existir repentinamente”, partindo de nenhum modelo primitivo ou animal antes dele.
           
Alfred Wallace, como sempre, apontou o caminho - um poder tal, que passa a existir quando não poderia servir a um propósito evolutivo, só pode ser contabilizado como produto de design. Wolfe prefere deixar-nos “puxar o gatilho” por nós mesmos.

Fonte: David Klinghoffer, Evolution News, 30/8/2016; tradução: Mauricio Mancuzo via criacionismo

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